<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-759979092695463892</id><updated>2012-01-29T22:36:20.121-02:00</updated><title type='text'>Visões de Cá</title><subtitle type='html'>Tudo que em mim é autêntico provém da timidez da minha juventude; essa timidez que sempre foi fonte de desgraça na vida prática é de enorme riqueza poética; o escritor que não é tímido na vida não vale nada - Enrique Vila-Matas</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://visoesdeca.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>João Pedro Pacheco Chaves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18224213722906219897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/S0amGe-F2SI/AAAAAAAAAFY/IfPYWfVErss/S220/Web+1.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>131</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-759979092695463892.post-1819091022361500707</id><published>2012-01-25T11:47:00.002-02:00</published><updated>2012-01-25T11:48:26.491-02:00</updated><title type='text'>E se generalizarmos os brasileiros?!</title><content type='html'>&lt;p style="margin-top: 10px; margin-right: 5px; margin-bottom: 10px; margin-left: 0px; line-height: 1.5em; color: rgb(50, 50, 50); overflow-x: hidden; overflow-y: hidden; font-size: 13px; text-align: justify; "&gt;&lt;span &gt;O Brasil é um país de hipócritas. O “grosso” dos brasileiros acredita que o país é uma bosta (com o perdão da expressão), que não tem jeito e que nunca vai melhorar nem será um país “emergido”. Os brasileiros enchem a boca pra bradar que os políticos roubam, que na política só tem bandido, que a justiça é corrupta, que os serviços públicos são precários. Os brasileiros até mesmo reconhecem que a vida dos pobres é dura, difícil. Os brasileiros adoram comparar o Brasil com os Estados Unidos. Mas os brasileiros não suportam a simples ideia de ter que mover um única palha pra que o Brasil seja como os EUA.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 10px; margin-right: 5px; margin-bottom: 10px; margin-left: 0px; line-height: 1.5em; color: rgb(50, 50, 50); overflow-x: hidden; overflow-y: hidden; font-size: 13px; text-align: justify; "&gt;&lt;span style="line-height: 1.5em; " &gt;Se não o fazem para ser a nação que sonham ser, abominam a ideia de ter que alterar a simples rota que fazem em seus automóveis(ou mesmo ônibus) para discutir e contestar todos os problemas que reconhecem que o país tem. Os brasileiros odeiam essas figuras (singulares ou plurais) que mostram a cara e gritam contra contra tais situações. “São sempre uns radicais que querem mesmo é descumprir a lei”. E quanto aos atos que contestam a tal realidade? “Lá vem esses baderneiros mais uma vez, polícia neles, parece que não sabem que essa coisa toda não tem jeito? Que saco, só pra atrapalhar meu dia.”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 10px; margin-right: 5px; margin-bottom: 10px; margin-left: 0px; line-height: 1.5em; color: rgb(50, 50, 50); overflow-x: hidden; overflow-y: hidden; font-size: 13px; text-align: justify; "&gt;&lt;span &gt;Os brasileiros gostam mesmo é do conforto do seu lar e de reclamar da situação que os acomete, porque ir contra dá muito trabalho, é chato, desgastante. Acreditam que o melhor mesmo é cuidar de suas vidas, acumular um bom pé de meia e viajar pra algum risort em uma aldeia de pescadores.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 10px; margin-right: 5px; margin-bottom: 10px; margin-left: 0px; line-height: 1.5em; color: rgb(50, 50, 50); overflow-x: hidden; overflow-y: hidden; font-size: 13px; text-align: justify; "&gt;&lt;span &gt;Ocorre que no dia que tal situação bate a porta dos brasileiros eles se revoltam, se indignam, engrossam a voz contra as autoridades. “Um absurdo a polícia humilhar meu filho em uma blitz porque ele bebeu duas garrafas de uísque”. “Aonde vamos parar, colocaram algema, eu disse algema, no braço do meu filho, porque eles e os coleguinhas deram uma surra num viadinho”. “Não admito isso, pago meus impostos, sou cidadão de bem, todo mundo compra autoridades, só porque eu ofereci uns milhões por uma licitação pra minha empresa quer dizer que sou bandido? Todo mundo faz isso.”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 10px; margin-right: 5px; margin-bottom: 10px; margin-left: 0px; line-height: 1.5em; color: rgb(50, 50, 50); overflow-x: hidden; overflow-y: hidden; font-size: 13px; text-align: justify; "&gt;&lt;span &gt;O que falta a nós, brasileiros, é algo simples. É sentir a realidade que assola ao outro. Se não estamos interessados nisso, nos falta legitimidade pra invocar a crítica à situações injustas que venham a nos acometer.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 10px; margin-right: 5px; margin-bottom: 10px; margin-left: 0px; line-height: 1.5em; color: rgb(50, 50, 50); overflow-x: hidden; overflow-y: hidden; font-size: 13px; text-align: justify; "&gt;&lt;span &gt;E sobre leis e inconstitucionalidades essa é sim uma falácia. Interpretação jurídica será sempre um instrumento à disposição de interesses, será sempre uma decisão humana mais ou menos política&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Lucida Grande', Verdana, Arial, sans-serif; "&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/759979092695463892-1819091022361500707?l=visoesdeca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://visoesdeca.blogspot.com/feeds/1819091022361500707/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2012/01/e-se-generalizarmos-os-brasileiros.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/1819091022361500707'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/1819091022361500707'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2012/01/e-se-generalizarmos-os-brasileiros.html' title='E se generalizarmos os brasileiros?!'/><author><name>João Pedro Pacheco Chaves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18224213722906219897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/S0amGe-F2SI/AAAAAAAAAFY/IfPYWfVErss/S220/Web+1.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-759979092695463892.post-5037054981604402537</id><published>2012-01-25T01:05:00.002-02:00</published><updated>2012-01-25T01:06:15.465-02:00</updated><title type='text'>De que serve a hermenêutica?</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No segundo bloco do curso senti um interesse e uma motivação por uma disciplina em especial: a hermenêutica jurídica. Vendo a partir de hoje, confesso que à época o que mais me atraiu foram as posições incisivas e as críticas fundamentadas do Prof. Lênio Streck. Foram algumas pesquisas, algum aprofundamento, alguns escritos, outras tantas leituras frustradas. Mas ao fim a convicção de que o ato hermenêutico é o que de mais fascinante pude perceber no direito. Em uma palestra vi o Prof. João Adeodato dizer que nos currículos deveríamos ter hermenêutica em todos os blocos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ocorreu-me por estes dias (na verdade por este mês) que a hermenêutica só possui uma única serventia: criar teorias que ilustrarão com primor livros e debates teóricos. Sim, me parece que teorias acerca da interpretação nos servem (ou as damos esta única utilidade) apenas pra varar página e mais páginas. Mesmo que façamos críticas e mais críticas embasadamente às decisões judicias ou às jurisprudências dominantes, sempre restará apenas o debate. Ao que parece hermenêutica é coisa de acadêmico.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu lamento profundamente por essa constatação. Não trago à colação argumentos dos mais renomados doutrinadores ou filósofos. Trago apenas o que, enquanto cidadão comum, consigo ver. Toda teoria interpretativa ou toda concepção do direito cai por terra diante das conjunturas políticas. Todo ato interpretativo, ao que parece, é um ato humano mais ou menos político. Às favas o que diz a constituição.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Trago apenas dois fatos que embasam essa minha divagação. Vejamos apenas os atos jurídicos praticados em Teresina em data recente, com referência às manifestações contra o serviço de transporte público.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um delegado interpretou que poderia arbitrar fiança em prisão em flagrante por condutas cujas penas somam quatro anos e meio, tendo como base para o valor a condição econômica dos detidos e ordens superiores. Foram presos cinco estudantes, um professor e uma servidora pública - sendo que aos olhos da autoridade policial todos tinham a mesma condição econômica. A fiança arbitrada foi de 10 (dez) salários mínimos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em face da impossibilidade de pagamento determinou-se que, após o cumprimento dos procedimentos, cada um deveria ser algemado a uma barra de ferro nas dependências da delegacia. Diante do protesto dos advogados dos presos (invocando a súmula vinculante de nº 11 do STF), o delegado telefona para seu superior e informa que este ordenou que fossem pra cela. No dia seguinte todos para a Casa de Custódia, com algema nos pés e nas mãos e mais uma vez os protestos embasados na súmula 11 foram ignorados. A imprensa fotografou tal momento e a Secretaria de Justiça chama os algemados de mentirosos - diz que não houveram algemas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Enquanto isso no judiciário (que não possui juiz de plantão em dia úteis), ainda pela manhã (em pleno horário forense) um magistrado diz que vai determinar a soltura dos presos, mas só amanhã. Uma outra magistrada alega que o Habeas Corpus está mal instruído. Após dormirem na Casa de Custódia (os homens) e na Penitenciária Feminina (as mulheres), o judiciário "acorda" e o juiz cumpre sua palavra: solta os presos. A outra, requer pagamento de fiança no valor de R$ 2.072,00 para libertar cada um dos presos. Ressalte-se que a todos (aos do juiz e aos da juíza) pesava a suposta prática dos mesmos crimes, bem como havia sido arbitrada a mesma fiança pela autoridade policial.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando a cúpula do poder se uni todos seguem a mesma linha hermenêutica. Aquela que diz que ao intérprete o amparo dos conchavos em proveito de uma livre interpretação e aplicação das normas jurídicas. Um consistente trato que impede "falhas". E quem poderá nos salvar? Decerto que as vozes impávidas dos doutrinadores são por demais roucas pra alcançar os intérpretes oficiais. Seria aquele que chamam CNJ? Esse não, até porque a hermenêutica oficial condenou-o à função de bobo da corte ou mesmo de rainha Elizabeth.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E eu já ia me esquecendo. O parquet que visita três emissoras de TV e afirma que a polícia está legitimada a usar da força que for, acaso não incorre na conduta de incitação ao crime? Não é necessário resposta, os hermeneutas oficiais já nos deram a lição.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/759979092695463892-5037054981604402537?l=visoesdeca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://visoesdeca.blogspot.com/feeds/5037054981604402537/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2012/01/de-que-serve-hermeneutica.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/5037054981604402537'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/5037054981604402537'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2012/01/de-que-serve-hermeneutica.html' title='De que serve a hermenêutica?'/><author><name>João Pedro Pacheco Chaves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18224213722906219897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/S0amGe-F2SI/AAAAAAAAAFY/IfPYWfVErss/S220/Web+1.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-759979092695463892.post-3408159264911441150</id><published>2012-01-02T21:10:00.005-02:00</published><updated>2012-01-02T22:23:51.358-02:00</updated><title type='text'>Alguma coisa sobre sonhos e realidades</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sonhar é preciso. E muito fácil. Serve-nos para reavivar desejos, para traçarmos metas, para fazermos planos, para asseverar a gana de viver. Serve-nos para ir em busca de estados e sensações, para nos conduzir a sentimentos.&lt;br /&gt;E quanto contentamento quando se tornam reais, palpáveis. Nos invade uma sensação de prazer e realização pelo sucesso na empreitada, por conseguirmos atingir o tão (literalmente) sonhado ponto. É como romper a faixa branca ao cruzarmos a linha de chegada. É aquela sensação de soco no ar. É sorriso incontido. É deslumbramento. É como se realmente entrássemos no sonho, numa aura e numa névoa encantada. É de fato a constatação de que sonho e realidade se fundiram.&lt;br /&gt;Mas não só. É também todo o prazer da sensação ou do estado em si. Além do júbilo com o atingir o sonho, há o júbilo com o que o sonhado nos proporciona. Seja o amor, a alegria, a paz, o deleite, o sabor, o aroma. Os sonhos alcançados nos transportam para uma nova realidade de prazer, que nos invade a alma. Há um múltipla felicidade, evidenciada em dois pontos: a coisa do alcance e a coisa do sonho em concreto, de vivê-lo.&lt;br /&gt;Entretanto, é preciso constatar-se que o sonho quer mais de nós. Ele não é um estado dado que estagna e paralisa o tempo e a vida. Os sonhos não são estáticos e eternos. Alcançá-los não significa cruzar a linha de chagada, receber abraços, sorrir, sentar, pegar a toalhinha e saborear um copinho de água gelada, enquanto se recebe uma boa massagem.&lt;br /&gt;É preciso que prolonguemos o prazer ao infinito. É preciso sempre manter o sonho, caso contrário a sensação de escorrer pelos dedos pode anular todo aquele contentamento com o anterior alcance. É preciso, creio, que nos comprometamos com nossos sonhos quando eles já nem mais tem essa denominação. Talvez a realidade que nos é trazida seja como um novo modo de viver, de agir. Talvez seja um elevação de nós mesmos que sempre há de ser mantida.&lt;br /&gt;Sonhar é fácil. Atingir o sonho é possível. Mantê-lo real é demasiado difícil. Nos exige cautela, paciência, sabedoria e, principalmente, coragem. Afinal, uma nova realidade (incrível) nos penetra, enquanto estávamos a viver uma outra e sempre restarão resquícios do que se foi no que está a ser. É preciso transpor o velho para que concretizemos o novo, o desejado. É preciso enfrentar os eventuais choques entre as tais realidades para enfim assentarmos esse novo estado, mágico e extraordinário.&lt;br /&gt;Que saibamos sempre sermos mais para chegarmos ao sonho e sabermos torná-los efetivos. Ainda que difícil e árduo é preciso que tenhamos a serenidade e a perspicácia necessárias para bem acolher a os sonhos que se tornam realidade. Talvez uma das formas de fazer valer o esforço empreendido para alcançar um sonho seja mantê-lo em concreto, fazer dele a rotina de nossas vidas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/759979092695463892-3408159264911441150?l=visoesdeca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://visoesdeca.blogspot.com/feeds/3408159264911441150/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2012/01/alguma-coisa-sobre-sonhos-e-realidades.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/3408159264911441150'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/3408159264911441150'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2012/01/alguma-coisa-sobre-sonhos-e-realidades.html' title='Alguma coisa sobre sonhos e realidades'/><author><name>João Pedro Pacheco Chaves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18224213722906219897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/S0amGe-F2SI/AAAAAAAAAFY/IfPYWfVErss/S220/Web+1.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-759979092695463892.post-4366911099655882367</id><published>2011-11-22T00:33:00.004-02:00</published><updated>2011-11-22T01:10:09.684-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É difícil. É difícil segurar essa reação que é maior que nós. Maior apenas por ser involuntária. Não há como impedi-la, ignorá-la, virar os olhos e esquecê-la. Mas só porque é involuntária. Só porque é tão presente, tão pulsante, latejante. E por toda essa falta de controle; dói, corrói.&lt;br /&gt;Nem sempre ela nos vem assim de imediato. Por vezes demora horas, uma noite, um adormecer. É como se maturasse de maneira latente. É como se precisasse de alguma reação psiquiátrica específica pra se concretizar.&lt;br /&gt;Os olhos passam a ver cenas inconcretas. Que (ainda, talvez) são apenas projeções do que pode vir a ser. Tudo se acelera descontroladamente a ponto de meses serem transcorridos em minutos. Em pouco tempo já se pode ver um desaguar de fatos controvertidos, meio desconexos - indesejados.&lt;br /&gt;O enredo, o roteiro, os atores nos entram pelas pálpebras e seguem até onde as tais imagens foram projetadas. Inundam-nos. Desaguam ferozmente rumo ao chão. Antes, percorrem o lugar que interpretou tudo aquilo que há pouco era apenas visto: o tal coração. Este, em parte criador do tal impulso involuntário em questão, na sua natural aceleração do momento, violentamente jorra todos pra fora de si.&lt;br /&gt;É aqui, precisamente, que se origina aquele conhecido embrulho no estômago. Uma sensação que só pode ser chamada por um único nome: ansiedade! Mas, no caso, este denominante é apenas um componente deste turbilhão de incertezas, de inconcretudes. Cenas, atores, enredo e roteiro passam a ricochetear neste curto espaço - dito barriga. Esse incômodo estomacal, em que nada lembra aquele outro - famoso -, persiste incansável e insaciável. Libera fluidos quentes, amargos, ácidos por toda a extensão do corpo. Queimam ideias, cultivam amarguras, corroem imagens (novas e velhas).&lt;br /&gt;Em meio a tudo isso a corpo para. A mente cala. O olhos cerram. As mãos fecham. O coração lamenta. Grita lamentos. Questiona porquês. Tão involuntário quanto tudo isso são os pés, que já não levam a lugar nenhum. Imóveis, estáticos, estanques. Uma camada de gelo recobre todos poros. O calor se concentra nas veias.&lt;br /&gt;Ao cabo de tudo isso, que dura muito mais que várias horas, emerge fagueiro o lamento constatador da incapacidade de si para com os outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/759979092695463892-4366911099655882367?l=visoesdeca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://visoesdeca.blogspot.com/feeds/4366911099655882367/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2011/11/e-dificil.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/4366911099655882367'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/4366911099655882367'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2011/11/e-dificil.html' title=''/><author><name>João Pedro Pacheco Chaves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18224213722906219897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/S0amGe-F2SI/AAAAAAAAAFY/IfPYWfVErss/S220/Web+1.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-759979092695463892.post-2216026276633594671</id><published>2011-11-04T01:35:00.002-02:00</published><updated>2011-11-04T01:55:53.224-02:00</updated><title type='text'>Você não!</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu só queria parar. Apenas por alguns instantes. Poder fechar os olhos. Deixar cair. Sentir o vento por entre os braços. Saber que não existe nenhum horário, nenhum cliente, ninguém para cobrar. Queria apenas parar. Eu queria poder refletir, pensar, pesar. Queria apenas descobrir por onde seguir. Queria esquecer que uma avalanche despencará sobre minha cabeça antes mesmo do fim destas palavras. Queria apenas o direito de deitar sobre a relva e por alguns instantes apagar.&lt;br /&gt;Apagar desta realidade que já deu tantas e tantas voltas e que já não faz mais sentindo algum. Poder pesar essas duas décadas de existência e encontrar a medida que realmente ainda importa. Queria apenas a chance de não ser empurrado. Queria a chance de decidir sobre os passos, sobre as estradas, as pegadas, sobre as chegadas. Queria por a prova todas as certezas rachadas que hoje já não convencem de nada.&lt;br /&gt;Seria apenas um mergulho. Descansar a nuca e cair. Descansar as pálpebras e cegar. Mas sem que as tormentas me atinjam ao primeiro segundo. Sem que os passos me pisoteiem no apressado passeio. Sem que as vozes me vaiem pela sinceridade do ato. Sem que as mãos se desatem pela insegurança declarada. Sem que os olhares tripudiem da inexpressividade. Sem que a razão me declare hipócrita.&lt;br /&gt;Apenas pelo direito de não ter que provar. Apenas pelo direito de não ter um futuro traçado. Apenas pelo direito de ousar, de errar, de tentar. Pela vontade de dialogar com a angústia, de interrogar a dúvida, de inquirir o desejo, de proceder a contatos pueris.&lt;br /&gt;Mas é pena que este tempo já não permita. As mãos se desatariam. A confiança pisotearia. Não permitem mais que deixe de atuar. Já não há mais descanso entre as cenas. A fantasia que se desenha não permite ensaios ou esboços. O faz de conta é sério, agora. Sejas trêmulo, se quiseres, mas cruze os braços pra demonstrar a altivez que conquistou há pouco (e por pouco). Não se permite mais incertezas, inseguranças, cobardias. Eles podem, você não. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/759979092695463892-2216026276633594671?l=visoesdeca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://visoesdeca.blogspot.com/feeds/2216026276633594671/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2011/11/voce-nao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/2216026276633594671'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/2216026276633594671'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2011/11/voce-nao.html' title='Você não!'/><author><name>João Pedro Pacheco Chaves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18224213722906219897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/S0amGe-F2SI/AAAAAAAAAFY/IfPYWfVErss/S220/Web+1.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-759979092695463892.post-746617289195345560</id><published>2011-10-02T02:05:00.002-03:00</published><updated>2011-10-02T02:05:50.416-03:00</updated><title type='text'>E hoje em dia, como é que se diz eu te amo?</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Eu acho que eu te amo". Naquele quarto escuro. Frio. Sob o som de alguma música agradável. Com o corpo semi-encoberto por aquele edredom branco com listras azuis e verdes. Foram essas as palavras que aquela voz doce, sincera e envolvente pronunciou.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não posso dizer que lhe pareceu estranho. Não houve um imediato revide. Ele não lhe retribuiu com um seco "também". Muito menos com um automático "Também te amo". De súbito, tudo o que ele pode fazer foi sentir (e perceber) aquele - inesperado e involuntário - caminho que tais palavras percorreram em todo o seu ser.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Após passarem pelas barreiras auditivas aqueles fonemas provocaram inúmeras sinapses que trataram de ecoar a bendita frase. Caíram então na corrente sanguínea. Desceram rio a baixo e, estranhamente, a correnteza as levou a todas as cavidades possíveis presentes no coração. Inflaram o órgão que - de pronto e após cravar os fonemas em si - bombeou-as para todos os confins daquele corpo. Como um vulcão que expele larvas desordenadamente e que inunda os arredores com aquela chama líquida, aquela forte batida cardíaca impulsionou o uníssono eco das tais palavras.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em um sentido partiram velozmente deslizantes rumo ao chão, percorrendo as pernas (acariciando-as e fazendo-as suspirar) até encontrar o limite dos pés - dando-os à sensação de que as suas plantas estavam a flutuar. Em outro, partiram pela extensão dos braços. Despertaram arrepios. Os pelos ouriçaram-se até que a tal frase atingiu a ponta dos dedos, fazendo-os bailar desordenadamente. Do coração partiu ainda um jato que atingiu o estômago, como aquelas boas notícias que nos emocionam e nos deixam instantaneamente felizes, nos desarmam de ansiedades e possíveis temores. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Assim, com o corpo pulsando inteiramente e intensamente, o rosto foi atingido. Sua expressão tornou-se leve, desenrugada, tranquila. Ao chegar aos lábios e bochechas produziram um tremor que desaguou num sorriso aberto, franco e natural.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por fim, o cérebro - produtor das sinapses iniciais (e que não foi capaz de captá-las e processá-las de imediato) - ouviu as tais palavras. Pego de surpresa (e de contentamento) só foi capaz de produzir lembranças. Lembrou de alguns dias do ano que havia passado há pouco. De um tal dia 9/10, quando pode ouvir aquela voz pela primeira vez. De um tal 10/10, quando tocou - com seus lábios - a boca que pronunciou a frase em questão. Lembrou da despedida precoce ocorrida naquele ano. Lembrou dos tantos dias em que lamentou (e expressou em textos) não ter sido mais e não ter podido conquistá-la e estar ao lado dela.&amp;nbsp; Lembrou da recente volta, da efervescência de sentimentos comodamente adormecidos, bem como lembrou dos sorrisos e das confidências que ela trouxe ao voltar. Lembrou dos períodos de distanciamento e da silenciosa (e recente desvelada) reciprocidade do que sentiam.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Todo esse processo sensitivo de transmissão corpórea não prolongou-se por mais que três ou quatro segundos. A olho nu talvez possamos dizer que ele ouviu aquilo e sorriu e se contorceu (levemente). Um sorriso próprio do contentamento daqueles que esperam - sem cobrar - pelo voluntário despertar dos sentimentos.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Após tudo isso, pode apenas dizer. "Eu também já amo você e tinha medo de dizer-te e assustar-te".&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/759979092695463892-746617289195345560?l=visoesdeca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://visoesdeca.blogspot.com/feeds/746617289195345560/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2011/10/e-hoje-em-dia-como-e-que-se-diz-eu-te.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/746617289195345560'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/746617289195345560'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2011/10/e-hoje-em-dia-como-e-que-se-diz-eu-te.html' title='E hoje em dia, como é que se diz eu te amo?'/><author><name>João Pedro Pacheco Chaves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18224213722906219897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/S0amGe-F2SI/AAAAAAAAAFY/IfPYWfVErss/S220/Web+1.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-759979092695463892.post-4855283587616388968</id><published>2011-09-22T12:02:00.000-03:00</published><updated>2011-09-22T12:05:16.206-03:00</updated><title type='text'>Ajude o meu amigo (ou "O sonho não acabou - o golpe Styllos")</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small; line-height: 150%;"&gt;Em 27/08/2008 iam (simultaneamente) ao ar duas matérias sobrea Empresa Styllos Eventos. Uma intitulada “Não transforme o seu sonho empesadelo: Contrate Styllos Eventos”. A segunda trazia em seu corpo os seguintesdizeres: “Ele [José Araújo Lima Júnior] e sua esposa administram a realizaçãodos sonhos de muitos formandos da cidade [Teresina], já que a Styllos éespecializada em formaturas” – assevere-se que “ele” faleceu no ano de 2009 e“sua esposa” continuou a administração da empresa. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small; line-height: 150%;"&gt;Passados exatos três anos e vinte dias, Teresina amanheciaquente como de costume. Explodia no &lt;i&gt;facebook&lt;/i&gt;uma disputa na sala do 10º bloco de Direito da Universidade Estadual do Piauí:alguns alunos alimentavam o desejo de assumir o encargo cabível há apenas um:ser o orador da turma. Eis que a comissão de formatura, por meio de uma de suasrepresentantes, posta: “Gente, aconteceu uma coisa muito ruim. eu tô indo atrásde ver o que aconteceu direito agora. Dou notícias.”&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small; line-height: 150%;"&gt;Tais palavras soaram como um balde de água fria naquelafervente e crescente disputa. Mas ainda viria o jato mais forte. Poucos minutosdepois, no dia 17/09/2011, os dois mesmos sites que publicaram as matérias logoali trazidas, estampam suas primeiras páginas com as seguintes manchetes: “CALOTE:Estudantes denunciam golpe de donos da Styllos”. “Empresa de eventos é acusadade aplicar golpe em estudantes”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small; line-height: 150%;"&gt;No mesmo instante se instalou em cada um de nós um silêncioretumbante, um apagar de luzes, um sair do ar. A rapidez dos fatos de vidas abeira de uma nova fase, parou. Não dava pra acreditar naquilo. Os carnêsarduamente colocados em dia. As prestações com todos aqueles recibosamarelinhos grampeados aos boletos. A contagem regressiva pelo fim daquela(quase) interminável dívida. A satisfação em dizer-se que lá se foram 30 etantos meses. Todas aquelas horas de trabalho e sacrifício pra produzir obendito suor que pagou cada centavo daquele sonho. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small; line-height: 150%;"&gt;Era 17/09/2011. O sonho iniciaria em 26/03/2012 e seencerraria em alguma hora do dia 01/04/2010. Hoje - seis meses antes - enquantoainda sonhávamos acordados, vimos as luzes se apagarem, os tapetes vermelhosserem recolhidos, as roupas serem devolvidas ainda nos cabides, as cadeirasvestidas serem retiradas antes mesmo que os convidados pudessem sentar-se,vimos nossos possíveis oradores a discursarem sem voz alguma, vimos nossoscanudos indo embora em caixas lacradas, vimos nossos convites em papéis embranco.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small; line-height: 150%;"&gt;E cada um via mais que isso. No seu íntimo cada um de nós viaum pai e/ou uma mãe que acordava cedo, com a noite ainda em curso, sentindo agana necessária pra vencer mais um árduo dia de trabalho, lembrando do sonho deum (ou mais um) filho recebendo o diploma, descendo a rampa, dançando a valsa.Cada um via a si mesmo, em jornadas de trabalhador travestido de estagiário que,com força e com vontade ia em busca de meios necessários para realizar opróprio sonho. Cada um viu os árduos dias de até três jornadas de labor parapoder estar ali estudando, pagando e sonhando, para enfim poder estar lá –festejando, comemorando e pondo o sonho em dia!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small; line-height: 150%;"&gt;Daquele sonho de olhos bem abertos, nos quais adicionávamos eretirávamos a cada dia novos e velhos elementos, passamos a um pesadelo. Umpesadelo sombrio, imobilizante, daqueles em que quase não conseguimos noslibertar e acordar. De sonho de olhos abertos fomos, em segundos, a um pesadelode mãos (quase) atadas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small; line-height: 150%;"&gt;É bom que se diga. QUASE! De que adianta ter sonhado, teracordado cedo, trabalhado, se esforçado, dormido tarde, pra na hora certaperceber que tudo foi (apenas) um sonho?! De que vale desistir no momento emque a desistência significaria não ter lutado, não ter trabalhado, não ter seesforçado e (apenas) ter sonhado?! De que vale (apenas) lamentar que criminososlevaram nossos R$54.000,00 e que provavelmente nunca nos devolverão?! Pareceque não vale baile, não vale colação, não vale aula da saudade, não valediscurso de orador, não vale choro de emoção, não vale valsa com pessoasqueridas, não vale juramento em latim, não vale.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small; line-height: 150%;"&gt;Mais vale acreditar que cada um de nós não pode abandonar osonho do colega ao lado. Se aqueles que um dia se colocaram como osadministradores da realização desse nosso sonho resolveram nos roubar, nãopodemos nos furtar de assumirmos nosso papel de responsáveis para que não seperca o sonho do(a) nosso(a) amigo(a) de tantos anos. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small; line-height: 150%;"&gt;Roubaram nossas economias, tudo o que juntamos ao longo de 4anos e 6 meses. Mas não levaram a nossa união, a nossa capacidade de sesensibilizar com a dor do outro. Resolvemos enxugar as próprias lágrimas e irem busca de meios pra realizar o sonho da formatura de nosso colega. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small; line-height: 150%;"&gt;Somos 33 vítimas e cada um de nós parte, a partir destetriste episódio, à captura de condições para que na última semana de marçonossos 32 amigos possam ter a formatura que sempre sonharam. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small; line-height: 150%;"&gt;E se você deseja ajudar a cada um de nós a garantir aformatura de nossos amigos, contamos com a sua colaboração! &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/759979092695463892-4855283587616388968?l=visoesdeca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://visoesdeca.blogspot.com/feeds/4855283587616388968/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2011/09/ajude-o-meu-amigo-ou-o-sonho-nao-acabou.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/4855283587616388968'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/4855283587616388968'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2011/09/ajude-o-meu-amigo-ou-o-sonho-nao-acabou.html' title='Ajude o meu amigo (ou &quot;O sonho não acabou - o golpe Styllos&quot;)'/><author><name>João Pedro Pacheco Chaves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18224213722906219897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/S0amGe-F2SI/AAAAAAAAAFY/IfPYWfVErss/S220/Web+1.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-759979092695463892.post-6707571625336974253</id><published>2011-09-11T11:56:00.001-03:00</published><updated>2011-09-11T12:13:33.859-03:00</updated><title type='text'>Dançando no escuro (2000)</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: center;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-rqetqK4OzMU/TmzL9I62juI/AAAAAAAAALI/PWkWKtp1Slo/s1600/Dancando-no-Escuro.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://4.bp.blogspot.com/-rqetqK4OzMU/TmzL9I62juI/AAAAAAAAALI/PWkWKtp1Slo/s320/Dancando-no-Escuro.jpg" width="224" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;Eu não tenho (como exaustivamente digo) nenhum conhecimento acerca do cinema. O que eu sei sobre o cinema é o que sinto do cinema. E por falar em sentir, confesso ser meio duro com algumas cenas construídas impunemente. Não me comovo com melodramas óbvios, nem com pseudo problemas existenciais, muito menos com sensibilidades forjadas. Me comovo (e muito) com dores verdadeiramente dolorosas. Me comovo com crueldades, com injustiças, com torturas reais. Isso quanto à vida. E isso quanto ao cinema.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;Pois bem. Se me perguntares qual tipo de filme gosto, te respondo de imediato: de filmes reais, humanos. Não possuo grande talento pra apreciar películas formalmente &lt;i&gt;Cults&lt;/i&gt;: ainda não consegui sequer ver Bergman, nem compreender Godard da forma devida. Também não cometo a gafe de dizer "hoje eu quero um filme alegre" ou "hoje eu quero um romancinho". Não. Hoje eu quero descobrir um bom filme ou hoje eu não quero assistir a nenhum filme. &lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;Os meus bons filmes, os filmes humanos, sempre trazem estórias que refletem relações que despertam sentimentos essencialmente humanos, que se embrenham pelo mais profundo do ser (humano). De minha pouca (ou nenhuma) experiência como expectador, emergem filmes como "Réquiem para um sonho", "Mar adentro", "Na natureza selvagem", porque a meu ver conseguiram penetrar nas profundezas do ser, nas profundezas do meu ser. Trazem até nós situações tão reais e de um modo tão marcante que inevitável é não afetarem nosso estado de espírito, nossos próprios sentimentos, nossa própria humanidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;E quando eu já quase havia perdido as esperanças de encontrar (por minha absoluta incompetência) tramas desse porte me deparo com esta grandiosa obra do dinamarquês Lars Von Trier. Embora tenha nome de cineasta de arte, de grande autor &lt;i&gt;cult&lt;/i&gt; (e clássico), eu não sabia citar nem mesmo algum de seus filmes. Embalado pela recente polêmica ocorrida em Cannes - e por uma entrevista concedida à edição de agosto da Revista GQ - fui atrás de sua filmografia. Na noite anterior o sono me impediu de uma análise (e audiência) profunda de seu "Dogville" (2003). Hoje, já restaurado, parti então a "Dançando no escuro" (2000).&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;O filme nos traz a história de uma imigrante tcheca (Selma Jezkova) que vem, nos anos 60, aos Estados Unidos em busca de melhores condições e - sobretudo - na tentativa de conseguir uma cirurgia para seu filho, portador - como ela - de uma doença oftálmica degenerativa. Para tanto, trabalha incessantemente para juntar o montante necessário para pagar pelo procedimento. Paralelo a isto nos é mostrado sua paixão por musicais. A trama se amplia quando Selma é roubada por seu vizinho.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;O início da película é um tanto confuso. Von Trier nos descreve a trama aos poucos a partir dos diálogos dos personagens. A sua câmera é algo que inicialmente intriga. Sempre inconstante, filmada pelas mãos dos próprio diretor, com alguns cortes entre as ações. Interessante notar que as cenas foram rodadas na Suécia e na Dinamarca. Além disso, o diretor sequer conhecia os Estados Unidos quando fez o filme.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;O certo é que traz uma contundente crítica ao país ianque. Uma crítica à crueldade das pessoas que nos remete à crueldade da nação americana, sempre disposta a explorar aqueles que necessitam de sua (duvidosa) ajuda. Um crítica ao seu sistema jurídico, sempre pronto a condenar impiedosamente (e impunemente). Um retrato do lado mais humano das pessoas, seja através da maldade, da ganância e da crueldade. Seja através da bondade, da amizade e do amor.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;Há uma forte ligação do filme com os musicais americanos. O único momento de sonho e alegria da protagonista é quando, de fato, dança no escuro e sonha com imensos musicais nos quais canta e dança belamente. É aqui que se plenifica a atuação brilhante de Bjork - sempre intimamente presente na personagem. A atriz (ganhadora em Cannes, e que também é cantora) nos presenteia com uma atuação impecável, sempre preparada para nos atingir nos momentos em que a fotografia penetra no mais profundo de suas emoções. &lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;Talvez a fotografia incomum e a atuação brilhante de Bjork e de Catherine Deneuve (que vive uma amiga da protagonista) sejam os pontos mais impressionantes do filme. Exatamente porque nos tocam de uma maneira tão automática que nem mesmo temos tempo de nos proteger. A fotografia é tão penetrante que nos mostra os personagens de uma maneira tão sincera que as vezes é difícil lembar que aquilo tudo é uma ficção.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;E difícil escrever algo sobre o filme sem adentrar nos detalhes da trama. Como não gosto de fazê-lo, por supor que se (algum dia) alguém que não viu a película vier a me ler será vítima de uma tremenda sacanagem da minha parte, prefiro resguardar o enredo. Seguramente, posso dizer que as lágrimas são algo difícil de se segurar. A naturalidade e a verdade presentes na história e nas interpretações são tão evidentes que nos invadem e nos tocam profundamente. Um filme lindo, por ser um retrato da alma humana, da realidade humana, do ser (dito) humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Download: http://cinemacultura.com/?p=3060 &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/759979092695463892-6707571625336974253?l=visoesdeca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://visoesdeca.blogspot.com/feeds/6707571625336974253/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2011/09/dancando-no-escuro-2000.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/6707571625336974253'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/6707571625336974253'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2011/09/dancando-no-escuro-2000.html' title='Dançando no escuro (2000)'/><author><name>João Pedro Pacheco Chaves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18224213722906219897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/S0amGe-F2SI/AAAAAAAAAFY/IfPYWfVErss/S220/Web+1.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-rqetqK4OzMU/TmzL9I62juI/AAAAAAAAALI/PWkWKtp1Slo/s72-c/Dancando-no-Escuro.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-759979092695463892.post-4244165003862690225</id><published>2011-09-04T23:21:00.001-03:00</published><updated>2011-09-04T23:21:14.734-03:00</updated><title type='text'>Por que os políticos roubam?!</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os políticos roubam. Esse é um lugar mais que comum. Tornou-se uma espécie de lugar banal. Ninguém dá a mínima importância a alguém que profere estas três palavras. Tornou-se uma espécie de verbo obrigatório quando se diz o tal substantivo. Em muitos casos, este, se tornou uma espécie de qualificador, de um adjetivo negativo. Um xingamento!&lt;br /&gt;Mas este estado de coisas não deixa de nos enojar, de nos enjoar, de nos enraivecer. Mesmo sabendo de qual a consequência (quase) necessária para a existência da figura chamada "politico", ainda assim nos rebelamos (ainda que internamente) contra tudo isso. Entretanto, é crescente - sempre ante as unanimidades políticas que nos atam as mãos - a tendência a considerar tudo isso como um lugar banal, onde não adianta gritar, espernear, agir. Como se tudo isso fosse parte de um estado natural de nós serem humanos brasileiros.&lt;br /&gt;Ocorre que, diante da trivialidade das condutas descritas no Código Penal em seus arts. 157 (roubo),  158 (extorsão), 168 (apropriação indébita), 171 (estelionato), 312 (peculato), 315 (emprego irregular de verba ou renda pública), 317 (corrupção passiva), 319 (prevaricação), 321 (advocacia administrativa) 333 (corrupção ativa) - amplamente praticadas por estes sujeitos - é necessário que se investigue a motivação dos mesmos para esse imenso concurso formal e material de crimes.&lt;br /&gt;Tudo isso se resume na seguinte indagação: por que os políticos roubam?!&lt;br /&gt;Certamente não é com o mesmo intuito dos mafiosos das tramas dos desenhos animados. Estou convicto que não agem para dominar o mundo, nem mesmo para dominar o país. Não se trata meramente de uma questão de poder. Não se trata de poder mandar mais e mais, até porque muitos deles apenas buscam ser mandados por outro que detém um pouco mais de poder: muitos sonham em ser capachos!&lt;br /&gt;Também acredito que não se trata (certamente) de uma singela opção por ser do mal. Não é por causa de más índoles geradas desde a concepção, germinadas por nove meses na barriga de suas mães (sempre tratadas como as mães dos árbitros) e que explodiram no mundo desenvolvendo-se a partir de uma criança diabólica. Também, a meu ver, não se trata de crianças que desejam vingança contra todos a qualquer preço, por terem sofrido &lt;span style="font-style: italic;"&gt;bullying &lt;/span&gt;na escola.&lt;br /&gt;Por fim, acredito que a questão não é patológica. Não são como o rabino Sobel. Ainda que não tenham se submetido a minuciosa análise psicológica, psicanalítica ou psiquiátrica, acredito que não são vítimas de um estágio mais avançado da tal cleptomania. Nem de qualquer dessas síndromes hodiernas.&lt;br /&gt;Na tentativa de buscar respostas a tal interrogação, façamos uma análise comparativa do ordinário fenômeno em estudo com o moleque que bate carteira na praça e com o ladrões de banco. Estes dois - tidos banalmente como criminosos, como os verdadeiros ladrões - agem indiscriminadamente diante dos olhos de todos. Em geral, muitos ligam tais práticas ao vício pelas drogas, sendo os resultados apurados nestas condutas utilizados na aquisição de algumas gramas de entorpecimento. Já outros - talvez a maioria - os liguem simplesmente ao estado de vadiagem. Tais especialistas (ou não) os analisam como pessoas que não consideram legais as ocupações legais e que, logo, preferem as atividades não legais por pagarem melhor e por proporcionares reduzida carga horária de trabalho. Em resumo, os acusam de merecerem a alcunha de vagabundos - antes de serem bandido, é claro.&lt;br /&gt;Pois bem. Talvez desta última consideração é que venha uma possível resposta à pergunta que envolve esta divagação. Ora, ora, por que os políticos roubam?! É muito simples: para o conforto. Para o seu conforto.&lt;br /&gt;Simplesmente para que possam vestir elegantíssimos ternos. Para que seus pés calcem belos e confortáveis sapatos italianos. Para que coloquem seus ovos em macias cuecas de grife. Para que olhem a hora de nos enganar em elegantíssimos relógios de ouro. Para que assinem contratos fraudulentos com as mais deslizantes canetas de diamante. Para que recebam seus comparsas nas mais badaladas reuniões em suas mais deslumbrantes mansões ou casas de praia (ou ilhas particulares) de mais de sete dígitos. Para que acomodem-se e tenham uma viagem tranquila em confortáveis poltronas da 1ª classe ou para que nos vençam - até no trânsito - em potentes helicópteros modernos. Para que possam experimentar dos mais saborosos pratos da alta gastronomia mundial &lt;span style="font-style: italic;"&gt;in loco&lt;/span&gt;. Para que possam beber os mais envelhecidos uísques ou degustar os mais incríveis vinhos pelo mundo. Para que acordem em travesseiros de alguma pena de algum bicho em extinção. Para que se aqueçam por debaixo de lençóis de algodão egípcio, acordem vestindo imponentes roupões de seda e tomem os mais excitantes banhos em banheiras repletas de sais e adjacentes.&lt;br /&gt;Mas isso não é tudo. Talvez esta possível (e provável) motivação não contemple a todos. Uns porque não são afeitos a este mini-mundo de caros prazeres. Outros porque são dados à solidariedade e à atenção ao próximo. Aos mais próximos, é claro.&lt;br /&gt;Então podemos dizer que roubam para que suas mulheres fofoquem nos melhores salões, para que calcem e vistam as melhores grifes em seus belos (ou não) corpos tratados nas mais caras clínicas de estética e plástica e cheirem aos melhores perfumes sem ao menos ter o dever de cuidar do cardápio da semana. Para que seus filhos pilotem potentes carrões importados envenenados por uísques caros bebidos nas mais badaladas baladas mundo a fora, trajando sempre a grife da moda. Para que suas filhas frequentem o mais &lt;i&gt;high &lt;/i&gt;de toda &lt;i&gt;societe&lt;/i&gt;, aparentando serem moças sofisticadas, finas, distintas, pseudo-inteligentes, aptas a juntarem-se a qualquer família de um de seus comparsas ou apenas de um de seus clientes - mas jamais à de um de seus eleitores ou não-eleitores, apenas. Para que o nome da família se torne santo, sinônimo de prosperidade, nobreza e riqueza - tudo isso comprado numa dessas colunas que vendem glamour e visibilidade sem sabor, que chupam o ovo por algumas verdinhas. E falando em família nunca é demais lembrar o sentimento de afeto que nutrem pelos seus - pelos sobrinhos problemáticos, pelos irmãos sem caráter (e sem renda), pelos primos sem dignidade, pelos tios sem aposentos (dignos), pelos pais que tanto suaram para que se tornassem as pessoas que são - os quais - todos - sempre contemplados estão por algum vale-contra-cheque de cor laranja.&lt;br /&gt;Podemos dizer, se a motivação aqui elencada proceder, que o que os leva a roubar não é algo tão assustador assim. Eles apenas prezam pelo conforto e a comodidade dos seus. Para que desfrutem de prazeres máximos, não disponíveis a um qualquer um. No fundo eles apenas garantem um dindim a mais, em face de seu trabalho a menos.&lt;br /&gt;Mas espere um pouco. Aqueles tidos por bandido, contemplados neste texto pelos batedores de carteira e ladrões de bando, o fazem por qual motivo mesmo? &lt;br /&gt;Parece que existem boas semelhanças entre ambos. Afinal, retirar do outro para o próprio prazer lhes é algo em comum. Talvez por isso quando batedores de carteira e ladrões de banco tomam muito tempo noticiários, é que se levantam para propor endurecimento da legislação criminal. Afinal, ser igualado a indivíduos ligados a sentimentos tão pequenos não é bom pra imagem. Até porque "roubo, mas não sou ladrão".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/759979092695463892-4244165003862690225?l=visoesdeca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://visoesdeca.blogspot.com/feeds/4244165003862690225/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2011/09/por-que-os-politicos-roubam.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/4244165003862690225'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/4244165003862690225'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2011/09/por-que-os-politicos-roubam.html' title='Por que os políticos roubam?!'/><author><name>João Pedro Pacheco Chaves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18224213722906219897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/S0amGe-F2SI/AAAAAAAAAFY/IfPYWfVErss/S220/Web+1.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-759979092695463892.post-4562276946074979889</id><published>2011-07-25T00:46:00.001-03:00</published><updated>2011-07-25T00:56:20.196-03:00</updated><title type='text'>Use o sobretudo</title><content type='html'>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt; 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Mesmo nos dias demasiado quentes, é sempre necessário estar com ele ao corpo. Até mesmo quando vou a praia não dispenso o sobretudo. Mesmo que ele não seja lá muito elegante, lá estou eu de sobretudo. Ainda que eu sinta um desejo (quase) incontrolável de rasgá-lo ou queimá-lo; resisto e não o faço.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Mas esse apego e essa necessidade em tê-lo sempre à mão não se deve ao preço pelo qual o adquiri. Não se deve ao fato de talvez ter-me sido dado por uma pessoa especial. Muito menos que ele seja assinado por um grande costureiro. É simplesmente por ser necessário sempre andar vestido num sobretudo. Afinal nunca sei com quem vou cruzar pela esquina. Por isso, sempre sobretudo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;As vantagens de trajar um sobretudo são várias. Talvez a mais fundamental seja mesmo o quão elegante ficam as pessoas que andam por aí metidas numa peça dessas. Elas sempre chamam a atenção de todos. Sempre conseguem atrair todos para perto de si. São capazes de conquistar um vasto número de “amigos”, amores e amantes. Afora isso, no mínimo, torna as pessoas agradáveis. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;E tem sempre também o proveito que é não ter que mostrar a própria roupa. Assim, aqueles que não largam o sobretudo, passam ilesos pelo julgamento da moda que criam (ou copiam). De fato, um sobretudo é um excelente esconderijo: quando não mente, pelo menos omite.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Sim. Mas há que se relatar aqui algumas desvantagens. Esse “paletorzão” esquenta pra caralho. Há momentos em que suo tanto que o tiro. Pena que isso nunca passa despercebido. É certo que algumas pessoas percebem o inconveniente e me convidam (gentilmente, em geral) a retirá-lo. Mas, muitas vezes, perco a paciência e o arranco violentamente. E o pior de tudo é que isso sempre assusta as pessoas em dobro. Assusta a minha agressividade sincera em livrar-me do sobretudo. Assusta ainda mais a minha roupa de baixo (do sobretudo, é claro). &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Ainda que eu tenha aqui descrito mais vantagens, devo dizer que eu odeio o sobretudo. Eu preferiria não usá-lo, ou pelo menos não ter que usá-lo. Mas acontece que, aparentemente, as pessoas nos forçam a ser sobretudo. Elas não se contentam em que sejamos apenas democráticos e respeitosos. Elas nos cobram que sejamos sobretudo. Encurralam-nos para que falemos, pensemos, ajamos (positivamente) sobre as coisas mais desnecessárias que possam existir. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt;Mas este, certamente, não é um texto que avoque “posições antissociais”. Pelo contrário. O uso do sobretudo é algo (quase) que necessário. Eu apenas não gostaria de usá-lo com tanta frequência (ou talvez não goste nem de usá-lo mesmo). Num lugar onde não se pode trajar sua própria roupa e inventar sua própria maneira de pensar, é essencial o sobretudo. Sobretudo para conviver com pessoas, em verdade, sobrenada.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Escrito em 25/07/2010&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:trackmoves/&gt;   &lt;w:trackformatting/&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:donotpromoteqf/&gt;   &lt;w:lidthemeother&gt;PT-BR&lt;/w:LidThemeOther&gt;   &lt;w:lidthemeasian&gt;X-NONE&lt;/w:LidThemeAsian&gt;   &lt;w:lidthemecomplexscript&gt;X-NONE&lt;/w:LidThemeComplexScript&gt; 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Me instiga e me dá prazer verificar alguém que consegue se livrar de tudo que (vulgarmente) deve ser parte integrante da vida de um ser humano médio e que consegue viver sob a luz de uma causa, de uma luta, de um ideal de maneira consciente e consistente. Por isso (em alguma medida) admiro os franciscanos da Toca de Assis, os &lt;span style="font-style: italic;"&gt;hippies&lt;/span&gt;, os voluntários de toda ordem - enfim - todos aqueles que praticam o desapego ao que seja mundano.&lt;br /&gt;Pois bem. Transportei-me para os longínquos caminhos de uma estrada de chão - pertencente ao município de Campo Maior - que ao fim nos leva ao pé de uma bela serra. Ali, duas casas simples. Outras duas por construir. Uma capela igualmente simples - lembrando uma cabana (e lembrando também a casa dos daimistas do "Céu de Todos os Santos"). Uma fazenda enorme que finda nas paredes de pedra da tal serra. Criações de animais (porcos, galinhas, alguns bois, dois cavalos) e várias pequenas roças.&lt;br /&gt;Ali: Fazenda da Esperança Santa Faustina. Quando na volta pisei no solo quente de minha Teresina tive a plena certeza de que na manhã e tarde daquele domingo eu havia vivido um dia especial. Uma sensação de prazer, encantamento e contentamento me tomou a mente e o corpo. Parece-me que havia saído não só de minha cidade. Pareceu-me - ante a fluidez desses tais sentimentos - que eu havia me transportado espiritualmente. E o mais incrível é que lá o clima é de mais profundo catolicismo, emanado gratuitamente por seus moradores - e eu já me encontro afastado do catolicismo há 7 anos. Mesmo com essa diferença doutrinária, a energia incrivelmente positiva do lugar - doada a título gratuito pelas pessoas - percorreu todo o meu ser.&lt;br /&gt;São vários homens que dia a dia lutam para afastarem-se de algo aterrorizante que os atormentou por algum período. Uma escravidão sem fim que os fez agredir suas famílias, seus amores, sua própria dignidade. A vontade que despertou - em alguém naturalmente observador e curioso -  é a de entrevistar um a um para saber todo o caminho construído para barrar os tempos de voraz desconstrução. E o mais belo de tudo é verificar, ao conversar com alguns deles, que todos estão comprometidos com o mesmo sentimento: o desapego.&lt;br /&gt;Lá não há mulheres. Não há conforto. Não há nem cigarros para vencer a ansiedade. Não há também as teias sociais. Só estão lá eles e o deus deles - e também a inevitável estrada do crescimento espiritual, da reconstrução. Lá - com todos - estão as regras do lugar, a disciplina, o trabalho (por vezes duro), uma religião, livros e, incrivelmente, a esperança. Está também uma voz rouca que clama para que voltem para os becos escuros e tenebrosos que os forçaram a ir este lugar de luz e - repito - de esperança.&lt;br /&gt;Por tudo isso que não tem e por tudo aquilo que tem, é que a presença do desapego é tão marcante. Ver que o coordenador é uma garoto franzino de pouco mais de 20 anos - ex-recuperante - é outra vez sentir a clara presença do desapego. Sentir a alma em paz de alguém que até outro dia desses esteve na iminência de receber em seu ventre um espeto de churrasco deste que vos fala - apenas por esta ser a única forma de proteção de uma mãe e uma irmã ainda criança - é também uma forte expressão do desapego. Ouvir de um dos recuperantes a sua história, com todos os nove anos de cadeia em uma penitenciária de segurança máxima, todos os crimes, todo a loucura e violência de outros tempos, é um sinal imenso de desprendimento. Todos em constante abdicação de tudo que possa ser prazeroso além das cercar frágeis do lugar, simplesmente para salvarem a si e aos outros. Tudo isso por acreditar que a vida é tão superior a momentos de entorpecimento.&lt;br /&gt;Ao lado do desapego esteve fortemente um sentimento muito pessoal. Me vinham à memória os meus momentos entorpecidos, enlouquecidos. As altas madrugadas em locais inóspitos, em contato com a escravidão de um prazer fútil e repugnante. As mentiras contadas, a confiança  depositada em mim e cuspida por mim. Todos os fatos, atos e efeitos de atitudes impensadamente tortuosas.&lt;br /&gt;Um dia a ser repetido uma vez ao mês. E pensar que outros compromissos me impediram de sentir essa pulsação convicta da vida - por quatro vezes - por puro desleixo.&lt;br /&gt;E o mais emocionante foi a comemoração do aniversário de dois recuperantes. O sorriso das famílias com a vitória e a reconstrução conquistada dia a dia. As palavra de fé transmitidas e a confiança na vitória. O repassar do amor e da fraternidade. Impossível conter as lágrimas e o nó na garganta.&lt;br /&gt;Pena é não poder trazer aqui à colação tudo o que este dia me possibilitou. Toda a emoção. Toda verdade. Uma lembrança pra vida inteira. A ser construída mais um pouco no mês que vem.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/759979092695463892-856884961046245599?l=visoesdeca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://visoesdeca.blogspot.com/feeds/856884961046245599/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2011/07/um-domingo-de-esperanca.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/856884961046245599'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/856884961046245599'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2011/07/um-domingo-de-esperanca.html' title='Um domingo de esperança'/><author><name>João Pedro Pacheco Chaves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18224213722906219897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/S0amGe-F2SI/AAAAAAAAAFY/IfPYWfVErss/S220/Web+1.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-759979092695463892.post-904960808915694429</id><published>2011-06-30T23:08:00.003-03:00</published><updated>2011-07-01T00:28:30.065-03:00</updated><title type='text'>É preciso mais que tempo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aquele esquema respostas pro que se foi e perguntas pro que virá sempre desperta divagações sobre tempo. Sim. Em parte sobre presente. Também sobre passado. E, essencialmente, sobre o futuro.&lt;br /&gt;Divagando vejo que o tempo já não mais basta. Já não mais dá sentido a construções (em parte inócuas) sobre a temporalidade da existência. Já não ampara convicções movediças sobre mudanças, crescimentos, conquistas.&lt;br /&gt;Hoje - e esta uma medida especialmente agora fugaz (como adiante se verá - ou não) - já não faz sentido às próprias ilusões. Necessário se faz pesar fatos vindos, vindouros ou vividos sob o prisma de uma espécie de tempo que talvez nem mesmo exista. E a concretude de seu existir - inevitavelmente - decorrerá do próprio desenrolar do tempo (digamos) comum.&lt;br /&gt;Em meio a esta confusão (pseudo)conceitual é possível simplificar e tornar claro a olhos que não veem na obscuridade.&lt;br /&gt;É simples. O passado é distante. Está como lembrança vaga. Exatamente por não ter sido construído em tempo recente (e aqui o tempo [possivelmente] dito comum), tudo aquilo ocorrido ontem parece ter sido presente há um sem-número de anos. E isso devido ao fato de o próprio presente ter sido a tônica de um existir imediatista, ansioso. Tal qual como se o porvir estivesse tão distante que as horas, os dias e os meses não pusessem medir tal distância temporal.&lt;br /&gt;Foram anos de atitudes que a partir de hoje vê-se-as como impensadas, insensatas, incompletas, inconsequentes. E mesmo depois do assentamento das ideias - em alguma medida - os atos  ainda foram (ou são - impossível saber-se) detentores desses tais qualificantes.&lt;br /&gt;O presente parece - desde este tal assentamento - ser o único tempo palpável, na exata medida de que é uma realidade presumível - em termos. Dá pra vislumbrar muito de suas características e de seu comportamento (ou do que nele é expressado). Parece-me um momento - meio perpétuo - que se alarga até o passado e que avança sobre o que é futuro. Uma construção atemporal de um existir que evolui (ou que simplesmente se altera) silenciosamente, em bases aparentemente sólidas, sem alarde. E talvez aí uma das explicações para essa predominância inconteste do presente: o futuro silencioso surge pelas frestas e o passado ao longe é como a tal paisagem que divide terra e céu.&lt;br /&gt;E em meio a esta confusão de tempos verbais os sonhos (e por que não planos?!) não são tão exíguos assim. São pulsantes. Um presente tão silente e escorregadio que traz ares novos que penetram por fendas ínfimas e que dá uma concretude ao que pode vir a ser e faz do futuro - como dito - algo sim distante, mas acima de tudo possível.&lt;br /&gt;E nesse esquecimento (ou mesmo nessa incontinência) reside uma espécie de estranha confiança. Surgem novas possibilidades (ainda que mais ou menos perigosas), novas formas de ver, novos formatos. Um novo andar temporal - que nem mesmo cabe no tempo (supostamente) comum. Vai sumindo a pressa, a inquietação pela resolução, a sede por troféus, a ânsia por um rosto em bronze - que naturalmente se desbotará ou receberá excrementos vindos dos céus. Vai surgindo lentamente uma curiosa letargia ativa. Um fazer efetivo, porém manso. Um correr na velocidade das ideias. Na verdade, é bem que se diga, um existir imparcial. Um fechar os olhos para a confusão do mundo, para as poses, para as posses alheias. Talvez seja mesmo a própria desilusão para aqueles que aparentam e que heroizam-se impunemente. Um existir autêntico, preguiçoso e reflexivo. E reflexões sempre remetem a ações.&lt;br /&gt;Em algum dado momento é preciso decidir. E nesse instante o tempo sopesa-nos. Nos deixa perplexos com a obrigatoriedade. Decerto não cabe fixar-se na coisa em si. É preciso uma dose de ousadia para tomar o rumo desejado - seja o correto, seja o prazeroso, seja lá o que venha a ser. E no meio daqueles que se entregam à polivalência o tempo se agiganta (ou se apequena).&lt;br /&gt;E é aí que está o mote destas divagações desconexas. São tantos os caminhos - percorridos e a percorrer - que o tempo torna-se pequeno pra que possam ser inseridas as opções tomadas. Presente será até quando o futuro for construído. As viradas (ou os sutis desvios) de sentido farão do passado horizonte por demais distante. O tempo já não cabe no tempo. A existência pede: "É preciso mais que tempo".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/759979092695463892-904960808915694429?l=visoesdeca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://visoesdeca.blogspot.com/feeds/904960808915694429/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2011/06/e-preciso-mais-que-tempo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/904960808915694429'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/904960808915694429'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2011/06/e-preciso-mais-que-tempo.html' title='É preciso mais que tempo'/><author><name>João Pedro Pacheco Chaves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18224213722906219897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/S0amGe-F2SI/AAAAAAAAAFY/IfPYWfVErss/S220/Web+1.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-759979092695463892.post-2952647178712888935</id><published>2011-05-16T23:18:00.005-03:00</published><updated>2011-05-20T20:09:42.108-03:00</updated><title type='text'>Lobão: 50 anos a mil (2010) - Lobão com Cláudio Tognolli</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-Vs1wkM7tADE/TdbyFrc36XI/AAAAAAAAALA/_6NklbRzIGA/s1600/capa-50-anos-a-mil.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 240px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-Vs1wkM7tADE/TdbyFrc36XI/AAAAAAAAALA/_6NklbRzIGA/s320/capa-50-anos-a-mil.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5608936565313628530" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Passava eu pela banca de revistas da esquina de meu apartamento quando dou de cara com uma revista de formato diferenciado. Meio que quadrada, acompanhada de um CD. Muito provavelmente, na ocasião, eu devia contar apenas com alguma mesada por gastar com coisa alguma. Na caçada em busca de saciar a sede consumista resolvi parar e apreciar aquele material com mais atenção. O preço que constava era o de R$ 7,90. Comprei e corri pra casa para ouvir aquele CD e, enfim, apreciar o material com a devida atenção.&lt;br /&gt;O acontecido deve datar aproximadamente do ano 2000. O fato é que naquele instante eu não sabia ao certo quem era Lobão. Sabia tudo aquilo que todos os pré-adolescentes da minha idade que se sentiam filhos caçulas e órfãos dos anos 80 sabiam. Sabia até menos do que o pouco que sabia sobre Renato Russo, Cazuza, Barão, Legião. Eu só sabia que ele era um cara dos anos 80. Do rock Brasil. Devia conhecer Me Chama, Corações Psicodélicos. Nada mais.&lt;br /&gt;Começo a ouvi-lo e vou digerindo e processando aquelas canções. Com o evoluir das audições vou separando algumas e colocando outras na ordem de outros dias por vir. De imediato me arrebatam "El desdichado II", "Pra onde você vai", "Tão longe, tão perto", "A vida é doce". Com o passar de muitas audições "Vou te levar" também a mim me serve como prova (e celebração) de um amor. "Ipanema no ar", "Uma delicada forma de calor" e "Mais uma vez" também me arrebatam - sobretudo pelo clima anti-pressão que proporcionam, pela sensibilidade que trazem em si para nós.&lt;br /&gt;Pois bem. Passados mais de (longos e velozes) 11 anos cá estou eu pra dizer que ainda não conheço toda a discografia de Lobão. Conheço um pouco mais de sua obra. Estou um pouco menos pouco amadurecido pra entender as letras, os arranjos, a obra e a vida de meu xará - e foi assim que lhe pedi que me autografasse este livro. Aquele dia seria a primeira vez que eu veria um show de Lobão. Muito embora há muitos anos ele houvesse vindo tocar naquele mesmo palco, por coincidência. E, por óbvio, minha mãe não tenha deixado eu ir - no auge dos meus 12 ou 13 anos.&lt;br /&gt;Eu entrei na livraria pra ver se o cara realmente viria autografar os livros. Como o vi na TV ao meio-dia fui comprar meu ingresso - houve um tal de cancela e não cancela o tão esperado show que deixou todos apreensivos. Pra sorte e felicidade geral da nação houve o show. Após isso me dirigi até o local marcado da tarde de autógrafos. Ele ainda não havia chegado e pra saciar a minha louca vontade de gastar algum salário que eu acabara de receber passei a obra no débito. E enquanto eu passava meu cartão, Lobão entra na livraria. Bom, o resto foram autógrafos, observações, um esquenta incrivelmente quente e um show arrebatador.&lt;br /&gt;A leitura da obra permite um olhar mais aproximado de toda a geração 80, sob os olhos de alguém que foi o centro de muitas grandes polêmicas na época. Mais uma vez trago até aqui a relevante (ao menos pra mim) ligação que sempre faço entre início e fim - como fiz ao ler a vida de Elis, de D2 e, estranhamente, a de Sarney. Mas aqui o fato de o biografado trazer a sua visão de sua própria existência não deixa de ser um desafio ao leitor que busca pesar a verdade dos fatos. Ao largo disto, preferi mergulhar na versão do autor - sem uma paranoia elucidativa.&lt;br /&gt;E do mergulho pude perceber fatos que pareciam a mim inexistentes. Eu sabia que Lobão era um cara tido (vulgarmente) por um porra louca, que havia sido preso, que na infância teve essa coisa com a macumba, que brigou com as gravadoras por causa do jabá e todas essas coisas mais ou menos de conhecimento geral. Entretanto, Lobão leu muito, ouviu muito, debateu muito, assistiu muito - ainda que não tenha concluído o ensino médio. Uma prova viva de pura ousadia - doa o que tenha doído nele mesmo.&lt;br /&gt;E quando volto à minha incessante mania de ligar início e fim posso perceber quão curiosa é esta ligação na vida de Lobão. De uma infância tipo filhinho da mamãe, passando por uma juventude intensa, rebelde e completamente entorpecida, até desaguar num homem contestador, polêmico e, (porquê omitir?), verdadeiro. A leitura da obra é tão intensa e instigante que quando percebemos João já é Lobão e nem nos damos conta disto.&lt;br /&gt;Por falar em ritmo, este é um aspecto bem peculiar da obra. Dividido em exatos 66 capítulos. Um momento: isso me lembra a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Route 66&lt;/span&gt;. A famosa rodovia estadunidense que corta o país inteiro, construída para interligar pontos tidos como aparentemente isolados e inóspitos e detentora de uma tal névoa histórica e artística. De algum modo, os capítulos em que Lobão percorre ligam vários pontos de sua conturbada e propagandeada (para o bem ou para o mal) existência. Da, como já dita, infância mimada, aos conflitos familiares, passando pelo início de sua carreira, pelas inacreditáveis carreiras, pelos famosos embates - Blitz, Paralamas, perseguições, prisão,  gravadoras, jabá, numeração - pelo "ostracismo", pelo "renascimento", até chegarmos à multiprofusão de sua carreira. São vários pontos que vão se interligando ao longo das quase 600 páginas que, ao fim, olhamos para trás e vemos uma estrada percorrida feroz e velozmente - também por nós. Lobão romanceia sua vida e nos conta intimamente, sem rodeios, metáforas ou eufemismos, aspectos essenciais de sua existência.&lt;br /&gt;Para aqueles que louvam qualquer paranoia elucidativa há na obra capítulos, embrenhados por entre aqueles escritos pelo biografado, denominados "Lobão na mídia" nos quais o jornalista Cláudio Tognolli traz a repercussão, à época, decorrente dos fatos narrados nos capítulos escritos por Lobão. Me parece um cuidado bastante relevante, haja vista a enxurrada de controvérsias alimentadas por todos os lados contra o xará.&lt;br /&gt;Da leitura podemos, verdadeiramente, identificar um artista nato em João Luiz Woerdenbag Filho. Primeiramente um músico. Multi-instrumentista autodidata que passeia confortavelmente pelo repertório clássico, pelo rock, pelo vasto campo aberto da MPB, pelo samba. Some-se as letras incríveis - sejam hits sejam outras, nem tanto famosas.&lt;br /&gt;Os mais belos capítulos, a meu ver, se iniciam a partir do 59, quando Lobão sai de vez de sua fase vida bandida e adentra em um novo espírito - mais maduro, mais artístico - uma concreta reinvenção de sua carreira. Aqui aparecem &lt;span style="font-style: italic;"&gt;samplers&lt;/span&gt;, elementos eletrônicos, elementos melódicos, pianos, letras mais profundas. A beleza desta etapa do livro (e da vida) emerge do renascimento do artista de uma espécie de ostracismo forçado, em meio a dificuldades de todas as ordens, em meio ao sepultamento de sua arte praticado por muitos, em meio à sua confusão e angústia. Mas Lobão se reconstrói e volta à superfície arrebatador. E é justo aí que entro em profundo contato com sua obra. É neste contexto que Lobão lança o disco "A vida é doce", aquele que comprei há 10 anos na banca de revistas e ao qual me referi logo ali acima. Eu devia tê-lo dito isto quando da tarde de autógrafos, mas por um motivo qualquer não o fiz.&lt;br /&gt;Um livro lido, inevitavelmente, em um fôlego só. Ao final, entrevistas de pessoas próximas. O epílogo. Interessante perceber que esta não é uma opinião apenas minha, ou pelo menos os números de venda e a posição entre os mais vendidos da Veja (justo da Veja, que ironia) reflitam isto. Mais interessante é perceber o sucesso da obra de Lobão, ainda que seja acometido pela pecha da incompreensão e de um certo estereótipo, são dezenas de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;hits &lt;/span&gt;(na concepção mais distante da expressão mais vulgar do termo) - um deles (um rock) gravado por João Gilberto -, músicas belíssimas com letras contundentes, um recente Grammy em seu primeiro DVD - quando muitos insistiam em apagar as luzes de seu palco -, além de ser um dos responsáveis pelo lançamento nacional de várias bandas independentes (dentre elas o Mombojó). Agora Lobão ataca com o sucesso de sua obra literária inaugural.&lt;br /&gt;Belíssimo livro. Envolvente. Real. Verdadeiro. Humano, acima de tudo, "demasiadamente humano". Vida longa a João Luiz. Vida longa a Lobão. Vida longa à sua carreira como artista: seja na música, seja nos livros.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/759979092695463892-2952647178712888935?l=visoesdeca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://visoesdeca.blogspot.com/feeds/2952647178712888935/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2011/05/passava-eu-pela-banca-de-revistas-da.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/2952647178712888935'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/2952647178712888935'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2011/05/passava-eu-pela-banca-de-revistas-da.html' title='Lobão: 50 anos a mil (2010) - Lobão com Cláudio Tognolli'/><author><name>João Pedro Pacheco Chaves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18224213722906219897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/S0amGe-F2SI/AAAAAAAAAFY/IfPYWfVErss/S220/Web+1.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-Vs1wkM7tADE/TdbyFrc36XI/AAAAAAAAALA/_6NklbRzIGA/s72-c/capa-50-anos-a-mil.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-759979092695463892.post-1133315815375496550</id><published>2011-05-16T01:15:00.009-03:00</published><updated>2011-05-17T09:23:36.372-03:00</updated><title type='text'>Validuaté</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-Vv6MikjzZvI/TdHWNpSdz5I/AAAAAAAAAKw/RdX9UBYhTFg/s1600/vali.jpg"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center; cursor: pointer; width: 398px; height: 141px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-Vv6MikjzZvI/TdHWNpSdz5I/AAAAAAAAAKw/RdX9UBYhTFg/s320/vali.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5607498540962926482" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Singeleza. A simplicidade existencial é algo por demais fascinante. Sempre perseguida, ainda que muito involuntariamente, por aqueles que "sacam" a vida. E é sempre uma linha estreita, escorregadia e tênue. Há sempre o (grande) risco de que caiamos ou pendamos para um lado ou para o outro. Ou se acaba buscando isso de uma forma propositada e doentia. Ou se acaba esquecendo da própria existência e (involuntariamente) tornando-se um nada existencial. No primeiro caso, a natural consequência é a construção de uma personalidade forjada, de um singelo retrato impresso - e não algum desenhado, rabiscado. No segundo caso, o resultado é um verdadeiro barco a deriva - sem governo, sem vontade, sem algum rumo.&lt;br /&gt;E é justo aí que habita a maior das virtudes da verdadeira singeleza existencial: a ausência de poses. Ou a não caracterização do que modernamente se convencionou chamar de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;fake&lt;/span&gt;. Aquele que cultiva (em muito, despretensiosamente - repita-se) o caráter singelo de sua existência acaba por adquirir naturalidade, espontaneidade, leveza. Se despe de atos forjados, de palavras repetidas, de comportamentos (banalmente) tipificados, de fórmulas fajutas de uma tal atitude imaginariamente contundente. De modo bastante simplificado, o singelo existencial não pronuncia o baixo calão impunemente, não coça as partes sem que as mesmas lho implorem, não apologiza ideias (pseudo) revolucionárias pra mostrar do que (acredita, apenas) ser capaz, não se nomeia, não se define. Apenas existe, verdadeira e naturalmente.&lt;br /&gt;Pois bem. A meu ver, o valor artístico dos mais interessantes em uma obra é, certamente, a singeleza existencial. Seja decorrente da própria arte produzida, seja do comportamento reflexamente produzido pela própria expressão do artista. E estes rapazes a mim se mostram desta maneira bastante interessante. São cinco, dentre músicos e/ou poetas, que se unem e, juntos, produzem uma arte existencialmente singela sob a expressiva alcunha de Validuaté.&lt;br /&gt;A parte do que venha a verdadeiramente significar o verbete singelo é bom que se esclareça que uma provável existência de uma tal singeleza intelectual em nada vem a significar aqui algo como ser simplista, ser pouco, beirar o quase nada. A tal singeleza é expressão natural, é verdade, é beleza implícita, é reflexo espontâneo. É aquilo, de fato, belo, admirável.&lt;br /&gt;Exalando poesia, mesclando estilos, imergindo pelo mágico mundo do teatro o grupo vai encantando um público fiel, autêntico e presente. Com letras que trazem toda uma aura de pura poesia - para a qual eu não tenho subsídios pra academicamente denominá-la - que perseguem sonhos, fábulas, amores, encontros, desencontros e, no fundo, alegrias. A acompanhar tais versos nos saúdam riffs, acordes e harmonias precisos, criativos, musicalmente interessantes. Não nos fazem uma tal mistura que resta indigesta, forçada, imposta. Casam estilos - samba, rock, reggae, baião etc e tal - de uma forma tão sólida que não nos parece haver ali embrenhados estilos distintos, mas apenas um som diverso, novo, inédito. E dessa união de estilos com a tal poesia emergem apresentações verdadeiramente teatrais, com personagens que transpiram das situações das letras.&lt;br /&gt;Nos envolve um tal clima de fantasia, as canções parecem nos transportar para algum lugar qualquer belo, inédito, próprio. E o mais interessante é a singeleza do grupo, sem excessos, sem representações que não sejam verdadeiramente artísticas. São sete anos de construção de uma carreira extremamente bem sucedida, com shows inteiramente autorais (salvo regravações - sim, regravações, e não &lt;span style="font-style: italic;"&gt;couvers&lt;/span&gt;) e dois discos gravados.&lt;br /&gt;O primeiro "Pelos pátios partidos em festa" (2008) e o mais recente "Alegria a girar" (2009). No primeiro trabalho, a meu ver, talvez um disco mais rock com canções que percorrem temas amorosos, temas filosóficos e a expressão da vida em geral - junto ou separadamente. O segundo me parece mais experimental, com auxílios luxuosos de Lirinha, Zéu Britto, o Wolverine brasileiro, Ferreira Gullar, nos traz músicas mais ousadas, letras mais poéticas, mais envolvente, arranjos mais intensos. Um raro caso de uma banda que lança dois discos de extrema qualidade seguidamente, em que nenhum deixa o outro pra trás.&lt;br /&gt;Enfim, pra muitos estas palavras são a concepção do óbvio - dado a natural expressão do talento artístico da Banda Validuaté e a imediata observação disto ao menor dos contatos. Entretanto, sinto-me no dever de alguma forma aproximar minhas palavras deste grupo que produz uma arte intensa e sólida, sem a presença infantil de bairrismos desnecessários ou de posições assustadoramente (e não menos lamentáveis) revolucionárias. O mote é produzir arte - é música, é teatro, é poesia.&lt;br /&gt;Sinto-me no privilégio de poder escrever alguns parágrafos em expressão ao valor artístico que pude (e que sempre posso) perceber em diversas oportunidades. São apresentações incríveis. A plena expressão de uma singeleza artística delicada e verdadeira. Sinto que o Brasil os espera, ainda que nossa posição não seja das mais favoráveis a tal (seja pelas mazelas político-sociais, pela posição geográfica, por um preconceito que porventura exista). E sinto um orgulho danado de poder prestigiar a crescimento artístico deste grupo válido até um infinito.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/759979092695463892-1133315815375496550?l=visoesdeca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://visoesdeca.blogspot.com/feeds/1133315815375496550/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2011/05/validuate.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/1133315815375496550'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/1133315815375496550'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2011/05/validuate.html' title='Validuaté'/><author><name>João Pedro Pacheco Chaves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18224213722906219897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/S0amGe-F2SI/AAAAAAAAAFY/IfPYWfVErss/S220/Web+1.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-Vv6MikjzZvI/TdHWNpSdz5I/AAAAAAAAAKw/RdX9UBYhTFg/s72-c/vali.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-759979092695463892.post-4926824762554790250</id><published>2011-05-08T19:12:00.003-03:00</published><updated>2011-05-08T21:09:44.390-03:00</updated><title type='text'>"Mulher sem razão"</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ultimamente, em tempos de plena expressão do lado voluntarioso, tenho recebido algumas contundentes lições de disciplina. Sim. Assim como a pressa é inimiga da perfeição, o voluntariosismo é inimigo (mortal) da disciplina. Passei (até agora) boa parte da vida sem saber que tal palavra existia. Muito menos sabia o que significava. Venho a descobrir, em uma das conversas mais importantes da minha (curta) existência - exatamente pelo diagnóstico e por me dar consciência integral de tudo aquilo que eu até mesmo já via - o que o verbete quer dizer (e que pode ser dito).&lt;br /&gt;Desde então (e desde sempre) tenho travado uma batalha campal entre esses polos, buscando dosá-los, buscando manter em equilíbrio as heranças genéticas. Muitas vezes (como agora), infelizmente, não consigo harmonizá-los - e quase sempre me vence o tal lado indisciplinado (e essencialmente hedonista, mesmo quando meramente masoquista).&lt;br /&gt;Pois bem. Nestas situações - cotidianas, há muito - me pego em meio a diversos instantes que se apresentam como lições plenas. São momentos que refletem o poder e o valor da disciplina. São amostras de quão frutífera pode ser a árvore cultivada (e cultuada) com disciplina, afinco, parcimônia. A falta disto aí, certamente, vem de uma tal personalidade um tanto anárquica, independente, pseudo-autodidata. De um desejo de seguir embriagadamente que um dia se instalou e não mais sentiu-se a vontade para partir. A isto, some-se a ojeriza a ordens, obrigações obrigatórias, mecanicidade. Um reflexo do (insano) desejo de fundir sonho e realidade.&lt;br /&gt;E, talvez, a maior das lições me tenha sido dada ao longo de meus curtos 23 anos. Desde a concepção tenho a honra de testemunhar a disciplina sobrenatural daquela que me trouxe a este tal mundo. Do esquecimento de si à substituição pela prole. Da entrega infinita às crias à briga por garantias de dignas condições de sobrevivência a estas e pela luta incessante para que pudessem um dia viverem no meio desta selva em que todos aportamos. Da busca por soluções efetivas ao desvencilhamento das armadilhas dos dias. Enfim, por algo que jamais conseguiremos expressar em palavras, estas tem sido as aulas que mais me ensinaram ao longo da vida. Sobretudo após as mais recentes, às quais me mostram de modo definitivo os frutos a serem colhidos segundo as técnicas acima referidas. Aclare-se que estas tais tem sido do tipo experimental (como as de laboratório, por exemplo), nas quais o mestre nos mostra em concreto o que ocorre em determinado experimento. E com isso, tem-se as mais imponentes lições de disciplina em que podem ser vistos os resultados, as consequências, a relevância disto (disciplina) que (aparentemente) parece ser algo por demais tortuoso e brochante.&lt;br /&gt;E quanto estava eu a tentar socar tais ensinamentos nesta minha pobre cabeça (por demais) dura, eis que me aparece um outra lição, bastante recreativa, assevere-se. Passaram-se 360 dias, dos quais, em pelo menos 300 eu estive a disparar violentamente (e, em muito, despretensiosamente) todas as munições do meu (incerto) arsenal numa direção, digamos, bastante interessante - que se mostrava cada vez mais interessada. Entretanto, no momento da despedida do cotidiano, verifiquei em meu mapa da mina a possibilidade de perder (de vista) a mina. Preparei o aparente último dos disparos e... a direção desviou.&lt;br /&gt;Com as armas devidamente em posição de descanso, eis que surges. Despretensiosamente, muito interessada em longas caminhadas, em companhias recíprocas, te aproximas e abre espaço para a flechada certeira.&lt;br /&gt;Lá vamos nós. Ou lá vem você vindo. Partimos. Comemos. Sorrimos. Conversamos longamente sobre os aspectos mais variados de nossos cotidianos. E retornamos. E lá me vem você com aulas de disciplina e obstinação. Logo eu que sempre prezei (digamos) pela verdade, para que não percamos tempo com colocação de doces, bancas, bonecos e afins. Mas, por algum motivo, resgatei um tal afinco que há muito estava guardado lá nas profundezas. E após longas negociações chegamos ao (por nós desde o princípio) desejado consenso.&lt;br /&gt;"Quem diria". Ora quem diria, mulher sem razão! Todos disseram.&lt;br /&gt;Perdoe-me pelo tom armístico de alguns momentos, isso foi apenas pra expressar esse seu lado sorridente e "engraçadinho".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ao fim deste texto - naturalmente confuso e desprestigiado de coesão - pra não perder de vista a leveza dos ditos finais, só posso dizer que a perseguição rumo à disciplina de outrora continua.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/759979092695463892-4926824762554790250?l=visoesdeca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://visoesdeca.blogspot.com/feeds/4926824762554790250/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2011/05/mulher-sem-razao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/4926824762554790250'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/4926824762554790250'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2011/05/mulher-sem-razao.html' title='&quot;Mulher sem razão&quot;'/><author><name>João Pedro Pacheco Chaves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18224213722906219897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/S0amGe-F2SI/AAAAAAAAAFY/IfPYWfVErss/S220/Web+1.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-759979092695463892.post-8753233412307266066</id><published>2011-04-24T22:09:00.003-03:00</published><updated>2011-04-25T00:18:12.972-03:00</updated><title type='text'>Os Subterrâneos (1958) - Jack Kerouac</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-B89EZwMdUBo/TbTZpTRte_I/AAAAAAAAAKo/aVKe1I1kBn0/s1600/imgThumb.php.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 195px; height: 320px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-B89EZwMdUBo/TbTZpTRte_I/AAAAAAAAAKo/aVKe1I1kBn0/s320/imgThumb.php.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5599339540300790770" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Ao contrário do que possam achar ou mesmo do que possa parecer, sinto uma ligação forte com a literatura de Jack Kerouac. E por aqui, esta, não é nenhuma novidade. Ainda que eu não use roupas apropriadas, ainda que eu não haja de maneira apropriada, ainda que eu não fale da maneira combinada, ainda mesmo que eu não habite os espaços apropriados e ainda que de longe eu não pareça um sujeito apropriado, sinto (em concreto) muitos daqueles sentimentos expressados na narrativa de Kerouac. No caos de minha solidão encontro conforto lá. A ousadia de sua escrita, a verdade imanente, a expressão dos sentimentos em sua mente, as ponderações íntimas, a transcrição das sensações vividas. Uma tal vida que parece ser escrita em paralelo às ações, como se não pudéssemos antever quem veio primeiro: o ovo ou tal galinha. E tudo isso é tão mais real quando assimilado ao &lt;span style="font-style: italic;"&gt;bebop &lt;/span&gt;acelerado, visceral, virtuoso. Aquelas longas frases que correm várias linhas parecem acompanhar os improvisos loucos e improváveis vindos do piano, do trompete, do trombone e da segurança do baixo. Minha própria descoberta do som incrível de Parker, Monk, Dizzy e Miles Davis vem de "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;On the Road&lt;/span&gt;" e das incessantes referencias ao &lt;span style="font-style: italic;"&gt;bop&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;Em "Viajante Solitário" a solidão e as reflexões tornam-se mais marcantes, visto que na obra mais famosa Jack está sempre em busca de amigos que se espalham por boa parte do território ianque. "Satori em Paris" e "Tristessa" se mostram mais "confusos". Ou pelo menos o primeiro o seja. Já que o segundo parece se achar (ou pelo menos consegui me achar) do meio pro fim. Em todos há sempre um ponto de tangência (ou vários deles) entre a realidade advinda da narrativa e a minha própria existência. Como tenho dito: narrativa e reflexões são meus pontos comuns (em alguma medida) e os espaços de maior admiração.&lt;br /&gt;Agora, em "Os subterrâneos" - e um colega me perguntou ao ver a capa e o título se se tratava dos famosos (e valorosos) mineiros do Chile - Jack (que é Leo Percipied) nos leva até sua paixão por Mardou - uma jovem negra integrante do grupo de amigos homônimo ao livro. De antemão esclareço que a referência à cor da pele da moça não traz em si nenhum conteúdo discriminatório (no sentido do preconceito racial). A referência é apenas (relevante) devido ao contexto: Estados Unidos, anos 50-60. Espero ter alcançado a clareza.&lt;br /&gt;A obra inicia-se com a descrição do grupo e pela explicação quanto à alcunha que possuem. Em pouco tempo Jack passa a descrever sua aproximação e sua admiração inicial por Mardou. Ao longo do livro vamos mergulhando pelo cotidiano dos subterrâneos e pela vida (quase conjugal) do casal Leo-Mardou - nesse caso pelo ponto de vista do próprio Leo. As dificuldades de relacionamento e de iniciais contatos, as dúvidas do cara sobre a solidez a que o enlace poderia/deveria chegar. Entretanto, com o desenrolar dos dias, os dois vão ficando mais próximos e aí novas reflexões - futuro, preconceitos, terceiros, farras homéricas (e suas consequências). É bem interessante o encontro frequente com os mais variados amigos: poetas, escritores, fotógrafos, intelectuais, enfim, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;beats&lt;/span&gt;. Aparecem no livro os ali citados Monk e Charlie Bird Parker - e a inveja por aquele momento toma conta de todo o ser do leitor.&lt;br /&gt;É bem agradável esse passeio pela São Francisco subterrânea. Repleta das figuras mais improváveis, pelos encontros mais festivos e mais bêbados que se possa imaginar. As reflexões sentimentais e o acompanhamento tão próximo da relação que Mardou e Leo vão construindo são um ponto alto - assim como todas as consequências da louca vida dos dois aí. A mesma prosa (a mim) incrível.&lt;br /&gt;O interessante foi o salto de Saramago para Kerouac. De início me senti meio perdido e pude perceber algo bem interessante. Ambos nasceram no mesmo ano. Eu sinto em ambos a mesma anarquia narrativa. Longas frases, longos parágrafos, o completo repúdio a uma escrita de cartilha (com pontos, vírgulas e travessões nos seus devidos lugares). E apesar de pertencerem a extremos ideológicos bem distintos (o primeiro é um senhor de sabedoria incontestável e sutil contestador e  o segundo um jovem aventureiro que aprende de sabedoria na sutil  contestação da vida tida por comum - embora ambos nascidos em 22)  guardo por ambos a máxima admiração todos (os poucos) escritores que li.&lt;br /&gt;Coloco a obra na terceira posição das obras já lidas de Kerouac. A mim não tem o mesmo vigor reflexivo e a mesma linha narrativa firme de "On the Road" e de "Viajante Solitário", entretanto a coisa dos sentimentos amorosos e da relação com a moça dão ao livro um retrato mais preciso e mais íntimo do autor. É interessante notar que esta é a primeira dentre as lidas em que Jack mantém os pés plantados em um só lugar.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/759979092695463892-8753233412307266066?l=visoesdeca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://visoesdeca.blogspot.com/feeds/8753233412307266066/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2011/04/os-subterraneos-1958-jack-kerouac.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/8753233412307266066'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/8753233412307266066'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2011/04/os-subterraneos-1958-jack-kerouac.html' title='Os Subterrâneos (1958) - Jack Kerouac'/><author><name>João Pedro Pacheco Chaves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18224213722906219897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/S0amGe-F2SI/AAAAAAAAAFY/IfPYWfVErss/S220/Web+1.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-B89EZwMdUBo/TbTZpTRte_I/AAAAAAAAAKo/aVKe1I1kBn0/s72-c/imgThumb.php.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-759979092695463892.post-8085264541832246755</id><published>2011-04-21T22:40:00.006-03:00</published><updated>2011-04-22T00:15:24.382-03:00</updated><title type='text'>Fabricando Tom Zé (2008)</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-9HuNXzmi0vQ/TbDypKIMG-I/AAAAAAAAAKg/F0PeYVT4g3M/s1600/fabricando-tom-ze-poster02.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 233px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-9HuNXzmi0vQ/TbDypKIMG-I/AAAAAAAAAKg/F0PeYVT4g3M/s320/fabricando-tom-ze-poster02.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5598241125728787426" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Ficha Técnica:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Título: Fabricando Tom Zé&lt;br /&gt;Gênero: Documentário&lt;br /&gt;Ano: 2008&lt;br /&gt;Origem: Brasil&lt;br /&gt;Direção: Décio Matos Jr.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinopse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Documentário que retrata a vida e a obra de um dos mais controversos Tropicalistas, cujo fio condutor é sua turnê pela Europa em 2005. O filme retrata diferentes formatos de vídeo, película e animação para mostrar uma detalhada visão do universo musical de Tom Zé, para o qual um baixo e um esmeril tem a mesma importância melódica. O filme conta com entrevistas de Gilberto Gil, Caetano Veloso, David Byrne e outros.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Visão de Cá:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A verdade extraível das palavras de Tom Zé fazem do filme um diálogo (verdadeiramente) de almas. É com naturalidade que podemos mergulhar na personalidade que abriga este artista por demais ímpar e inventivo. E, assim como sua capacidade de mesclar os mais diferentes elementos artísticos, somos (bruscamente) convidados a experimentar os mais diversos sentimentos ao longo do itinerário intocável que o DOC trilha. Alegria, saudade, espanto, tristeza, fracasso, orgulho, amor, respeito. Percorremos, simultaneamente, o obra, a carreira e a vida de Tom Zé através de sua sinceridade e honestidade e através do olhar de amigos, de críticos de arte, de colegas. Guardo, como os mais belos pontos do filme, dois momentos: o do ressurgimento - e da crítica feita por um dos entrevistados quanto ao provincianismo brasileiro (que só reconheceu o valor artístico de Tom Zé após o "aval" de um produtor estrangeiro), verificável também no próprio cenário que ambienta o filme - e aquele que retrata a relação de Tom e sua mulher Neusa Martins - sobretudo por verificarmos o modo como "pessoas não convencionais" vivem sentimentos tão convencionais. Um documentário belo, humano, uma ode à criação artística e ao artista genuíno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Download: http://andreidiartedownloads.blogspot.com/2009/03/fabricando-tom-ze.html&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/759979092695463892-8085264541832246755?l=visoesdeca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://visoesdeca.blogspot.com/feeds/8085264541832246755/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2011/04/fabricando-tom-ze-2008.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/8085264541832246755'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/8085264541832246755'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2011/04/fabricando-tom-ze-2008.html' title='Fabricando Tom Zé (2008)'/><author><name>João Pedro Pacheco Chaves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18224213722906219897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/S0amGe-F2SI/AAAAAAAAAFY/IfPYWfVErss/S220/Web+1.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-9HuNXzmi0vQ/TbDypKIMG-I/AAAAAAAAAKg/F0PeYVT4g3M/s72-c/fabricando-tom-ze-poster02.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-759979092695463892.post-3729786269127089193</id><published>2011-04-09T00:42:00.006-03:00</published><updated>2011-04-11T21:51:38.738-03:00</updated><title type='text'>Sobre hipocrisia e a tragédia de Realengo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em algum mês do ano de 2003 o (brilhante) cineasta Michel Moore empunhava a tal estatueta de braços fechados em homenagem a seu documentário intitulado "Tiros em Columbine"(2002). A película trata da (indiscriminada) venda de armas que ocorre nos Estados Unidos, bem como da (lametável) cultura de armas que domina o país. O filme inicia-se com Moore adentrando um banco para abrir uma conta bancária, momento em que leva inteiramente de brinde uma espingarda - fruto de uma promoção para aumentar o número de clientes na instituição. Saindo de lá, e empunhando a sua recente aquisição (a título gratuito, assevere-se), o cineasta parte para uma barbearia. Em lá chegando vai (simultaneamente) dando uma reparada nas pontas (da cabeleira) e escolhendo as balas (da arma). Acrescente-se que tudo isso faz parte do mercado branco, tudo isso é reflexo do direito constitucional do ianque a portar e ter a propriedade de uma arma de fogo.&lt;br /&gt;Ainda há pouco revi o "O Júri" (2003) - muito embora eu lembrasse de bem pouca coisa, nem mesmo da motivação principal. Aqui temos o embate provocado num júri no qual um dos jurados negocia a vitória no mesmo sob a alegação de que possui o controle dos demais julgadores. A referida disputa se dá entre uma indústria de armas (naturalmente no pólo passivo da demanda) e uma viúva que teve o marido vitimado por uma arma de fogo em um massacre. A película foca em cima de todo o poderio da aludida indústria, dando &lt;span style="font-style: italic;"&gt;closes &lt;/span&gt;na sua influência nada legal (muito menos moral) em tais embates judiciais - seja intimidando testemunhas, comprando veredictos ou intimidando jurados.&lt;br /&gt;Os dois filmes citados logo ali me vieram a mente (de imediato) quando soube da triste e inesperada notícia do massacre ocorrido em uma escola no bairro do Realengo no Rio. Um ex-aluno invadiu o colégio e executou 12 crianças, suicidando-se logo após ter sido abatido por um (corajoso) policial militar de trânsito. Fato que chocou e surpreendeu todo o mundo, em muito também por este tipo (brutal) de acontecimento não ter precedentes na história do país canarinho - sempre tido como um país de povo pacífico.&lt;br /&gt;Mas qual o nexo existente entre os temas tratados nas palavras pertencentes e os parágrafos anteriores a elas? Fácil constatação. Armas. Mas não só. Inicialmente, o filme de Michel Moore tem como cenário a cidade de Columbine, onde ocorreu um dos maiores massacres em escolas dos Estados Unidos - cometido em 1999 pelos jovens de capa preta. Já a ficção "O Juri" - baseado na obra homônima de Jonh Grisham - tem como fundamentos da trama um  semelhante massacre ocorrido em uma cidade do interior dos EUA e um outro em que um ex-funcionário invade a empresa e mata vários funcionários (inclusive o tal marido já citado).&lt;br /&gt;Fazendo um paralelo entre a tragédia ianque tratada no documentário e a recente tragédia brasileira é possível perceber várias semelhanças - ressalvadas possíveis distinções próprias de cada contexto. Primeiramente é de se ver que os três assassinos (ou atiradores, como queiram) foram jovens "desprezados". De algum modo, durante a infância e a adolescência escolares os criminosos foram relegados a uma posição, em alguma medida, subalterna. O que hoje comumente se denomina de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;buyling&lt;/span&gt;. Foram vítimas de um contexto de chacotas, foram zombados, e não souberam lidar com uma situação que é comum à grande maioria dos adolescentes em algum momento desta fase - salvo casos que chegam a extremos bem perigosos. Disso tornaram-se reclusos e afixionados por uma maquiavélica e insana vingança tendo como fonte de informação a grande rede.&lt;br /&gt;Entretanto, não é bem essa a ponta do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;iceberg&lt;/span&gt;. Não nos interessa mais (essencialmente) investigar o passado e a motivação do criminoso que já fez suas vítimas e que já não está entre nós para obter sua consequente condenção. Estes (bárbaros) crimes não podem ser evitados com investimentos em segurança pública ou algo do tipo, pois são totalmente imprevisíveis. Nem os mais dedicados dos tratamentos psicológicos seriam capazes de detectar e previnir (tratando, por óbvio) que algum jovem (ou mesmo adulto) - na imensidão de um país - tome (lamentável e nefasta) atitude criminosa semelhante. O tal perfil psicológico que se traça só nos levará ao presumível por qualquer homem médio: o de que ali ricocheteava um mente doentia.&lt;br /&gt;Nos Estados Unidos os jovens encomedaram (legalmente) os pesados armamentos, que vitimaram várias pessoas, pela internet e os receberam na porta de casa por uma dessas empresas de entregas. Aqui, certamente, o assassino conseguiu o instrumento de seus crimes no mercado dito negro. Certamente as duas armas por ele usadas saíram de uma loja (ou de um quartel) e foram de mão em mão (de corrupção em corrupção) passando até que chegaram às mãos deste matador. No hemisfério norte é uma opção clara de um povo que sente uma eterna insegurança - advinda, em alguma medida, de seu natural sentimento de superioridade, hostilidade e de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;police world&lt;/span&gt; - que os "obriga" a requerer o direito a ter um arsenal em casa.&lt;br /&gt;Mas e aqui? Por que o Brasil possui um comércio tão vasto de armas? Talvez a resposta nos remeta inicialmente ao ano de 2005 em que os brasileiros decidiram por seu legítimo direito de portar uma arma, seu legítimo direito à legítima defesa, como argumentaram. Tudo isso sob financiamento das maiores interessadas em continuar a vender armas e munições. Em meio a tudo isso não é absurdo imaginar onde fica o jeitinho brasileiro quando o assunto é vender algumas balinhas pro 38 que deixo guardado em casa. Em meio a tudo isso nos vem a verdade sobre os boatos espalhados por aqueles que se saíram vitoriosos e diziam que, no fundo, esta seria uma estratégia para que Lula implantasse uma ditadura socialista.&lt;br /&gt;Nesse estado caótico de coisas vemos mais vidas, tão jovens, serem interrompidas por um jovem surtado que resolveu por em prática um plano para "vigar-se" de meninas, sobretudo. O grande algoz, de fato, é a nossa própria corrupção, é a nossa própria hipocrisia que nos leva a decisões insensatas que só vem a tona quando já perdemos vidas. E quando tudo torna-se insuportavelmente desolador escapolem notícias de debaixo do tapete, como a de que entre os dezessete projetos que se referem a armamentos e que correm (ou arrastam-se) no Congresso, onze visam a ampliação do uso de armas. E isso, a meu ver, é um forte contribuinte para que mais armas (e munições) sejam roubadas, emprestadas e vendidas a terceiros nem sempre confiáveis ou mesmo para que tomem o correto rumo do nosso genuíno jeitinho.&lt;br /&gt;Mas diz aí: pra que o Brasil, que se louva pacífico, precisa de armas? Será mais um ingrediente para que testemos nosso tal jeitinho que transfigura nossa própria corrupção?! O fato é que senti que a dolorosa tragédia não tem raízes essenciais em problemas de segurança pública ou mesmo relativos à má qualidade da educação pública (e da não existência de policiais armados nas porta de tais escolas), não se trata também de problemas de saúde pública ou acompanhamento psicopedagógicos ou mesmo psquiátricos. A questão é mais ampla pois nunca poderemos prever se aquele ou aquela que passa na calçada ou que divide uma sala conosco possui dificuldades que o(a) levarão a atentar contra a vida de várias pessoas como forma de vingar suas próprias dores.&lt;br /&gt;A questão passa por aquele que se acha vítima de tal dor e autor de tais planos não tenha tanta facilidade em empunhar uma arma. Passa por tais ideias insanas esbarrarem nas barreiras impostas pelas pessoas e pelo Estado. O chavão mais armas nas ruas, mais armas em mãos erradas, decerto, está com a razão. Que não esperemos por mais assassinatos para que tomemos alguma atitude. Mas porque mesmo um país pacífico precisa de armas?!&lt;br /&gt;Saibamos reconhecer a nossa própria hipócrisia e sua, natural, corrupção.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/759979092695463892-3729786269127089193?l=visoesdeca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://visoesdeca.blogspot.com/feeds/3729786269127089193/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2011/04/sobre-hiposcrisia-e-tragedia-de.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/3729786269127089193'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/3729786269127089193'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2011/04/sobre-hiposcrisia-e-tragedia-de.html' title='Sobre hipocrisia e a tragédia de Realengo'/><author><name>João Pedro Pacheco Chaves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18224213722906219897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/S0amGe-F2SI/AAAAAAAAAFY/IfPYWfVErss/S220/Web+1.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-759979092695463892.post-3775418916627319353</id><published>2011-04-02T15:22:00.007-03:00</published><updated>2011-04-02T21:31:31.718-03:00</updated><title type='text'>O salto</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Acredito sinceramente ter interceptado muitos pensamentos&lt;br /&gt;que os céus destinavam a outro homem&lt;br /&gt;Laurence Sterne&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Já não há mais planos ou ideias a repassar. Tudo o que eu preciso é ligar o carro, dirigi-lo até o tal edifício, descer sem fechar os vidros. Depois executar todo aquele itinerário mil vezes escrito e revisado, embora jamais ensaiado ou percorrido. As palavras já estão escritas. As despedidas já foram (silenciosamente) prestadas. Preciso ir até as flores.&lt;br /&gt;Adentro então pela grande entrada espelhada composta de portas que se abrem e se fecham sem que eu tenha que me esforçar - e como são tão diferentes das portas da vida. O saguão é imenso com elevadores a subir e a descer a todo momento, com um piso reluzente e visualmente agradável, com pessoas em telefones móveis a fecharem negócios ou amores, com clientes a tapar o rosto com imensos jornais que noticiam altas quedas em ações milionárias, altas taxas de baixas populacionais violentas, a grandes fama de pessoas com pequeno teor artístico. Funcionários frenéticos que atendem telefones que insistem em tocar com seus gerundismos corriqueiros, outros que barateiam-se tontamente pra todos os lados.&lt;br /&gt;Nesse cenário distante passo naturalmente despercebido, como um passáro que voa alto por um oásis na imensidão de um deserto. A cena continua a desenvolver-se, ainda que pelo seu centro eu tenha passado. Nesse estado de coisas pego o elevador que parece me aguardar. Ouso um bom dia que me é devolvido tardiamente apenas por uma doce voz feminina. Eu e os outros sete estranhos vamos subindo. Os números passam em vermelho no pequeno visor, inicialmente com um dígito. Dois saltam e nós outros continuamos o percusso vertical com dois algarismos no pequeno painel cor de sangue. Mais dois se vão. Continuamos, tudo certo, sem os dois e dois que dão os cinco que saíram. Restamos eu e a outra que apertou o mesmo "C" que me serve. De fato uma bela mulher com um charme refletor de uma independência plena. Os cabelos soltos e o olhar firme e decidido mediado por lentes que lhe dão um tom altivo contrastante com a doçura de sua voz. Mistério e independência, eis os atributos femininos que sempre me encantaram nesta vida. Nas mãos ela leva documentos importantes de uma dessas grandes empresas, um romance de Saramago. Nos dedos ela traz dois anéis, mas nenhum deles em forma de aliança. Exala o caracterísco aroma das mulheres vaidosas. Uma mistura de um bom &lt;span style="font-style: italic;"&gt;eau de toilet&lt;/span&gt; com alguma coisa de pele. A porta se abre e ela parte. Um corpo esculpido com primor, ainda que sem grandes perfeições próprias de quem esquece-se de cuidar da mente. Penso que eu poderia tê-la visto em outra ocasião, seria bem mais proveitoso a mim e espero que também fosse a ela. Em todo caso nos despedimos tacitamente. Ela dobra a esquerda e eu sigo pela direita.&lt;br /&gt;Sigo meu caminho. Não posso olvidar em executá-lo. Subo algumas curtas escadas que dão para o jardim suspenso. Preciso encontrar as flores. Já no topo, com um bar em estilo americano à minha direita, encaminho-me para o jardim. Beneficia-me o fato de não haver muitas pessoas aqui em cima neste horário. E lá mais a frente está o tal jardim. E logo após toda a imensidão da cidade na qual eu não consegui integrar-me. Carros que aceleram pelas ruas largas. Pessoas que aceleram pelas calçadas e pelas ruas, cada uma delas a carregar uma carga fática imprevisível, a refletir em silêncio qualquer coisa que não podemos identificar - a transa da manhã de hoje, uma conta a pagar, um projeto que espera o sucesso, um show mais a noite, uma saudade por findar - nunca saberemos. Outros a refletir em voz alta em tons alegres ou tristes, com sorrisos abertos ou gestos contundentes e espaçosos. Há ainda aqueles que desfilam despreendimento e calmaria. Que observam as estruturas, as pessoas, a vida. Em tragos tão visualmente saborosos seguem pelas vias esbanjando uma pacimônia que mais lembra uma espécie de sabedoria. Enfim, a cena é tocante, convidativa, entretanto todas essas ponderações já foram feitas (e desfeitas).&lt;br /&gt;Já me encontro aqui a meio passo do salto. Já não vejo mais as pessoas  e os carros ali embaixo. Vejo apenas um céu azul intenso e um sol brilhante. Não olharei para os lados, tampouco para trás. Com os olhos apontados para um horizonte infinito que concretamente não existe desligo a visão. A partir de agora já não vejo mais nada. Sinto apenas um vento forte vindo de baixo que alvoroça meus cabelos. Meus braços, por esta razão, são levantados forçosamente. Meu corpo segue como uma pesada pena que torna-se veloz a cada instante.&lt;br /&gt;Os olhos fechados me permitem ver apenas os grandes momentos da minha curta existência.  As belas pessoas que tive a honra de conhecer, de me envolver, de entender, de amar. Tomam a minha mente as imagens dos corpos das mulheres que pude amar em algum momento, das coxas, dos seios, dos ventres e dos rostos que pude beijar, do prazer que pude (ou não) a elas dar e do prazer que com elas senti. Junto vem as cenas de todos os lindos momentos de companheirismo, amizade e carinho que pude ter com algumas delas - seja abraçados e nus após o sexo, seja em algum jantar a dois,  seja em uma viagem ao litoral, seja em que dia ou situação houver sido.&lt;br /&gt;Tomam a mente também (e essencialmente) cenas familiares. O carinho dos pais. A doação gratuita dos amigos. A familiaridade que sentimos juntos aos parentes. Os afagos incríveis dos avós. Enfim, de fato a base sólida de nossas existências está nestes que por algum motivo nos adotam como parte integrante de suas vidas e nos permitem ser ombro e recair sobre seus ombros. Nos escolhem para compartilhar os mais diversos momentos que exprimem os mais intensos e verdadeiros sentimentos.&lt;br /&gt;Consigo ainda chegar até os sonhos que se eternizarão agora. Penso em tudo aquilo que premeti a alguém ou a mim mesmo. Ouço algumas músicas. Vejo algumas fotos. Lembro de passagens de alguns livros. Vejo lugares incríveis que um dia pude conhecer. Esboço um sorriso com lembranças boas de momentos que foram únicos.&lt;br /&gt;Mas agora é hora de calar. Em breve se ouvirá um estrondo que abafará as minhas palavras, minhas lembranças, minhas memórias, minha existência. Encontrei as flores do jardim de entrada.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/759979092695463892-3775418916627319353?l=visoesdeca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://visoesdeca.blogspot.com/feeds/3775418916627319353/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2011/04/o-salto.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/3775418916627319353'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/3775418916627319353'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2011/04/o-salto.html' title='O salto'/><author><name>João Pedro Pacheco Chaves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18224213722906219897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/S0amGe-F2SI/AAAAAAAAAFY/IfPYWfVErss/S220/Web+1.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-759979092695463892.post-4862780353403362846</id><published>2011-03-31T00:30:00.003-03:00</published><updated>2011-03-31T15:26:07.996-03:00</updated><title type='text'>Desabafo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não sei bem. Só sei que tudo parece ter se esgotado. Parece que a vida resolveu rasteirar-me de um modo certeiro, daqueles que nos deixam com a espinha no chão. Em outros tempos imemoriais a tranquilidade era extrema. Mesmo sob risco constante de tropeçar nas próprias pernas a segurança nos passos era plena, incontestável. Com mais calma, pouco a pouco, fui vendo o risco iminente da queda e do abismo imenso para o qual os passos calmos e seguros (porquê não?!) me transportavam. Diante disso, resolvi parar, pensar e rumar na direção do solo firme e fértil. Posso avaliar, de maneira convicta, que obtive êxito ao que toca a se afastar do abismo. Entretanto, talvez como uma severa (e deveras) merecida lição, a vida deu-me dessas de insegurança, incerteza.&lt;br /&gt;Não devo negar que autoconfiança sempre me foi própria, ainda que em situações muito corriqueiras eu não muito demonstrasse. Mas posso dizer que em passos contundentes e sólidos ela sempre me acompanhou. Quando andava eu a meio fio do solo esbanjava-a, sobretudo como forma de (auto)convencer-me de que fazia a coisa certa e de que aquela era uma decisão consciente e consistente. Por sorte, vencida esteve esta ilusória certeza. Vitoriosa se saiu a ideia de que não vingaria o fracasso do que um dia esteve como suspeita aos olhos de todos. Vitoriosa se saiu a expectativa pela vida e pela sua realização.&lt;br /&gt;Mas posso dizer, por uma série de dias e situações, que esta vitória tem estado sob constante ameaça. Principalmente pela percepção de um tal recolhimento incontido e involuntário que me casula a uma distância quase insuperável e em muito insuportável das pessoas que tanto quero me aproximar. Um frio paralisante que me guarda à minha própria solidão e que me condena ao silêncio, às imagens que nunca serão públicas e que por muito (e eu não sei até quando) ficarão contidas na minha própria confusão. São dias e situações que se repetem que aumentam a porção de terra ou a faixa de mar que me tornam náufrago.&lt;br /&gt;Mal posso acreditar que isso seja real. Mal posso crer que isso não é uma grande invenção de alguma confusão que teima em não tornar-se calmaria. Acontece que as imagens, sempre iguais e sempre a me denunciarem, criam o tal recolhimento indesejado e me tornam refém de mim mesmo. E, no fundo, testam a minha capacidade de superar-se e, muito mais, a de suportar todo esse contexto inexplicavelmente real e cruel. Por isso as vezes me pergunto porque logo eu.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/759979092695463892-4862780353403362846?l=visoesdeca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://visoesdeca.blogspot.com/feeds/4862780353403362846/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2011/03/desabafo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/4862780353403362846'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/4862780353403362846'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2011/03/desabafo.html' title='Desabafo'/><author><name>João Pedro Pacheco Chaves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18224213722906219897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/S0amGe-F2SI/AAAAAAAAAFY/IfPYWfVErss/S220/Web+1.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-759979092695463892.post-4724085560532068031</id><published>2011-03-25T19:28:00.008-03:00</published><updated>2011-03-27T17:42:39.554-03:00</updated><title type='text'>O banqueiro dos pobres (1997) - Muhammad Yunus com Alan Jolis</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-XQMSlDU_gW4/TY-hJnhNpxI/AAAAAAAAAKY/VZZLB-CUfPA/s1600/3870277.jpg"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center; cursor: pointer; width: 220px; height: 320px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-XQMSlDU_gW4/TY-hJnhNpxI/AAAAAAAAAKY/VZZLB-CUfPA/s320/3870277.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5588862849189259026" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Na infância e na adolescência (nada mais que uma infância que - ilusoriamente - se acha amadurecida) tive sempre a minha visão de mundo atacada como sendo utópica e esquerdista (o que à época era sinônimo de petismo). Na juventude (caracterizada em alguma medida pelo status de universitário) a minha tal posição - que em muito não mudou - passou a ser tida como burguesa e vista com ressalvas e repreensão por aqueles que se dizem esquerdistas. Nessa confusão paradigmática nunca consegui conceituar minha teoria sobre a lógica mundana que vejo (e que gostaria de ver). Até tentei, mas o resultado não foi nada satisfatório: indivudualismo-coletivista.&lt;br /&gt;Explico. A partir do momento em que cada um de nós assumir o seu posto na prática social e fizer um bom proveito de suas atribuições e responsabilidades, poderemos decerto (a meu ver) construir uma sociedade justa. Esse projeto de teoria é pensado para a minha realidade: Piauí e Brasil. E acredito que seja - com as devidas adaptações culturais - aplicável a outros contextos subdesenvolvidos ou em desenvolvimento, sobretudo aqueles acometidos por uma tal corrução institucional.&lt;br /&gt;O ataque sofrido na primeira fase vem da desgastada fé dos mais experientes em mudanças significativas, o que os faz duvidar que algum dia as coisas mudem de fato. A crítica dos segundos nasce da intocável fé de que as coisas podem sim alterarem-se de maneira concreta e contundente e imediata. A minha visão advem (sempre) da fusão - e da confusão mental que se origina neste choque entre as mais diversas teorias que escuto vindas das mais diversas vozes. É como se pescasse (por alguma deficiência em inventar ou em assumir) aquilo que acredito ser relevante nas palavras que expressam as tais teorias diversas.&lt;br /&gt;Pois bem. Disso, aflora em mim uma profunda admiração por aqueles que assim procedem: colocam a meta lá no horizonte e por diversas estradas prosseguem com único objetivo de tocar o tal alvo. Para minha grata surpresa, muitos são os que conseguem ter sucesso na missão e isso acaba se tornando um forte argumento para a minha crença nesta "minha" controversa e impura teoria. Nesse contexto, tive contato com um tal bengali de nome Muhammad Yunus.&lt;br /&gt;É preciso esclarecer de onde vem o tal contato. Por algum motivo que nunca conheci, guardo uma profunda simpatia pelas ciências econômicas, as quais identifico como sendo o ponto central de toda a lógica do mundo. Ela representa, a meu ver, uma fatia da prática social capaz de produzir alterações profundas no contexto mundial. O título da obra que me trouxe até o tal bengali é "O banqueiro dos pobres". De todo modo um nome chamativo, controverso. De pobre num banco só o pessoal da limpeza e alguns daqueles que estão nas filas do caixas - e que nem de longe são os donos e muito menos o banco é deles (ou mesmo para eles).&lt;br /&gt;Ao tempo em que se mostrou chamativo pra mim pareceu-me dono de algum tom enganoso. "Isso parece nome de livro de auto-ajuda ou então mais um nome falseador que busca leitores sem ter um conteúdo interessante". O pensamento veio a ver o nome pelos idos de 2007, época em que tive uma passagem como temporário em uma livraria. Apesar de me intrigar com aquele título, eu ainda não sabia ler muito bem naquele tempo e acabei passando batido.&lt;br /&gt;Entretanto, a vida sempre nos dá uma segunda chance para as boas coisas. No fim do ano passado, minha mãe (professora, bajulada pelos divulgadores das editoras com presentes [em geral, livros]) chega em casa com um tal presente: O banqueiro dos pobres - A revolução do microcrédito que ajudou os pobres de dezenas de países (Muhammad Yunus e Alan Jolis). Pra não bancar o ingrato (e o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ingnorante&lt;/span&gt; preconceituoso) tive então que lê-lo.&lt;br /&gt;De fato, posso dizer convicto que é um grande livro. Minhas pré-concepções sobre o pacote e um (possível) apelo publicitário exagerado caíram por terra em muito, antes mesmo da leitura, por verificar na parte superior esquerda que o Prof. Yunus ganhou o Nobel da Paz em 2006. Eu estava mesmo redondamente enganado. Sorte ter tido a honra de lê-lo.&lt;br /&gt;Resumindo as palavras transcritas nos parágrafos iniciais sobre paradigmas conceituais, posso dizer que tudo aquilo pode ser dito do seguinte modo: é preciso saber jogar o jogo. Não precisamos inventar uma nova modalidade. Basta que joguemos esse aí com mais habilidade, com mais tática. Tudo o que precisamos é não trapacear.&lt;br /&gt;O mundo é capitalista. O ser humano é capitalista. Isso não vai mudar. A ditadura do proletariado nunca vingará sem violência, truculência e uma atitute ditatorial. Nunca iremos além da ditadura do proletariado. A base fundamental do ser humano é a liberdade. E, sendo livre, o tal ser, de maneira geral, aguça sua ganância - seja em qual medida for. Assim, creio ser fundamental tratarmos de achar meios que atenuem os efeitos colaterais desta nossa opção pelo livre arbítrio.&lt;br /&gt;É precisamente nesse contexto que identifico o Prof. Muhammad Yunus. Ele poderia ter sido um teórico esquerdista (aspira de) revolucionário que com bandeiras nas mãos passa toda a sua vida vendo e denunciando a vida degradante da maioria do povo. Poderia também ser um acadêmico aclamado pelas palavras escritas em uma infinidade de periódicos de renome que lhe proporcionassem algo como rolo de papel higiênico intitulado currículo - além de encher os bolsos de dindim com palestras de 1h para estudantes ou demias colegas. E, enquanto isso, o povo ficaria lá sem (absolutamente) nada. E tudo isso seria mais grave por o mestre em questão ser nascido em Bangladesh.&lt;br /&gt;Mas afinal, você que me lê sabe alguma coisa sobre Bangladesh? Eu, pelo menos, recordo-me que as únicas informações confiáveis que eu tinha sobre o país eram as de que lá havia a maior densidade demográfica do mundo (926 pessoas por quilômetro quadrado) e o menos índice de carros por pessoa. Confiáveis porque lembro que há muitos anos havia lido isto nos meus livros de Geografia da época. Pra que tenhamos uma noção do que representa a tal densidade bengali, imaginemos que 154 milhões de pessoas habitem o território do Ceará - considere também que a população do Ceará é de aproximadamente 8,5 milhões de habitantes (a densidade do cearense é de 56,76 hab/km2).&lt;br /&gt;Pois bem, a população bengali é, em sua maioria, analfabeta. A atividade econômica dominante é a agricultura. E como todo país pobre é dominado pela corrupção e pela exploração praticada pelas classes dominantes. Além disso, o país é islâmico e por isso está sujeito a custumes medievais intransponíveis - o que lhe atrasa ainda mais.&lt;br /&gt;Um cenário bem desolador. Nesse contexto, Muhammad Yunus, jovem professor de econômia decide buscar soluções práticas para enfrentar a situação de miséria da população no entorno da academia na qual leciona. O desenvolvimento e os resultados obtidos nos são contados de maneira bem acessível - sem os indecifráveis termos da ciência econômica - e lúcida - sem desnecessários lirismo e superlativos. Dividido em cinco partes a obra nos mostra toda a saga do Banco Grameen - o banco dos pobres.&lt;br /&gt;O curioso é verificar o porque de esse nome casar tão bem com o Grammen. Seus clientes são pessoas que vivem em situação de mais completa miséria. Seus empregados trabalham em campo, montados em bicicletas, indo a busca de clientes nas aldeias mais pobres do país. Assevere-se que as quantias são muito, mais muito baixas - algo como 25 dólares. Sem falar que os valores emprestados visam o financiamento de atividades como produção artesanal de cestos, compra de um vaquinha, produção artesanal de tapetes. E o mais incrível é que o índice de inadimplência é quase zero. O sucesso de Grameen, conseguido graças ao empenho sobrenatural de Yunus e sua equipe, foi transposto para inúmeros países (ricos e pobres).&lt;br /&gt;Como se não bastasse essa ideia consolidada de banco dos pobres - o tal do microcrédito - mais espetacular ainda é saber que os clientes não são "os", mas "as." Mais de 90% são financiadas. O Grameen empresta dinheiro, prioritariamente, às mulheres. Isso, numa sociedade com hábitos medievais devido à religião oficial ser a islâmica. Consequência: dificuldade inicial de chegar até elas, posto que um homem e uma mulher não podem ficar a sós em Bangadesh. Mesmo assim, o Grameen inventou meios de driblar tudo isso e permitiu que seus mais de 2 milhões de financiadas conseguissem tirar suas famílias da zona de mais completa miserabilidade. Conseguiu que tais mulheres pudessem ter mais dignidade e que os descendentes delas pudessem escrever um destino melhor para si e para o país. É tocante o relato da vida de algumas das financiadas.&lt;br /&gt;Tudo isso num contexto mundial capitalista. O prof. Yunus, aclamado por sua atuação entre seus colegas de ciência econômica, aclamado por sua exímia maestria em conduzir um projeto ousado ao sucesso, mostrou-me algo sobre como atingir metas humanitárias de igualdade e justiça a partir do que está posto. Ressalte-se que o Banco Grameen teve seu embrião gerado no ano de 76.&lt;br /&gt;A obra é um banho de competência, obstinação e humanidade. A saga do banco é a saga de milhões de pessoas que puderam ter evolução em suas vidas graças ao emprenho do Professor Muhammad Yunus e sua equipe. E como fico feliz por ter estado errado sobre este livro. Mais uma aula de determinação e de que podemos sim unir sonho e realidade.&lt;br /&gt;O livro debate ainda questões sobre densidade, política governamental, costumes sistema bancário e a atuação do Banco Mundial.&lt;br /&gt;É preciso que saibamos como utilizar o que temos para podermos fazer algo novo, para podermos dar um rumo diferente a toda a miséria do mundo. O plano de Yunus é um mundo sem miseráveis. A meta é ousada, mas instigante. Façamos a nossa parte. Joguemos o jogo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/759979092695463892-4724085560532068031?l=visoesdeca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://visoesdeca.blogspot.com/feeds/4724085560532068031/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2011/03/o-banqueiro-dos-pobres-1997-muhammad.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/4724085560532068031'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/4724085560532068031'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2011/03/o-banqueiro-dos-pobres-1997-muhammad.html' title='O banqueiro dos pobres (1997) - Muhammad Yunus com Alan Jolis'/><author><name>João Pedro Pacheco Chaves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18224213722906219897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/S0amGe-F2SI/AAAAAAAAAFY/IfPYWfVErss/S220/Web+1.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-XQMSlDU_gW4/TY-hJnhNpxI/AAAAAAAAAKY/VZZLB-CUfPA/s72-c/3870277.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-759979092695463892.post-3042089927524997123</id><published>2011-03-22T21:21:00.002-03:00</published><updated>2011-03-22T22:40:04.243-03:00</updated><title type='text'>Volto</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como pude permitir-me passar tanto tempo distante deste meu fiel recanto? De fato não foi esquecimento. Por (quase) todos os dias eu me cobrava e me recobrava o meu estrito dever mental de desabafo, de devaneios, de divagações; mas por algum motivo (sempre diverso) eu desviava deste destino. Sob as mais variadas desculpas (em alguma medida esfarrapadas) fui deixando os impávidos toques nas teclas. Mas ainda que eu esteja hoje aqui, ainda assim não saberia dizer o porquê do ocorrido. Entretanto ainda me resta a suspeita, ainda que eu seja suspeito para tal.&lt;br /&gt;Nesses dias (que quase completaram o tal giro que chamamos de mês) mantive a maioria dos hábitos - sejam os novos ou velhos. Não abandonei as tais leituras diversas - muito embora esteja a dever observações sobre a última obra lida, que por sinal muito me agradou. Não abadonei o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;cool jazz &lt;/span&gt;no início da madrugada a acompanhar-me pelas páginas dos livros. Não abandonei a oitiva de novas possibilidades sonoras. Não abandonei a luta contra o desejo desmedido por uns tragos quando descem-me pela garganta goles alcoólicos. Não abandonei a meta pela mudança.&lt;br /&gt;Mas abandonei alguns hábitos - agora antigos. Abandonei as andanças desvairadas pela noite, sempre atrás de algum momento não vivido ou talvez perdido ou ainda sim esquecido (ou apenas desejado) pelos becos tortuosos de tempos imemoriais. Me cansei de esperar por alguma surpresa extraordinária que desse (algum) rumo novo a meus cambaleates passos sempre iguais a cada amanhecer sem trabalho. Enfim, enfadei-me - como sempre acontece com rotinas por demais rotineiras.&lt;br /&gt;Inventei novos hábitos bem diversos para que me permitissem não mais lembrar da rotina que não mais acariciava meu (duvidoso) espírito hedonista. Mais outros hábitos vieram ao meu encontro. Novos amigos se aproximaram. Pedalando sobre um terreno árido, a passar por ambientes e cenários semi-selvagens, a observar a vastidão de paisagens não exploradas, a constatar a distância imensa a que estes seus habitantes estão de tudo aquilo que é comum a mim (na verdade a nós, posto que eles [certamente] não me lêem), a sentir o cheiro fresco da mata e da terra e da pureza natural. Ainda que sob a companhia de novos amigos, não abandonei o característico defeito da introspecção - desta vez privilegiado pela distância a que nos encontramos sempre no caminho pedalado.&lt;br /&gt;Nesse tempo de distanciamento a prática vem me iludindo e me causando tremendo temor de que eu esteja a abandonar o belo campo teórico. Os casos concretos tem tomado meu entusiasmo, tem me feito ir além, tem-me impulsionado à pesquisa e à perguntas e mais ainda às devidas respostas. Em muito por desaguar de maneira imadiata na sempre buscada velha união entre o útil e o agradável, entre o sonho e a realidade - eu brigo por seu direito e você me garante meu pão de cada dia.  Talvez esse caráter instantâneo da prática tenha-me cegado os olhos de alguma forma, haja vista que a teoria - sempre mais dotada de solidez - exige um maior lapso temporal até a sua saudável colheita.&lt;br /&gt;Na verdade em todo esse período de silêncio o mundo tratou de se mostrar mais a mim. Ou então foi eu quem fui em busca de aumentar a fresta da porta que abro lentamente em direção ao mundo (concreto e abstrato). De qualquer forma essa imensidão de espaços a percorrer mais uma vez abala aquilo que (ouso) ter como certeza. E esse abalo nada mais é do que o temor vindo do distanciamento que talvez não me traga de volta aos velhos hábitos (e certezas) que acredito façam parte essencial daquilo que (suponho) ser. Ou talvez o abalo seja um indício de que a sina deste (que suponho ser) seja andar por águas rasas de vários terrenos.&lt;br /&gt;Não há como saber-se. Não há como saber-me. De toda forma, é preciso descobrir e, seja como for, isso pressupõe por o mundo a descoberto. A velha ânsia por chegar logo, por levantar a taça por antecipação ficaram pra trás - talvez lá no esboço incial que ficou acabado (e abandonado) em um espaço distante no tempo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/759979092695463892-3042089927524997123?l=visoesdeca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://visoesdeca.blogspot.com/feeds/3042089927524997123/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2011/03/volto.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/3042089927524997123'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/3042089927524997123'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2011/03/volto.html' title='Volto'/><author><name>João Pedro Pacheco Chaves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18224213722906219897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/S0amGe-F2SI/AAAAAAAAAFY/IfPYWfVErss/S220/Web+1.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-759979092695463892.post-7640379067989071555</id><published>2011-02-26T16:14:00.005-03:00</published><updated>2011-02-26T16:34:55.713-03:00</updated><title type='text'>A onda (2008)</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-qckVNQRm-AQ/TWlVLhyxZcI/AAAAAAAAAKQ/xnKwU6u8rGE/s1600/a-onda.jpg"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center; cursor: pointer; width: 215px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-qckVNQRm-AQ/TWlVLhyxZcI/AAAAAAAAAKQ/xnKwU6u8rGE/s320/a-onda.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5578083270013314498" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ficha Técnica:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Título: A onda&lt;br /&gt;Gênero: Drama&lt;br /&gt;Ano: 2008&lt;br /&gt;Origem: Alemanha&lt;br /&gt;Direção: Dennis Gansel&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinopse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rainer Wegner,  professor de ensino médio, deve ensinar seus alunos  sobre autocracia. Devido ao desinteresse deles, propõe um experimento  que explique na prática os mecanismos do fascismo e do poder. Wegner se  denomina o líder daquele grupo, escolhe o lema “força pela disciplina” e  dá ao movimento o nome de A Onda. Em pouco tempo, os alunos começam a  propagar o poder da unidade e ameaçar os outros. Quando o jogo fica  sério, Wegner decide interrompê-lo. Mas é tarde demais, e A Onda já saiu  de seu controle. Baseado em uma história real ocorrida na Califórnia em  1967.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Visão de Cá:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inicialmente uma obra sobre a formação de movimentos totalitários. Uma análise de como se desenvolve um movimento autocrático a partir de uma experiência em sala de aula. Entretanto, o filme nos permite mais. Nos permite observar quão intenso é o vazio experimentado por toda uma geração. Nos permite avaliar o impacto e a (grande) influência exercida pela personalidade de um mestre durante o exercício de seu ofício. Nos permite constatar o reflexo do ambiente familiar sobre o modo de ser e sobre todo o arcabouço existencial de um jovem. São diversos ângulos dados de uma maneira bastante lúcida, sem excessos, através de interpretações sólidas - a partir de palavras alemãs (sempre ríspidas, consoantivas). Um bom filme, sem pretensões exageradas, sem lirismos piegas. Um belo retrato da confusão - e da vulnerabilidade - existencial dos nossos tempos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Download: http://cinemacultura.blogspot.com/2009/09/onda-2008_26.html&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/759979092695463892-7640379067989071555?l=visoesdeca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://visoesdeca.blogspot.com/feeds/7640379067989071555/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2011/02/ficha-tecnica-titulo-onda-genero-drama.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/7640379067989071555'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/7640379067989071555'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2011/02/ficha-tecnica-titulo-onda-genero-drama.html' title='A onda (2008)'/><author><name>João Pedro Pacheco Chaves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18224213722906219897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/S0amGe-F2SI/AAAAAAAAAFY/IfPYWfVErss/S220/Web+1.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-qckVNQRm-AQ/TWlVLhyxZcI/AAAAAAAAAKQ/xnKwU6u8rGE/s72-c/a-onda.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-759979092695463892.post-9175238882024003534</id><published>2011-02-24T15:13:00.010-03:00</published><updated>2011-02-25T15:30:05.169-03:00</updated><title type='text'>Em alguma parte (imaginária) no Cabaré Macunaíma</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pra introduzir:&lt;br /&gt;&lt;a href="http://visoesdeca.blogspot.com/2011/02/em-alguma-parte-no-cabare-macunaima.html"&gt;http://visoesdeca.blogspot.com/2011/02/em-alguma-parte-no-cabare-macunaima.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Lá estava eu em mais um dia como todos os outros dias comuns. Entre pilhas de processos amontoados em estantes abarrotadas ou quase vazias, rodeado por montes irregulares de altos autos a clamar por leitura e atenção, ao redor de muitas pessoas concentradas em sabe-se lá o que. Nas outras salas que me cercam muitos outros a espera de respostas, uns a espera de direitos, outros a espera de dinheiros, outros a espera do fim da espera. Alguns a operar com um bisturi bem cego (talvez mais que o próprio operador) - diga-se de passagem - a mente, o bolso, o coração, os sentimentos, as dores e as alegrias daqueles lá que esperam ou desesperam. São operações bem dolorosas (pra quem vê e pra quem é operado) posto que o cirurgião (ou operador) nem mesmo lembra dos anestésicos, nem preocupa-se  com os procedimentos básicos (talvez) aprendidos e/ou (talvez) ensinados.&lt;br /&gt;Nesse contexto, lá estou eu em uma salinha apertada que não me permite nem mesmo cruzar as pernas pra ler os atos contidos nos autos com algum conforto. Se ouso fazê-lo lá vem um esbarrar em mim e chamar-me de volta àquele aperto. Sempre vem um pra chamar-me de volta ao chão, à pressa, à correria, à mecânica, aos números no fim do dia, ao montinho formado por minhas (áspas) decisões. Como se não bastasse, a cabeça a processsar o desespero próprio de não achar o ponto "G" pra deslanchar a vontade de empreender, de prosseguir em meus mirabolantes planos individuais. Ô dona inspiração onde é que eu te reencontro?&lt;br /&gt;Perdido nesta perigosa teia cotidiana prossigo rumo aos amigos e conhecidos amigos distantes. Vejo o email e lá vejo verdinha a bela moça que me convida pra esse mundo. Me fala de direito e arte. É, deve ser legal. Experimentações sempre me instigam e me atraem. Ademais os presentes que lá estarão são prenúncio de qualquer encontro excitante, ousado e verdadeiro.&lt;br /&gt;Saio na correria, não me despeço. Engulo. Pego o azulão - que na verdade é verde - e parto - dormindo. Desperto. Desço. Encontro-os. Meio sem jeito e desconfiado só pra variar.&lt;br /&gt;Permitam-me pular pro fim do dia. As surpresas sempre me excitam. Sempre me dão um banho de prazer e contentamento. E de fato uma surpresa incrível. Vencendo, ultrapassando e derrubando limites. Os corpos a se encontrarem, a se confiarem, a se buscarem. Todos vencemos os múltiplos limites que de algum modo nos afastam e nos reservam à nossa própria existência. Talvez eu deva substituir o nos pelo me, ou não. Em todo caso, aquela confusão lá do início - experimentada por todos de algum modo - fica fora deste espaço. Nos despimos de todas as angústias que esse confuso mundo nos impõe e transamos nossas vidas, nossos corpos, nosso eu mais verídico.&lt;br /&gt;Muito bonito e atraente ver todos se entregando, ou como tanto dito, se jogando. Mas eu não conseguiria. Não por medo de os outros não me segurarem, mas por medo de que eu não conseguisse jogar-me. Mas sim, eu consegui. E como é bom sentir-se acolhido, seguro, jogado aos outros e recebido por estes. É como tirar a pesada armadura das costas e sentar-se à sombra. É descanso, é desejo, é renovar.&lt;br /&gt;Mas espera aí: o que é direito e arte? É tudo isso. Arte sempre me remete a Gullar: "A arte existe porque a vida não basta". De fato, a arte existe pra completar e contemplar a tudo e a todos. É a uniao máxima do sonho e da realidade (como enfadonhamente brado). É dar a esse mundo pelo qual optamos por sobriviver um quê de confiança, carinho, sentimento, acolhimento e sobretudo inspiração. A arte transgride, liberta. A arte extrapola os limites do que está posto, do que nos é imposto.&lt;br /&gt;Esse momento não carece de metalinguísticas, prescinde de autoexplicações. Se fazemos é pra nos convercermos dessa extrema necessidade de que temos de torná-lo realidade cotidiana. Direito e arte é saciar a sede, minha e sua e dele, por humanidade, por deixar jogar-se, por pedir que se joguem."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;João Pedro Pacheco Chaves&lt;br /&gt;23/2/2011&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/759979092695463892-9175238882024003534?l=visoesdeca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://visoesdeca.blogspot.com/feeds/9175238882024003534/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2011/02/la-estava-eu-em-mais-um-dia-como-todos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/9175238882024003534'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/9175238882024003534'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2011/02/la-estava-eu-em-mais-um-dia-como-todos.html' title='Em alguma parte (imaginária) no Cabaré Macunaíma'/><author><name>João Pedro Pacheco Chaves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18224213722906219897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/S0amGe-F2SI/AAAAAAAAAFY/IfPYWfVErss/S220/Web+1.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-759979092695463892.post-3976086083391328546</id><published>2011-02-24T14:48:00.003-03:00</published><updated>2011-02-24T15:13:00.361-03:00</updated><title type='text'>Em alguma parte no Cabaré Macunaíma</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um a um todos iam se apresentando. Norma. Princípio. Jurisprudência. E eu lá, sem saber o que fazer. Estático. Preocupado com o que eu iria fazer quando chegasse a minha bendita hora. Uns liam textos, outros recitavam poesias, outros encenavam. Tudo ia se desenvolvendo (muito) agradavelmente. E eu lá, atento. E ainda sem saber o que fazer.&lt;br /&gt;Mas é claro. Eu vou ser aquilo que eu sou - ou sonho ser. Bolo (de bolar) meu texto na cabeça. Começo a saber o que vou fazer e começo a ficar mais tenso. Não sei se cabe, afinal cheguei ali meio que de gaiato - sem apresentações inicias, sem preparações, de pronto e de susto.&lt;br /&gt;Torço então pra que ninguém pense como eu. Guardo a minha preciosa ideia - por ser a minha única - e ansiosamente espero a chegada de minha hora - sem que ninguém me deixe de mão a abanar. E, de fato, resto. Sobro somente eu. Vou ao centro sem ser (gentil e obrigadamente) convidado. Sem saber se aquilo tudo é improviso ou já havia sido armado. Parecia-me um grande e divertido improviso que me acolhia - pelo menos em minha mente. Com um trêmulo e ansioso suspense me mostro: sou eu, o intérprete - e esqueço de diversas partes de meus inúmeros textos invisíveis.&lt;br /&gt;E parece que o que fui naquele momento já havia em mim incorporado-se há alguns instantes, antes mesmo de eu me transportar pra este cabaré o intérprete veio a mim. E, em sua (irremediável) mania interpretativa, fez-me psicografar o relato dos instantes precedentes a este momento. Com papel e caneta, em uma caligrafia infame - própria (talvez) de vozes do além baixadas em nós - prossegui em minha atividade hermenêutica.&lt;br /&gt;Entretanto, quando apresentei-me como intérprete não cabia (decerto) a leitura das palavras que virão logo a seguir (ali em cima). Ao fim, garimpando por um espaço acreditei que o havia encontrado. Entretanto, aquela acolhedora roda com todos abraçados a ler aquela bela poesia, se desfez. Meus sussurros foram abafados pela despedida de alguns e por alguma coisa que ainda me parece desconhecida. O fato é que a mensagem ora psicografada ficou guardada a mim, a meu íntimo, à minhas enfadonhas percepções.&lt;br /&gt;Segue acima a tal psicografia.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/759979092695463892-3976086083391328546?l=visoesdeca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://visoesdeca.blogspot.com/feeds/3976086083391328546/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2011/02/em-alguma-parte-no-cabare-macunaima.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/3976086083391328546'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/3976086083391328546'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2011/02/em-alguma-parte-no-cabare-macunaima.html' title='Em alguma parte no Cabaré Macunaíma'/><author><name>João Pedro Pacheco Chaves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18224213722906219897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/S0amGe-F2SI/AAAAAAAAAFY/IfPYWfVErss/S220/Web+1.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-759979092695463892.post-7527093696863263313</id><published>2011-02-13T21:39:00.003-02:00</published><updated>2011-02-13T22:26:47.585-02:00</updated><title type='text'>MTB ou Mountain Bike ou Trilhas de Bicicleta</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aos poucos vou me encontrando. Por mais que tenha tardado esse encontra-se, posso dizer, feliz, que tardou mas não nuncou. Que bom. Primeiro veio a retirada das tropas do campo de batalha vencível apenas (justamente - em todas acepções do termo) com a fuga, com a desistência do confronto direto na linha de fogo. Após, pude (enfim) rumar para uma espécie de destino desejado, sonhado verdadeiramente. Vieram-me (ou fui-me aos) livros, a literatura, o reencontro com o lado saudável e (nos momentos duros) saudoso de tempos memoráveis, a escrita em sua forma mais concreta (e abstrata), sólida, segura, o encontro com a prática que daqui a pouco será grande parte da minha vida (e do meu sustento - assim como dos filhos que hei de ter), a (re)aproximação para com a minha família mais íntima. Enfim, enumerar todos as conquistas que a tal retirada me presenteou seria, ao mesmo tempo, redundante (haja vista as inúmeras vezes que escrevi a respeito por aqui) e tornaria esta última frase um crime sintático-gramatical (haja vista as milhões de linhas e vírgulas que ocuparia).&lt;br /&gt;Mas o que me traz até aqui hoje é a explosão de sentimentos e observações, bem como as palavras a brotarem (e ricochetearem) nesta conturbada mente, a respeito de um destes presentes vitoriosos que esta vida me dá (há algumas semanas). Estava eu no bar do goleiro botafoguense Wágner na praia de Camboinhas em Niterói, quando um grande amigo me liga oferecendo uma bicicleta, que acabara de comprar, para venda. Disse-lhe que a guardasse, posto que não seria conveniente fechar uma compra de um produto usado sem ao menos ver o estado da coisa. Ao retornar, dada a nossa estreita amizade e a minha boa reputação como devedor, fechamos o negócio em suaves prestações instáveis.&lt;br /&gt;Começamos a construir uma rotina pra adquirir a mínima resistência física. Escolhemos alguns roteiros urbanos para que pudéssemos partir para a execução de nossa ideia primeira. Nesse momento junta-se a nós mais um amigo e seu pai - também nosso amigo - que vira uma espécie de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;manager &lt;/span&gt;da nascente equipe. Partimos os três então por caminhos em busca de contarmos quilômetros que traduzissem nossa resistência, nosso pique. Nesse meio termo fomos desbravando caminhos e descobrindo lugares novos, ainda que sem se arriscar a voos mais arrojados. Enfrentamos chuva, cansaço, fadiga, a nossa inexperiência. Se junta mais um amigo e tantos outros, vendo nosso entusiasmo, nos fazem promessas de adesão.&lt;br /&gt;Passados umas três semanas e estávamos os três - o quarto dos três mosqueteiros resolve comprar uma &lt;span style="font-style: italic;"&gt;bike&lt;/span&gt; nova - prontos pra adentrar na verdadeira aventura. Prontos para nos entregarmos aos caminhos mais longínquos e mais selvagens. Prontos para a trilha! Prontos para sentir todo o frescor das matas, de terras inexploradas, daquela vida mansa (no sentido da calmaria), daquelas pessoas, de toda aquela natureza. Prontos pra vercermos nossos próprios rasos e ultrapassáveis limites.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/759979092695463892-7527093696863263313?l=visoesdeca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://visoesdeca.blogspot.com/feeds/7527093696863263313/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2011/02/mtb-ou-mountain-bike-ou-trilhas-de.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/7527093696863263313'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/7527093696863263313'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2011/02/mtb-ou-mountain-bike-ou-trilhas-de.html' title='MTB ou Mountain Bike ou Trilhas de Bicicleta'/><author><name>João Pedro Pacheco Chaves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18224213722906219897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/S0amGe-F2SI/AAAAAAAAAFY/IfPYWfVErss/S220/Web+1.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-759979092695463892.post-6577996398590038668</id><published>2011-02-12T22:13:00.002-02:00</published><updated>2011-02-12T23:27:42.933-02:00</updated><title type='text'>Garapa (2008)</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-_q-H8DFZuJ4/TVcxgyKHUHI/AAAAAAAAAKI/zkI8NfkUsPE/s1600/garapa.jpg"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center; cursor: pointer; width: 211px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-_q-H8DFZuJ4/TVcxgyKHUHI/AAAAAAAAAKI/zkI8NfkUsPE/s320/garapa.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5572977503184048242" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficha Técnica:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Título: Garapa&lt;br /&gt;Gênero: Documentário&lt;br /&gt;Ano: 2008&lt;br /&gt;Origem: Brasil&lt;br /&gt;Direção: José Padilha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinopse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De acordo com a ONU, mais de 920 milhões de pessoas sofrem de fome  crônica ao redor do planeta. Para entender o real significado do  problema busca-se acompanhar de perto como é a vida destas pessoas,  tendo por base o cotidiano de três famílias do estado do Ceará.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Visão de Cá:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nu. Cru. Humano. Após o lançamento de Tropa 2, Padilha deixa mais do que claro ao grande público (que, certamente, está bem longe de seu "Ônibus 174") a que veio. Em seu segundo doc, o cara dá um banho de cinema. O diretor penetra no cotidiano de três famílias do cearenses - duas delas pertencentes ao sertão e uma ao perímetro urbano de Fortaleza. O filme retrata mais que a questão vergonhosa (para nós) e dolorosa (para eles) da fome. Trata da luta de três famílias contra a falta de alimento. Trata da garra e da luta de três mulheres para colocarem o mínimo que seja nos pratos de seus (muitos) filhos e de seus maridos. Digo nu e cru porque o diretor consegue penetrar no íntimo daqueles cotidianos, mostrando as expressões de dor, de sofrimento e, ao mesmo tempo, de garra e obstinação das ditas mulheres e de seus filhos. Tudo isso sem o mínimo apoio de adereços ou acessórios cinematográfico: sem cores, sem música, sem uma fotografia exploradora de detalhes expressivos. Nem ao menos a paisagem e o ambiente natural em que vivem são possíveis de se captar. Apenas as pessoas. O mínimo de recursos captam-nos o máximo de todas aquelas vidas: crianças a rolar no chão sem a mínima presença do mínimo de que uma criança precisa, seres cabisbaixos e entregues à penúria de um futuro sem luz lá no fim, e como se não bastasse a fome alimentar há ainda a fome de tudo o que é de direito - de informação, de direitos, de mudança, de prazeres. Enfim, um filme incrível. Das quatro produções para cinema de Padilha esta é a quarta a que tenho acesso e, posso dizer (do alto do meu entendimento sobre cinema - que se restringe àquilo que sinto sobre o cinema), que são quatro obras impecáveis. Ressalte-se que Garapa é uma mistura de água com açúcar que as mães dão a seus filhos como merenda - ou como refeição quando esta está em falta. O filme permeia, ainda, algumas questões como planejamento familiar, o papel do homem (marido) ante esta catástrofe humanitária, o problema de (falta de) documentação, o problema da desinformação, além do papel dos programas sociais em toda essa problemática. Um filme incrível que aborda (sem defeitos) uma situação deprimível e deprimente aos olhos de todos nós que nos escusamos em encará-lo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/759979092695463892-6577996398590038668?l=visoesdeca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://visoesdeca.blogspot.com/feeds/6577996398590038668/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2011/02/garapa-2008.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/6577996398590038668'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/6577996398590038668'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2011/02/garapa-2008.html' title='Garapa (2008)'/><author><name>João Pedro Pacheco Chaves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18224213722906219897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/S0amGe-F2SI/AAAAAAAAAFY/IfPYWfVErss/S220/Web+1.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-_q-H8DFZuJ4/TVcxgyKHUHI/AAAAAAAAAKI/zkI8NfkUsPE/s72-c/garapa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-759979092695463892.post-2070762666323081845</id><published>2011-02-09T03:13:00.004-02:00</published><updated>2011-02-09T03:41:31.226-02:00</updated><title type='text'>Um golpe na cervical da criação</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Já passam das 2. Estou eu concentrado em memórias incríveis e invencíveis, com pleno controle dos tremores que acometem minha calma e fazem suspeitar de alguma energia latente a gritar por liberação. Decido a escrever estes textos que há tempos estão bem acomodados (e bem moldados) em minha mente. Busco, para tanto, requentar o bacalhau ganhado outrora e abrir o tinto italiano obtido como presente (sim, obtido: troca de favores travestida de presentes). Com muita dificuldade e uma pitada de criatividade e obstinação saco a rolha. Os primeiros goles me vem amargos, quase intragáveis. Mas na segunda ou terceira taça sinto-os suaves, agradáveis - parece vencida a falta de prática para vinhos.&lt;br /&gt;Venho ao quarto com a firme decisão de materializar o tal texto. Sento. Libero-me dos malditos links que escravizam a concentração. Leio e o inicio, os goles na taça vão me dando desenvoltura e aquela abstração característica que sempre teima em abandonar-me. O texto flui. Há dias isso já não mais ocorria. Prossigo a mil com as ideias. E de repente, é lido o meu estado e perguntado: acaso sou eu de mentir?&lt;br /&gt;Pronto. Bastou. Nem o vinho, nem a firme decisão (de nem mesmo ter cogitado a leitura monográfica de Gadamer), nem a ausência (patente). E lá me vem aquele papo agradável. E lá me vem a busca por notícias frescas. E lá me vem um certeiro ataque à paz contruída para este momento de clima ameno e madrugada tranquila.&lt;br /&gt;Dispenso o texto. O salvo e o deixo pra outro dia. Me abandona a construída concentração. As palavras que fluíam rumo às teclas se engessam e paralisam. Todo um processo criativo e, mais que isso, toda uma calma. E todo um passo a busca da caminhada consistente, desconsiste. Tropeço, mais uma vez, em ilusões românticas. Tanto no sentido observável aos olhos, como no sentido do tal sonho/realidade de que tanto (e enfadonhamente) repito.&lt;br /&gt;Lá se foi o processo criativo. Lá se foi uma tentativa agradável e prazerosa, embora não vitoriosa, de construir meu processo de escrita. Tudo isso por conceitos vãos de coisas que não se deve buscar. Por atenções que não se deve esperar. Por momentos que não se deve imaginar.&lt;br /&gt;E ao fim de tudo a calma ludibriada. Palavras escritas que fluíam num amontoar-se que a pouco formariam um texto belo a meus olhos são impunemente trocadas por um faz de conta que joga o que se diz fora. Momento jogado fora. Taças do tinto italiano que poderiam empurrar toda uma efervescência de observações para linhas de um texto transfiguradas em tentativas de afeto.&lt;br /&gt;E, quando tudo se torna claro, tão claro que irrita mais que os olhos, o que me resta é este texto medíocre. É o não aproveitamento de Miles Davis em audição primeira de Bitches Brew. É nada. É chamado rumo a si. É esfregar de olhos contra ilusões particulares. É você que não sabe o que diz e fantasia (e me faz fantasiar) situações e condições. Sou eu perdido.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/759979092695463892-2070762666323081845?l=visoesdeca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://visoesdeca.blogspot.com/feeds/2070762666323081845/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2011/02/um-golpe-na-cervical-da-criacao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/2070762666323081845'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/2070762666323081845'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2011/02/um-golpe-na-cervical-da-criacao.html' title='Um golpe na cervical da criação'/><author><name>João Pedro Pacheco Chaves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18224213722906219897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/S0amGe-F2SI/AAAAAAAAAFY/IfPYWfVErss/S220/Web+1.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-759979092695463892.post-6628563775562752580</id><published>2011-01-24T22:21:00.008-02:00</published><updated>2011-01-31T22:47:08.078-02:00</updated><title type='text'>Satori in Rio - 4 - Viajante Solitário 4.3</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vou indo. Preciso descer até a Av. Rio Branco. Vou confiando na desenvoltura (duvidosa) do meu senso de orientação até o momento naquele espaço. Tento encontrar uma loja bem legal que havia visto no primeiro dia aqui no centro - vende camisas bem bonitas com os temas samba e Rio. Acabo não encontrando. Nessa andança, correndo a passos largos por calçadas e atravessando ruas frenéticas, acabo por me perder. Não sei se estou indo pra sul ou norte ou leste ou oeste. Não posso mesmo olvidar de meus guias.&lt;br /&gt;Olhos atentamente ao mapa. Levanto a vista e procuro o nome da rua a qual estou. Nessa confusão acabo me situando. É preciso ir na direção oposta. Dou um giro e parto.&lt;br /&gt;E olha que beleza. Meu novo destino, que por alguns ótimos minutos, é mesmo minha morada. Acaricia meus sentimentos. Puxa-me pelo lado mais onírico de minha razão. Eleva minhas esperanças mais remotas (e sempre mais impossíveis) a um plano palpável, existente, possível. Funde, mais uma vez, o sonho de uma realidade mágica com o cotidiano de uma vida.&lt;br /&gt;Avenida Rio Branco, 199. Museu Nacional de Belas Artes. Aqui um momento sublime. O encontro de toda a arte dita plástica. Um prédio belíssimo. Grande. A ansiedade por entrar é tanta que nem me detenho em uma análise estética da parte externa. Vou entrando. Vou comprar minha entrada. Uma meia pra estudante, por favor. Puxo os 2 reais e a carteira da Uespi.&lt;br /&gt;O senhor da portaria me dá o ingresso: um papelzinho com uma gravura de Carlos Oswald que retrata o Corcovado - imagem pintada em 1925. Subo a pequena escadaria e fico meio sem saber pra onde ir. Vou então pro lado esquerdo. Temos então a galeria de arte brasileira moderna e contemporânea. Atrapalhado (como sempre) quase entro pelo lado contrário. O &lt;span style="font-size:100%;"&gt;segurança então me indica onde é o ponto de partida.&lt;br /&gt;Adentro pelo ponto correto. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;É: Galeria de Arte Brasileira Moderna e Contemporânea. Uma diversidade incrível de obras. Uma viagem no tempo pela trajetória da arte canarinha. Cada sala abriga umas 20 peças (ou mais). Vou me deleitando com os olhos. Observando tudo aquilo. Lendo sobre os autores. Forçando os olhos para os detalhes das peças. Sentindo percorrer-me uma energia incomum. Algo que faz transpirar a mais pura inspiração. Com o passar das salas as obras vão ficando mais ousadas. Introspectivas. Transgressoras. Uma coisa interessante é notar que o Rio de Janeiro aparece com frequência (mais que) razoável entre o último local dos artistas - tenham eles nascidos em outros pontos do Brasil que não o Rio ou em outros pontos do mundo que não o Brasil. Mais um ponto aqui pra minha visão &lt;/span&gt;tida por romântica de que este lugar exala inspiração ao artista - e a todos os meros mortais (como eu).&lt;br /&gt;Chego ao fim da exposição. Vou andando pelo museu a busca de mais, demais. Entro em uma porta e saio em uma espécie de corredor amplo e aberto. Uma exposição de esculturas em gesso, em bronze e em outros materiais. Chama a atenção as esculturas em tamanho natural - os detalhes e a perfeição dos traços.&lt;br /&gt;Após vê-las adentro numa sala. Aqui o ambiente é meio escuro. Exposição Nidus Vítreo - Diário de Cheiros, de autoria de Josely Carvalho. Há uma mistura de diversos elementos. Uma escultura com fios retorcidos que se parecem com entrelaçamento, união, confusão - bem no centro da sala. Em uma das paredes, projeções que fazem referência aos sentidos, às recordações, aos sentimentos. Num canto uma instalação com um botão. Aperto-o e o aparelho exala um cheiro diverso; não consigo definir. Observo e leio mais um pouco das projeções. Vou-me para o segundo ambiente da exposição. Diversas gravuras de pássaros mortos. Mais algumas frases. Mais ousadia e transgressão. Aperto o botão de cheiro, mas em vão. Não o sinto. Tento novamento e nada. Um garoto que o fez antes de mim sai comentando: "que cheiro horrível!"&lt;br /&gt;Saio dessa exposição e vou para o momento mais belo da visita ao museu. Vou no rumo da última sala a visitar. Gullar: 8 e 80. É preciso deixar claro que tenho uma admiração toda especial por este maranhense. Sempre tive, desde a infância, boas referências sobre o cara. Entretanto, uma entrevista do poeta a Roberto Dávila aguçou a tal admiração. A simplicidade de toda a sua intelectualidade. Seu jeito despretencioso de se expressar. O seu desprendimento por aquilo que viveu combinado com sua sensatez em analisar sua trajetória. As ideias livres que expressam aquilo que admira, aprova, condena. Suas frases que acertam de modo certeiro na análise e na conceituação. Enfim: poeta, pintor, filósofo. Verdadeiramente artista.&lt;br /&gt;E em meio a tudo isso está a sua exposição. Vários quadros seus. Muitos mesclados a poemas e frases suas. Um belíssimo e imenso painel a exprimir seu momento de criação literária. Vejo uma moça tirando fotos. Até o presente momento eu havia batido apenas retratos da parte interna do centro do BB. Imediatamente empunho a de minha irmã. Um dos primeiros quadros que vejo está acompanhado dos seguintes versos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Uma parte de mim&lt;br /&gt;é todo mundo&lt;br /&gt;outra parte é ninguém&lt;br /&gt;fundo sem fundo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um trecho de Traduzir-se ao lado de um retrato multicolorido desse grande nordestino. Agora um quadro com formas circulares e o poema a voz do poeta:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Não é voz de passarinho&lt;br /&gt;flauta do mato&lt;br /&gt;viola&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é voz de violão&lt;br /&gt;clarineta pianola&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É voz de gente&lt;br /&gt;(na varanda? na janela?&lt;br /&gt;na saudade? na prisão?)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;é voz de gente - poema:&lt;br /&gt;fogo logro solidão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Seguindo há mais uns três ou quatro quadros. Viro-me e maravilhado vejo uma gravura com dois peixes e outros traços que me parecem mais seres que vão em uma direção "rumo a cima". Abaixo, uma das mais geniais frases que já tive o prazer de escutar: "A arte existe porque a vida não basta". Muito. Muito emocionante. Tiro uma, duas, três fotos. Infelizmente minhas habilidades fotográficas são bem sofríveis. Extasiado percorro mais espaços desta extasiante exposição. Um texto em um grande espaço apresenta-a. Mais ao fundo da sala fotos do poeta com outros grandes artistas: reunião deles no lançamento do Poema Sujo (sem o autor - exilado), fotos em outras tantas oportunidades. Aproveito e bato a foto da carteira de identidade de Cláudio: identidade falsa de Gullar.&lt;br /&gt;Saio desta sala completa e plenamente sem palavras. Desço as belas escadarias entorpecido de arte, amor, loucura, ousadia, inovação. Decisão.&lt;br /&gt;Ando alguns passos e logo a frente tenho a Biblioteca Nacional. Mais um belo prédio. Majestoso. Grandes janelas. Detalhes mínimos, mágicos em sua fachada. Uma escadaria. Lá em cima uma sacada imponente. Colunas a sustentá-las. Imediatamente acima uma forma triangular com uma espécie de mural em alto relevo. Adentro: uma entrada fantástica. Uma escadaria que se divide e se encontra. Um teto bem alto. Simplesmente um lugar encantador, convidativo. Vou até os funcionários saber se é só subir as escadas. Que pena! Respondem-me que as visitas são apenas guiadas e em datas pré definidas. Estou bem atrasado pra última. Agora, só amanhã às 4 e meia.&lt;br /&gt;Tiro algumas fotos do saguão. Outras da fachada. Infelizmente não pude estar próximo da literatura. Mas talvez ainda me reste encontrar a Academia Brasileira de Letras. Tem também a opção pelo Real Gabinete Português de Leitura que possui um acervo incrível, entretanto esta parada está na contramão de minha programação - junto com a Confeitaria Colombo (que só de pensar chego a salivar de curiosidade por seus docinhos seculares). Mas, infelizmente, vão ficar pra próxima.&lt;br /&gt;Após a sessão de fotos viro o olhar pra minha direita e lá está ela: a fila gigantesca - bem maior que a de outrora. Atravesso a larga avenida e lá está ele: o monumental Municipal. Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Imponente. Grande. Grandioso. Belíssimo. Ao seu lado o belo prédio da Câmara de Vereadores. Aqui é a Cinelândia: palco de manifestações históricas.&lt;br /&gt;Um pouco a frente o tradicional - desde 1921 - Bar do Amarelinho. Enquanto sigo, observo as pessoas sentadas nas cadeiras de madeira estilo botequim, com seus loiros líquidos em suas tulipas a impulsionarem a combustão que incendeia de alegria, desilusão, contentamento ou desprendimento os corações e as razões de seus proprietário transitórios. Muitos sorriem, conversam com os mais variados sotaques, outros apenas observam e refletem - solitários.&lt;br /&gt;Passo na frente do famoso Cinema Odeon. Sei que ele está próximo à Academia de Letras. Dou umas voltas, mas não consigo ouvir pra onde meu guia me diz que devo ir. Já vamos passando das 4 e meia e é hora do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;gran finale&lt;/span&gt;. Hora de fechar esse dia histórico com chave de ouro.&lt;br /&gt;Desisto da busca pela ABL e sigo em direção à estação da Cinelândia. Desço as escadas, vou ao caixa e compro meus dois bilhetes: R$ 5,60. Chego ao local de embarque e aguardo - ou melhor - lá vem vindo o metrô. Entro. Olho para a figura acima da porta com a indicação da última parada - a minha parada: estação Ipanema/ Gal. Osório.&lt;br /&gt;O metrô vai seguindo. Aquela voz doce vai anunciando: "próxima parada", "next stop". De pé a frente da porta vou observando as pessoas, com a devida discrição - elas também parecem me observar ou perceber que as observo. Senhores com seus jornais. Senhoras. Meia idade. Jovens com skates, com mochilas, com leveza, com sorrisos, com aquele sotaque carregado.&lt;br /&gt;Chegamos à última das estações. Todos descem. Vou andando apressado, subindo as escadas rolantes, aproveitando o impulso das esteiras rolantes. Após uma longa caminhada rumo ao céu chego a Ipanema. O famoso bairro. Mais precisamente na Praça General Osório. Um lugar bem simpático, arborizado, com banquinhos cheios de senhores jogando alguma coisa ou só de papo mesmo.&lt;br /&gt;Acendo um cigarro e vou em alguma direção que espero que me leve ao mar. Atravesso a praça e da calçada viro o rosto pro lado esquerdo. Lá está ele: o mar. O céu nublado prenuncia-me que em instantes forçosamente nos banhará. Atravesso a rua e sigo pela calçada rumo à praia. Passo por botecos com toda aquela arquitetura peculiar: pequenos por dentro, com cadeiras espalhadas pela calçada.&lt;br /&gt;Vieira Souto. Segundo dizem o metro quadrado mais caro do Rio. E como esse sinal demora a abrir. Enfim posso passar. Vou indo maravilhado com o marzão me acenando com a mão. Com as areias a abrigar aquele lindo balé de corpos e guarda sóis. E, nesse momento, os pingos prenunciados vem nos banhar. De que importa: mamãe, desde cedo, soube me poupar desses versos infames (do forró hodierno) e "não passou açúcar em mim".&lt;br /&gt;Paro no primeiro quiosque e vejo a frase ostensiva: coco gelado R$ 4,00. Chego mais perto e a plaquinha: skol R$ 3,50. Opa. "Uma skol, por favor". Aquele barulhinho precioso e um gole longo naquela cerveja gelada. Vou andando por aquele calçadão sob um chuvisco médio. Apesar disso muita gente me faz companhia naquele terreno. Uns em casal, outros em bando, outros em bicicletas, outros com cães, outros - como eu - solitários.&lt;br /&gt;Na areia também há muita gente. Uns treinam vôlei de praia, outros futebol e outros  ambos - futvolei. Vou seguindo com os olhos naquele marzão azul que se funde com o céu cinza e com algumas pedras ao fundo. Lado outro todos aqueles prédios caríssimos e abençoados - com janelas e varandas escancaráveis para aquela paisagem incrivelmante sublime. Fico a pensar como todos aqueles moradores chegaram até ali.&lt;br /&gt;Chego então ao famoso Posto 9 -  suponho que o seja: uma espécie de construção com um nove estampado. De fato aqui se concentra muita gente: jovens, turistas, famílias - principalmente jovens! Mais abaixo a tal bandeira do arco-íris. Uma academia ao ar livre mais a frente. Um local com um clima diferente, bem legal.&lt;br /&gt;Vou pensando aqui em voltar. A chuva vai apertando. Já vamos chegando às cinco da tarde e daqui a pouco o metrô deve lotar. Olho lá no fim e vejo uma extensão na pedra. É a Favela do Vidigal - eu acho. De frente para o mar - lá a vista deve ser mesmo privilegiada. Pena que o único privilégio que possuam - talvez - seja esse. É o pleno choque entre a região belíssima, riquíssima e a região paupérrima. Fico a refletir se estes (ou pelo menos muitos destes) que se encontram nessa área confortável não chegaram aqui às custas dos que estão lá naquela área desprovida de Estado. É uma sensação bem estranha virar o rosto e ver o luxo e girar mais um pouco o pescoço e ver miséria e moradias precárias. Tiro uma foto então desta imagem em alguma medida curiosa: a praia, o mar, as barracas, o calçadão, os prédios, as pedras, a favela e suas casas.&lt;br /&gt;Após contemplar (de ver com atenção mesmo) esta imagem giro 360º e parto para a volta. Tiro mais umas fotos da praia, do mar, das palmeiras, do calçadão - e acidentamente das pessoas. Não ouso tirar fotos exclusivamente das pessoas por receio de ser de algum modo indelicado, inconveniente - e também pela ausência de habilidades técnicas. Vou andando rumo à praça e ao metrô. Bebo a última gota de minha latinha e dispenso-a no lixo. Não ouso acender um cigarro -  não convém mandar fumaça nas pessoas que vão andando por aquele calçadão.&lt;br /&gt;Apresso o passo na volta e então chego na Praça Gal. Osório. Mais uma vez a cena da fusão de desigualdades: lá em cima, por sobre os prédios que rodeiam a praça, o Morro do Cantagalo. Casas que se esticam lá no topo do morro. Penso que aqui se funde, por mais uma vez, o sonho (de morar dignamente, de acesso aos serviços estatais devidos) e a realidade (massacrante - que nos furta do que merecemos por direito). É realmente uma sensação bem desconfortável: milhões que entram, trazidos por milhares, que se concentram em poucas partes do território - sem contar que quem serve (e recebe [e repassa] tais milhões) os milhares são aqueles que estão lá furtados pelo Estado (e porquê não por nós).&lt;br /&gt;Pego o metrô - após a grata surpresa de painéis que embelezam e agraciam a estação -  cansado. Vou sentado pensando em todo esse dia, no seu esplendor, na sorte de respirar esse ar diferenciado que permeia este espaço do nosso imenso país. E a todo momento: "próxima parada", "next stop". Vou observando as pessoas até que meus olhos insistem em me trair. Não posso. Esforço. Meu poder de observação vai sucumbindo. De súbito levanto: Estação da Carioca. Hora de pegar a barca e voltar a Niterói.&lt;br /&gt;Vou apressado, a passos largos. Vou seguindo uma moça que acredito deva estar indo pro mesmo destino que eu. Apresso o passo e a ultrapasso. Após alguns (muitos) quarteirões chego à praça e vou comprar um bilhete - um camarada se apressa em querer me vender um, mas por desconfiança nem lhe dou atenção. Adentro (na barca) e sento (na confortável poltrona). Sinto um mal estar, suo frio. Quando partimos, melhoro. Vou ouvindo uma comovente conversa de duas mulheres de meia idade que perecem trabalhar como domésticas. Vão falando da luta, da dureza, da distância, dessa vida corrida, penosa e por demais impiedosa com todos aqueles que sentem o peso da gravidade. Parece que o preço que se paga por morar em um paraíso como este é bem intenso (pra não dizer também caro). Sair de uma cidade às 4 e meia. Pegar um ônibus até outra cidade. Depois pegar uma barca até uma terceira cidade. E ainda pegar um ônibus para o local de trabalho (duro). Voltar pra casa as 8 da noite. Aquilo me assusta e me dá uma espécie de entusiasmo por superar limites e viver, seguir, ir. Esses sim são exemplos de decência e dignidade.&lt;br /&gt;Desço da barca por demais sedento. Compro uma água e entorno-a em dois tempos. Vou para a parada de ônibus e em pouco tempo perco o tal 38-Itaipu; o infeliz passa na rua de cima. Atravesso a rua e vou pra outra: dessa vez ele passa e não para, faz uma volta. Pergunto a um fiscal de ônibus e ele me diz que é preciso atravessar a rua para pegá-lo. Corro, segurando a mochila, e consigo pegar: 38 - Itaipu. R$ 2,80. Entra-se por trás. Há uma cadeira vazia. Minhas pernas fervem.&lt;br /&gt;Vamos seguindo viagem. Fico às voltas temendo passar do ponto. Demoramos um pouco. É aqui. Não. Mais a frente. Ali o Condomínio Atlântica. A cordinha já foi puxada. Desço. Atravesso as 4 pista e pego a rua de calçamento rumo ao Condomínio Green Park. Ufa! Só me falta todos terem saído e eu ficar em pé na portaria. Acendo o derradeiro e sigo pela rua (semi) deserta. Me identifico na portaria. Interfonam. Liberado. Abro a porta. Subo todos os lances de escada rumo ao quarto. Só preciso de um banho quente. Perguntam-me: Fui simplesmente incrível!&lt;br /&gt;Agradeço por voltar vivo, são. Por ter ido. Por estar ali. Um dos dias mais felizes e especiais de minha curta existência.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/759979092695463892-6628563775562752580?l=visoesdeca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://visoesdeca.blogspot.com/feeds/6628563775562752580/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2011/01/satori-in-rio-4-viajante-solitario-43.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/6628563775562752580'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/6628563775562752580'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2011/01/satori-in-rio-4-viajante-solitario-43.html' title='Satori in Rio - 4 - Viajante Solitário 4.3'/><author><name>João Pedro Pacheco Chaves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18224213722906219897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/S0amGe-F2SI/AAAAAAAAAFY/IfPYWfVErss/S220/Web+1.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-759979092695463892.post-2095766687322436200</id><published>2011-01-20T19:47:00.005-02:00</published><updated>2011-01-21T01:10:09.509-02:00</updated><title type='text'>Satori in Rio - 4 - Viajante Solitário 4.2</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É chegada a (grande) hora. Acho que o último show de um violonista que vi foi o do Macel Powell, pelos idos de março. Subo então as belas escadas com corrimão dourado rumo ao Teatro II. Antes é preciso ler a placa de fundação. Pasmem: essa beleza de iniciativa foi assinada por nada menos que José Sarney. Dá pra acreditar?!&lt;br /&gt;Chego ao 2º andar e dou voltas a procura do lugar da apresentação. Enfim o encontro. Me escoro em um balcão à frente da porta. Ainda há poucas pessoas esperando. Ainda temos, talvez, umas meia hora.&lt;br /&gt;Pouco a pouco as pessoas vão chegando. Uma grata surpresa sinto ao observar. Há um misto bem interessante de idosos e jovens. Exalam, os primeiros, um clima (bom) nostálgico, do Rio que originou a fama (mais remota, é claro) de cidade cultural, boêmia, artística. Velhinhos bem simpáticos, amenos, sorridentes. Nada de cuidar de netinhos, torrar a grana em bingo ou embalar-se na cadeira vendo TV. Todos lá, em grupo, conversando e esperando a apresentação e procurando os próximos eventos da casa. Na outra ponta - nós - os jovens, sempre sendentos por novas oportunidades de viver aquilo que não nos foi cedido desde o nascimento - sempre em busca de sentir aquele tal clima nostálgico de arte propriamente dita.&lt;br /&gt;Abrem as portas. Vou em busca da cadeira G6. Encontro-a. Sento-me e passo a girar o pescoço pra admirar aquela beleza de teatro. Vejo aqui no panfleto que possui 155 lugares. De fato, bem charmoso. Lembrou-me um pouco o amado 4 de setembro, embora este aqui em que eu me encontro seja menor - e com poltronas azuis, ao invés do vermelho desse aí de nossa terra. As pessoas vão se acomodando. A mescla incrível dita ali vai se corporificando e me deixa bastante contente: como a vida e a arte se entrelaçam e tornam toda a realidade em algo mágico, encantador. Ao meu lado direito chegam um grupo com três amigos e um cara sozinho. Ao meu lado esquerdo duas senhoras. Mais uma vez o tal encontro.&lt;br /&gt;Mas vamos deixar de papo. Entram no palco os irmãos Assad. Confesso que parecem Geraldo Azevedo e Fidel Castro. Iniciam com Astor Piazzola. Vão passando por um compositor americano em composição (que soa um pouco estranha) feita em homenagem ao luthier da dupla, passam também por um espanhol. Brincam com a platéia e nos pedem aprovação (ou não) para o repertório. Tocam mais umas 3 ou 4. Passam por compositores brasucas. Fazem uma comentário: "poucos compositores populares chegam a ser reconhecidos na música erudita e esse que a gente vai tocar, que gostamos bastante, conseguiu isso". Não precisam terminar: só pode ser o maestro soberano. Sim: tocam Amparo (ou "Olha Maria"). Lindíssima interpretação.&lt;br /&gt;Espera um pouco. Esse é sim um dos dias mais felizes (e incríveis) da minha vida. Estou eu aqui sentado nessa poltrona azul de frente para o palco assistindo a dois violonistas internacionais por míseros três reais e ouvindo Tom!&lt;br /&gt;O show vai indo, indo. Vai chegando ao fim. Eles tocam uma composição deles inspirada em suas origens libanesas. Demais! Muito boa. Vibrante, austera, oriental, empolgante! Eles saem e todos nós nos levantamos para uma longa salva de palmas. Voltam, como sempre fazem os artistas, e tocam mais uma. Todos nos levantamos mais uma vez e mais aplausos. Saio completamente embriagado. Que cidade maravilhosamente maravilhosa. Não sei como são outros lugares, infelizmente minha condição sócio-econômica até a presente não me permitiu conhecer nem mesmo alguns lugares, mas posso afirmar (convicto) que esta cidade é fantástica.&lt;br /&gt;Como se as belezas naturais belíssimas não fossem o suficiente, ainda tem-se toda essa diversidade cultural. Talvez as primeiras sejam a causa desta segunda: pura inspiração!&lt;br /&gt;Saio da sala com um aperto fisiológico no mínimo incômodo. Isso pode atrapalhar (e muito) o restante do percusso. Não é difícil saber para onde todos vão ao final de uma apresentação. Vou então ao Centro dos Correios. Privacidade e solitude. Restabeleço a ordem interna. Nem tudo são flores!&lt;br /&gt;Entro na exposição "Domingo a Domingo" do mineiro Gerson Guedes. Nela há pouco mais de 15 quadros que trazem um retrato do cotidiano de Minas. Missas, quermesses, encontros na praça, brincadeiras de criança. Tudo em um traçado firme e característico.&lt;br /&gt;Saio do Centro dos Correios. Consulto meu guia e vejo que é hora de partir para a parte II do roteiro. São mais três paradas obrigatórias que se aglutinam num perímetro bem estreito. Vou andando sem fogo. Avisto uma banca de revista, pergundo ao dono com cara de portuga qual o isqueiro mais barato. Ele aponta pra um varal de acendedores e me pergunta a cor e o modelo. Qualquer um. E ele me dá um azul. Acendo um cigarro e vou.&lt;br /&gt;Em poucos passos avisto o Museu Histórico Nacional. Apresso os tragos, desperdiço dois ou três, procuro uma lixeira, apago-o no poste e cesta!. Parto então para o museu. Um belo prédio que inicialmente (há alguns séculos) serviu de calabouço para escravos. Lembra bem um palácio, dado a grande área central. Vou na direção da exposição que não guardo o nome na mente. Vejo mais uma das tais representantes das belezas não convencionais - antes que você pense que eu tenho um fixação por loiras (e de fato não a tenho), a moça não o era - com um caderninho e uma caneta a anotar informações sobre quadros e esculturas.&lt;br /&gt;O interior do prédio é fantástico. Um belo piso de madeira. Dispostos nas paredes quadros que seguem em evolução histórica. Retratam o Rio de outros tempos. Fotografam personalidades reais. Esboços de grandes obras - como algumas de Tarsila do Amaral. No meio dos salões esculturas belíssimas; diversas no tempo, naquele espaço, no estilo. Esta parece ser uma espécie de arte menos transgressora. De fato, sinto que quadros - em parte pela limitação espacial - transgridem menos que instalações, que nos tomam o espaço e se prolongam por onde desejam ir, atingindo-nos de uma maneira mais intensa.&lt;br /&gt;Passo por três ou quatro ou cinco salas. Em uma delas - de transição -  uma projeção na parede, e na adjacente um jornal antigo. Paro. Chego no (mais que no) meio da narração. Ela termina logo e espero pra ver na íntegra. Trata-se de uma carta escrita pelo urbanista Lúcio Costa - criador do projeto do Plano Piloto de Brasília - destinada ao presidente que à época era um dos malditos generais (que sempre ficaram atrás da mesa com o cu na mão). Nela Lúcio protesta contra um prédio a ser construído na orla de Copacabana e que colocaria em risco toda a paisagem do local. Muito legal! Na projeção um vídeo vai nos mostrando a modificação ocorrida lá até os dias de hoje e a narrativa da epístola. Após respirar toda uma história por belas obras e percorrer todo o espaço da exposição, tomo o rumo da escadaria de madeira.&lt;br /&gt;Me despeço do Museu e vou seguindo. Aqui foi como uma transição para a parte dois da expedição. Agora era esticar a caminhada. Ainda havia mais a ver, sentir, sorrir, viver.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/759979092695463892-2095766687322436200?l=visoesdeca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://visoesdeca.blogspot.com/feeds/2095766687322436200/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2011/01/satori-in-rio-4-viajante-solitario-42.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/2095766687322436200'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/2095766687322436200'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2011/01/satori-in-rio-4-viajante-solitario-42.html' title='Satori in Rio - 4 - Viajante Solitário 4.2'/><author><name>João Pedro Pacheco Chaves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18224213722906219897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/S0amGe-F2SI/AAAAAAAAAFY/IfPYWfVErss/S220/Web+1.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-759979092695463892.post-760233721912401326</id><published>2011-01-19T00:00:00.006-02:00</published><updated>2011-01-20T01:24:42.496-02:00</updated><title type='text'>Satori in Rio - 4 - Viajante Solitário 4.1</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;7:00. O maldito som do celular me acorda. Dou-me o direito de mais cinco minutinhos. Outra vez aquele barulho. Acordo. Era enfim (quase) chegada a hora. Levanto e vejo que o temor que sentia na noite passada ia se corporificando. Cai uma chuva fina lá fora. Parece que mais uma vez eu chegava à maldita conclusão que a previsão do tempo nunca serve pra coisa alguma - disseram-me no dia anterior que a previsão era de sol. Fico na torcida pra que a chuva esteja mesmo só em Niterói.&lt;br /&gt;Penso duas vezes mas não desisto. Vou assim mesmo. Tomo um banho quente e desço para o café. A ansiedade me consome de um jeito diferente: devo ou não ir? A chuva me aflige e põe em xeque minha missão. Missões não podem ser desertadas. Caso contrário é vergonha sem noção perante toda a nação.&lt;br /&gt;Tomo um café reforçado, já prevendo que a próxima refeição seria apenas no almoço - que eu nem fazia ideia de como, quando e onde seria. Corro pro computador para me certificar de mais alguns mapas. Não os imprimo. Apenas faço anotações naqueles que já dispunha: Centro do Rio, estações do metrô, mapa das ruas e estações do metrô na Zona Sul e visão geral Centro - Zona Sul.&lt;br /&gt;Tio Zé desce e logo me garante um carona rumo ao seu consultório, que fica há uns 4 ou 5 quarteirões das barcas. Entramos no carro e se aproxima o fatídico evento. Os pingos no para-brisa do carro vão me dando uma inquietação: será que tudo vai por água abaixo? Que seja, eu nem mesmo sou de açúcar! Quando penso que a chuva está a diminuir, de súbito percebo que a impressão é um mero engano.&lt;br /&gt;Chegamos. Despeço-me do tio e sigo a passos firmes, com a mochila no ombro (pronta desde a noite anterior) e uma ansiedade suprema. São inúmeras pessoas entregando panfletinhos mínimos: cartomante, tarô, empréstimo consignado, promessa de trazer pessoas. Pego alguns, mas ao perceber a atitude das pessoas desinteressadas nos ditos anúncios passo direto pelos anunciantes. Já passa das nove. Aumento a amplitude e velocidade das passadas.&lt;br /&gt;Chego enfim às barcas. Pessoas sempre correndo. Uma multidão espera a partida de uma que acaba de chegar. R$ 2,80. Compro o bilhete. Espero talvez um ou dois minutos até que abrem as portas do barco. Nesse instante percorro o olhar e vejo pessoas de todos os jeitos. Crianças, jovens, meia idade, idosos. De terno, de bermuda, de saia, de tênis ou chinelo. Indo ao trabalho, às compras ou a alguma aula. Talvez muitas na rotina diária de atravessar a baía rumo ao Rio a trabalho ou a passeio.&lt;br /&gt;Vamos todos entrando na barca. Procuro um lugar com vista pro mar. Todos vão se sentando, alguns pedem um café, outros já estão com um jornal ou um livro em punho. Guardo os meus e prefiro ficar com aquela paisagem. Vejo ao horizonte que o Rio está fechadíssimo prometendo-me chuva. Partimos. Vou com o pescoço levantado pra melhor admirar o que se vê pela janela. Barcos parados na baía. Pássaros indo e vindo naquele céu cinza. Navios andando a passos lentos. Embarcações menores em velocidade maior. Seguimos vendo a imensidão da ponte e em pouco tempo vê-se uma espécie de ilhazinha linda com uma construção verde. Era ali que se realizavam as festas da corte.&lt;br /&gt;Chegamos. Nem acredito que eu estou aqui. Desço da barca e piso, com meus próprios pés, no solo carioca. A chuva castiga. Posso dizer que passamos do estágio chuvisco. Passo por um camarada e logo volto. Decido comprar um guarda-chuva: "sombrinha 5, família 10". Minha espessura me permite economizar: vantagens do magro.&lt;br /&gt;Abro-a e sigo em passos apressados. Atravesso a rua e vou andando sem consultar o mapa. Ao andar dois quarteirões me perco. Abro a mochila e converso com meu guia. O primeiro ponto é o Centro Cultural Banco do Brasil que fica na direção oposta de outros pontos do roteiro. Lá agrega mais duas opções: Casa França Brasil e Centro Cultural dos Correios.&lt;br /&gt;Tomo meu rumo na direção da Candelária. Vou andando mais desorientado por causa desse guarda-chuva. Andando depressa tem-se sempre que levantá-lo pra não haver uma colisão com os semelhantes dos outros. Vou indo, cruzo com a Escola de Cinema Darcy Ribeiro, e enfim chego àquele prédio imponente e charmoso: o tal centro do Banco do Brasil. Entro meio atordoado. Um saguão imenso, com "caixas" à esquerda, murais entre os acessos internos e um teto belíssimo. Vou entrando como se tivesse sido empurrado (e de fato meu entusiasmo e contentamento exacerbados o fizeram). Avisto o charmoso (e convidativo) café e uma livraria bem legal. Volto e ensaio uma nova entrada. Pergunto ao segurança sobre programação e ele me indica os murais ao lado do lugar por onde passei estabanado (dos dois lados).&lt;br /&gt;Pego todos os livretos (inclusive, e desnecessariamente, os dedicados a quem speaks english). Folheio-os. Vejo diversas opções: exposições, peças de teatro, shows de música, debates literário, debates artísticos e um cinema de excelente qualidade. Tudo por um preço por demais acessível. Infelizmente, página a página, vejo que muitas das atrações são do ontem ou do amanhã. Mas por uma dessas sortes (de principiante) hoje é terça. Dia da Mostra Reflexos: duo quase gêmeos. E diz aí: qual o instrumento de hoje? VIOLÃO!&lt;br /&gt;Às 12:30: os irmãos Sergio e Odair Assad - o Duo Assad - violonistas clássicos brasileiros erradicados na Europa. Vou até os tais caixas e compro a minha meia entrada. O preço? Três. Sim: R$ 3,00. Com um contentamento percorrendo e pulsando por todo o meu corpo. Com um sorriso incontido em todo o meu ser. Com a feliz constatação de que o sonho e a realidade se mostravam pra mim plenamente fundidos; prossigo. Antes disso passei no caixa e raspei o que tinha na conta - precauções.&lt;br /&gt;São mais ou menos umas 10 ou 10 e meia. Preciso preencher meu tempo até às 12. Saio e dobro à esquina. Logo a frente vejo a Casa Paris-França. Entro. A visitação é franca, gratuita, 0800. Confesso estar meio perdido aqui. A minha frente há um espaço enorme. O nome da exposição é GRANDE, de Laura Lima. Pego o panfleto e sigo. Uma rede (de deitar mesmo) enorme. Uma imensa instalação (acho que é assim que chama) com andaimes, livros revirados, papéis - toda a bagunça de uma vida, de um cotidiano, de uma personalidade. Talvez nem mesmo bagunça, mas a própria desordem das coisas, dos instantes, dos desejos, do que somos e do que fazemos e do que nos tornamos.&lt;br /&gt;Esse é um exercício novo pra mim. Vejo tudo isso calmamente, mas sinto uma inquietude. Esforço-me para buscar um sentido. As artes plásticas exigem uma transgressão de pensamento que não estou acostumado a fazer e que por muito tempo não tive-a como possibilidade. Com o tempo, e principalmente com as aventuras do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ingnorante&lt;/span&gt; no mundo cult, fui conseguindo ver além, sentir mais. Entretanto não abandonei esse adjetivo da linha de cima - ainda há muito a fazer. Ainda assim o cheiro de inspiração, de pensamento livre, de transcendência, de transgressão embriaga-me prazerosamente e me faz sentir que aquilo tudo é arte, pela simples sensação de bem-estar que me despertam no momento.&lt;br /&gt;Andando mais um pouco pelo ambiente, descubro que a casa abriga uma biblioteca com muitos títulos sobre artes plásticas, fotografia e cinema. Aliás, belíssimos livros. Um espaço pra leitura bem confortável e um café bem charmoso.&lt;br /&gt;Vou saindo daqui com uma sensação indescritível. Respirar aquele ar me faz bem à mente, à inspiração, à criação. Dá-me a certeza de que aquele mundo que perturba, confunde e me encanta sobremaneira, existe sim. Esse ar me arrebata e me cobra inserção bem ali. Faz-me pensar que a certeza de sua existência não é o bastante - e mais uma vez sei que irá repercutir e ricochetear em mim por milhares de horas.&lt;br /&gt;Ao tempo em que reflito sobre isso dou mais uma olhada no relógio (do portátil). Ainda há tempo antes do almoço. Ando uns 12 ou 19 passos e chego à porta do Centro dos Correios. O segurança me diz que as portas se abrem ao meio dia. Assim, altero o meu roteiro e jogo essa visita pra depois do show. Enquanto isso passa por mim, pela calçada paralela, uma bela loira com botas marrons que cobrem suas pernas até um pouco abaixo dos joelhos. A expressão da tal beleza não convencional: transgressora, ousada, desinteressada. Mais uma vez, amigos, vem a mente a pergunta: basta ter ciência de que aquele mundo existe?&lt;br /&gt;Já passa das 11 e quinze. É hora de procurar um lugar pra almoçar. Ontem eu tinha pensado em fazer como faço lá em Teresina quando disponho de verba restrita: pastel + caldo de cana (nunca mais de 3 conto) Entretanto, há um porém: isso não vai sustentar-me durante a caminhada até que eu chegue em casa (provavelmente depois das 6) - e mais outro: não vi opções de caldo de cana. Mas eu também não vou entrar em um restaurante pra passar vergonha; ou, pra não passar, comer algo caro.&lt;br /&gt;Vou andando sem norte (leste ou oeste). Passo por diversas opções. Comida de todo canto do mundo. Self-services lotados. Anúncios nas portas gritam promoções. Minha noção de centro de uma cidade não imaginava quantos restaurantes (e de tantos padrões distintos) podem haver nessa região. Bingo. Na dúvida, algum lugar já percorrido. Mc Donald´s. Batatinha, big mac e coca grande certamente me garantirão de pé.&lt;br /&gt;Adentro, compro e subo. No pavimento de cima uma vista de toda aquela correria. Ônibus, táxis (e como são muitos), carros, motos, pessoas. Uma pista com no mínimo umas seis vias  em uma só mão (e como o trânsito no mundo em que vivo é pequeno). Como apressadamente (como de praxe). Olho no relógio e vejo que ainda tenho muito tempo até o show de violão. Diminuo o ritmo mandibular. Vou comendo as batatas (sempre deixo pro final) e vendo a agitação lá embaixo. Termino. Vou ao banheiro trocar o óleo e lavar o rosto e as mãos.&lt;br /&gt;Na saída dou de cara com uma banca de revista. Antes disso tinha dado de cara com uma infinidade de fumantes. A solidão e a presença de tragadas no perímetro que meus olhos ou olfato alcançam não faz bem ao meu auto tratamento. Sucumbo e compro um Carlton. Peço fósforos - são bem mais baratos que um isqueiro - e não vende ali. Acendo no da banca e vou indo - fazendo a digestão da maneira mais prazerosa possível. Compro dois tridentes (1 por R$ 1,50 e dois por R$ 2,50) e tomo o caminho dos shows - já nem preciso do mapa para isso. E como há banquinhas de tridente - diga-se de passagem: exclusivas!&lt;br /&gt;Dando passos e tragadas despreocupados vou com a ideia fixa de estar vivendo um dos mais belos momentos da minha curta, paradoxal e conturbada existência. E o melhor ainda estava por vir.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/759979092695463892-760233721912401326?l=visoesdeca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://visoesdeca.blogspot.com/feeds/760233721912401326/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2011/01/satori-in-rio-4-viajante-solitario-41.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/760233721912401326'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/760233721912401326'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2011/01/satori-in-rio-4-viajante-solitario-41.html' title='Satori in Rio - 4 - Viajante Solitário 4.1'/><author><name>João Pedro Pacheco Chaves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18224213722906219897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/S0amGe-F2SI/AAAAAAAAAFY/IfPYWfVErss/S220/Web+1.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-759979092695463892.post-1217708082626207263</id><published>2011-01-18T22:49:00.002-02:00</published><updated>2011-01-18T23:31:38.432-02:00</updated><title type='text'>Satori in Rio - 3 - Era preciso mais</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Após uma segunda-feira toda em casa comecei a me sentir mal. Em parte porque não sabia ao certo como saciar aquela ânsia. Algo que vez por outra sempre me acomete: será exigir demais querer sempre mais? Ou eu deveria mesmo me contentar com aquele presente do jeito que ele se mostrava a mim, após eu desenrolar o embrulho? Deveria eu ficar ali a deriva enquanto toda aquela paisagem piscava pra mim e me convidava para bailar em seus espaços? O que eu poderia fazer a mais, de mais?&lt;br /&gt;No auge das dúvidas, me veio à memória a imagem daqueles turistas estrangeiros. Muitos com livrinhos nas mãos, consultando mapas e revirando o pescoço em busca do que viam naquelas páginas. E o mais interessante era notar que quase nenhum hablava o português. Foi daí que pensei: se eu posso conseguir os mapas de onde eu quero ir e, ainda por cima, "speako" português; por qual razão eu vou ficar em casa vendo o Rio pela mesma tela que tenho lá na minha terrinha? Estava então decidido. Eu iria para o Rio sozinho. Eu me sentiria turista pela primeira vez na vida, haja vista que aquele que depende de guia ou passa o dia batendo perna num shopping center; ao meu ver, decerto não é turista.&lt;br /&gt;É preciso sentir o cheiro das ruas. O ardor do sol. A vida das pessoas. Como respiram. Como caminham. Como falam. Como são os seus cotidianos. E era isso que eu buscava: me sentir no Rio com meus próprios pés. Informada a decisão a meus cicerones, era hora de traçar a minha rota. Como eu dispunha de uma verba nem ao menos razoável, era preciso definir algumas coisas essenciais. Táxi nem pensar. Comida se exigem em casa. Valores que não se pode olvidar: transporte. Nada de compras; nem mesmo de livros - afinal na grande rede todos estão no mesmo valor.&lt;br /&gt;Eu já tinha ido ao centro e tinha guardado aquela vontade de adentrar naqueles belos prédios. Fui então ao Google Maps e me certifiquei das distâncias entre os pontos que eu almejava conhecer. Construi então um rota bem sortida - aliás, esse adjetivo ao só pude atribuir quando do término do itinerário. Havia mais um ponto: eu tinha que ver o mar!&lt;br /&gt;Da minha ida primeira ao tal centro eu guardei alguns indicativos muito úteis: pegar as barcas, pegar o metrô e como andar naquela selva de pedra daquele centro. Só. Não sabia sobre direções. Sabia apenas identificar os lugares nos quais eu queria entrar. Com o mapa em mãos pude traçar a ordem de visitação e definir por completo o roteiro.&lt;br /&gt;Chegava cada vez mais perto o instante de partir nessa aventura. Sim, pra mim aquilo era uma aventura, por mais que pareça algo normal para você que me lê. E isso fazia explodir a minha habitual dificuldade de dormir. Encostei a cara no travesseiro e nem de longe consigo precisar o quanto demorei pra adormecer. Lembro apenas de a todo instante imaginar que o sonho não se fundiria com a realidade. Que iria acordar e por um motivo qualquer todo o meu planejamento estratégico iria pelo ralo. Sem perceber, por óbvio; adormeci.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/759979092695463892-1217708082626207263?l=visoesdeca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://visoesdeca.blogspot.com/feeds/1217708082626207263/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2011/01/satori-in-rio-3-era-preciso-mais.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/1217708082626207263'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/1217708082626207263'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2011/01/satori-in-rio-3-era-preciso-mais.html' title='Satori in Rio - 3 - Era preciso mais'/><author><name>João Pedro Pacheco Chaves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18224213722906219897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/S0amGe-F2SI/AAAAAAAAAFY/IfPYWfVErss/S220/Web+1.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-759979092695463892.post-5292850603044737063</id><published>2011-01-16T11:13:00.008-02:00</published><updated>2011-01-17T01:16:14.780-02:00</updated><title type='text'>Satori in Rio 2 - Pão de Açúcar</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Peço permissão pra fazer aqui um aparte no que foi dito anteriormente. É preciso fazer uma correção: o sol saiu no segundo dia que fomos ao Rio. Uma bela manhã. Passamos pela ponte e fomos em direção ao Pão de Açúcar.&lt;br /&gt;Mais uma vez a janela do carro tornou-se pequena pra que pudesse admirar, captar, seguir, sentir, acompanhar toda a beleza e o charme das ruas cariocas. Passamos por bairros por demais aconchegantes, belos, elegantes, atraentes e "atraíveis". Fomos avançando pelo aterro do Flamengo, tendo de um lado mais vias, separadas por um meio fio arborizado, e mais além delas belos prédios que despertaram-me aquela já dita nostalgia - dessa vez com uma pitada de rock 80, e dois dedos a menos de bossa. Do outro lado os inúmeros e incontáveis espaços para esporte:  muitas e muitas quadras pra todo tipo de esporte. Infelizmente fazíamos o caminho de carro - e lá é sempre pé embaixo - (aliado àquela janelinha maldita) o que me impedia de fotografar com a pacimônia devida, com essas lentes míopes semi-corrigidas, toda aquela beleza. Talvez fossem mesmo mais aconselháveis aqueles carros de safari africano: completamente abertos e a baixa velocidade. Ou talvez seja preciso morar lá, pra se ter todo o tempo de uma vida pra admirar tudo aquilo.&lt;br /&gt;Andando mais um pouco chegamos a Botafogo. O bairro talvez seja um continuação do Flamengo - ou vice-versa se andarmos em sentido contrário. Um bairro com uma cara mais jovem. Um clima Rock 80 ou mesmo pós bossa. Juventude sentida quando comparado com Copacabana ou Ipanema. Em direção ao mar podemos ver a bela enseada recoberta de barcos.&lt;br /&gt;Continuamos no rastro paralelo ao mar e chegamos ao talvez mais nostálgico dos bairros que tive a honra de ver: Urca. Ali sim há um clima anos 50. Os prédios antigos. As ruas sempre na sombra, dadas as imensas árvores que as embelezam e as guarnessem sobre o meio fio. As calçadas largas. Fomos seguindo pela avenida até chegarmos à área militar da Praia Vermelha, que acomoda (ou é acometida) a escola da guerra naval, o círculo militar e o IME - e outras instituições do Exército.&lt;br /&gt;Pegamos uma fila enorme - de dá volta em praça - pra irmos ao Pão de Açúcar. Nela, diversos turistas de outros diversos lugares do mundo - sejam eles do Brasil ou de outros países. Uma oportunidade interessante de se observar gestos, trejeitos e feições oriundas de outras culturas. E legal perceber como aquelas pessoas vem de tão longe pra apreciar a beleza máxima daquela cidade: sua geografia, seu povo e seu cotidiano.&lt;br /&gt;Tenho uma espécie de "fila-fobia". Uma repulsa imensa que me faz lebrar bancos, lotéricas, fila pra colocar passe em cartão estudantil. Entretanto, ali era diferente. Aquela fila me levaria até o topo. Um lugar incrível. E até que tudo foi rápido.&lt;br /&gt;Pegamos então o bondinho, subindo escadas por dentro de uma pedra. Adentrando no automóvel vamos subindo e vendo aquilo tudo diminuir. Passamos lado a lado com as enormes pedras e chegamos até o Morro da Urca. Com estatura menor que o Pão de Açúcar de lá já temos belas vistas da Zona Sul. Vê-se ao longe o Corcovado e o Cristo de braços abertos lá no alto. Uma área muito grande, arborizada. Um parque sobre um morro. Eu nem mesmo imaginava como era lá em cima. Gratíssima surpresa: uma vista linda, uma área grande com gramado e um museu sobre o lugar.&lt;br /&gt;Neste momento, em cima do Morro da Urca, corri logo pra apreciar aquela vista. Quando pus os braços na proteção avistei duas belíssimas moças. Uma loira e outra de encaracolados cabelos castanhos. Um charme diverso. Não pude identificar de onde vinham. O encantamento que tenho com a França talvez seja como uma visão romântica que tinha (e se concretizou) do Rio - espero um dia poder pisar naquele solo e tornar essa visão também concreta. Quando as moças acenderam aquele Malboro pude perceber que eram "gringas" e quando pronunciaram aqueles (inconfundíveis) fonemas. Bingo. Francesas. Aquele charme próprio daquela dita beleza não convencional.&lt;br /&gt;Pois bem. Voltando à beleza da paisagem. Após algumas fotos (e mais encantamentos com belas moças que por ali passavam) fomos em direção ao Pão de Açúcar. Enquanto estávamos na fila o celular toca e temos a feliz notícia de que Sofia acabava de nascer - parabéns a Carlos Eugênio e Clarina.&lt;br /&gt;Seguimos então e desembarcamos no tal Pão de Açúcar. E que lugar legal. Uma joalheria de um lado e um bar/lanchonete de outro. E como o Rio de Janeiro é lindo. Dali podemos ver toda a geografia curiosa da coisa. Morros que vão e vem. Aos seus pés centenas de prédios e casas e gente. Uma cidade rodeada pelo escuro das pedras em mescla com o verde das matas que as recobrem. Seguindo a vista o amarelo das areias que se banham no azul do belo mar. Vemos Copacabana, a Praia Vermelha, a Enseada de Botafogo, Flamengo. A imensidão da ponte. A Ilha do Governador lá atrás. A ponte a atravessar a baía. A pista a beira mar do Santos Dumont. Uma visão geral do Centro e da Zona Sul.&lt;br /&gt;Passamos um bom tempo lá em cima. Os olhos não se contentam nunca. Sempre ávidos por aquela paisagem esplendorosa. Umas três ou cinco latinhas. Mais uma vez as tais lentes míopes semi-corrigidas esbarram em outras lindíssimas francesas. Após algumas horas lá em cima era, infelizmente, hora de descer e voltar. No caminho vemos, no Morro da Urca, os primeiros bondinhos e a história do passeio. Como será que eles iam naquele carrinho lá pra cima? Tecnologia é realmente (quase) tudo.&lt;br /&gt;Descemos e a fila ainda era de arrodear praça. Como o carro estava longe, demos uma caminhada por uma avenida da Urca. Sentido o cheiro de anos 50/60. Uma calmaria enorme. Um bairro muito convidativo. Passamos também pela Faculdade Nacional de Medicina - uma bela fachada. No percusso de volta a Niterói passamos por Laranjeiras, Cosme Velho e por alguns dos bairros da ida.&lt;br /&gt;Em um dado momento cruzamos com uma placa: UPP da Providência. Era a favela da Providência. Ainda não tinha visto uma desde que havia chegado. Realmente é algo impactante. Imaginar todas as pessoas vivendo ali, amontoadas naquele terreno íngreme e naqueles becos, sem condições mínimas de saneamento ou assistência estatal. É nessa hora que senti que toda aquela beleza é pra turista ver, infelizmente. Percebi que o estado talvez faça um trabalho legal pra atrair divisas e dindim pelo turismo e que não sabemos onde vai parar ao certo. Presumo que não seja pra atenuar (e progressivamente ir erradicando) aquela situação. Enquanto isso avistamos espaços desprovidos, esquecidos, retirados, ignorados. Parece que não pertencem ao dito asfalto ou que não são "englobados pelo asfalto".&lt;br /&gt;Fomos rumo a Niterói e almoçamos em um simpático restaurante de frente pra uma lagoa bem bonita com muitos passáros a passearem sobre ela. Lindo fim de tarde. E aquela imagem da Providência ficou na cabeça. E eu ainda veria mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/759979092695463892-5292850603044737063?l=visoesdeca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://visoesdeca.blogspot.com/feeds/5292850603044737063/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2011/01/satori-in-rio-pao-de-acucar.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/5292850603044737063'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/5292850603044737063'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2011/01/satori-in-rio-pao-de-acucar.html' title='Satori in Rio 2 - Pão de Açúcar'/><author><name>João Pedro Pacheco Chaves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18224213722906219897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/S0amGe-F2SI/AAAAAAAAAFY/IfPYWfVErss/S220/Web+1.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-759979092695463892.post-2528907051487295458</id><published>2011-01-11T11:35:00.005-02:00</published><updated>2011-01-15T01:41:46.932-02:00</updated><title type='text'>Satori in Rio - 1 - Centro e Copa</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Antes de tudo é preciso deixar algumas coisas bem claras, a fim de evitar possíveis confusões hermenêuticas (ainda que esta seja minha maior despreocupação quando venho por aqui). A escrita deste testemunho está acima (ou abaixo) de bairrismos. Não é porquê eu vá exaltar as qualidades de outro canto que não o meu de nascimento que estarei (de pronto) renegando  o local onde me pariram. Não é por esse mero fato que eu esteja diminuindo minha terra primeira. Isso é necessário, pois parece que alguns padecem de uma espécie de complexo que tem como sintoma uma teimosia (uma espécie de reacionário às avessas) que insiste em a todo momento querer dar o lugar ao sol (merecido, sim) àquilo que gosta - quase sempre minoritário ou de diminuto conhecimento geral. É como uma vez vi um rapaz expressar seu desapreço pela Bossa Nova (e seus protagonistas) estranhamente para no fim dizer que a razão está é com Tom Zé (segundo o camarada, o músico disse que a Bossa originou o Funk carioca).&lt;br /&gt;Na mesma ocasião lá veio o cara dizer que, contra uma observação a respeito da poesia nas músicas de Chico Buarque, que tem que valorizar é Patativa, Luís Gonzaga, baião, cultura nordestina... Naquele momento eu não fazia um exercício sobre a situação da cultura nordestina no contexto nacional. Muito menos uma comparação entre a arte produzida no dito "sul do país" (por mais que João Gilberto e Caymmi sejam do Nordeste) e a produzida neste ponto quente do Brasil. Era tudo apenas uma observação acerca de determinado ponto do reta - e não sobre seus infinitos pontos.&lt;br /&gt;Aqui faço o mesmo. Uma descrição daquilo que senti naquele ambiente. Ao respirar aquele ar. Ao sentir o seu cheiro. Ao ouvir o sotaque de seus habitantes. Ao sentir o Rio. Então vamos a ela, após essa (desnecessária) explicação.&lt;br /&gt;Talvez seja mesmo impossível escrever algo sobre as sensações causadas em nós por estarmos no Rio de Janeiro, sem cair em alguma obviedade. O Rio continua, é e sempre será (talvez) lindo. Uma geografia inusitada que culminou em uma cidade, de fato, maravilhosa. Talvez Kubitschek tenha feito uma das obras mais fundamentais para a cidade: expulsado de lá a burocracia nacional. E talvez isto tenha consolidado a vocação (natural, por óbvio) boêmia, cultural, artística.&lt;br /&gt;Com o avião rumo ao chão fui tomado por uma inspiração e um entusiasmo indescritíveis. Ver aqueles morros cobertos de vegetação e por casas. Ver a baía com vários navios a habitá-la. Ver a imensidão da ponte. Não fosse por uma dor de ouvido infernal, os sentimentos ali ditos teriam sido mais intensos.&lt;br /&gt;Descemos do meio de transporte e a ansiedade pra sair daquele aeroporto era imensa, mas era preciso esperar os anfitriões. Ao sair de lá e adentrar no carro, a janela ficou pequena. Era uma paisagem tão estonteante que foi preciso esticar o pescoço pra cá e pra lá pra (tentar) contemplar aquilo tudo. Fomos direto para Niterói - e esta cidade me deu outras impressões que merecem um outro espaço.&lt;br /&gt;Ao voltarmos para o Rio, sem janelas e sem a velocidade do automóvel, o esplendor foi ainda maior. A ruas largas. A quantidade incontável de árvores imensas em pleno centro da cidade. A arquitetura mista - tendo ora construções modernas e imponentes, ao lado daqueles prédios charmosos com cara de anos 50 e 60, logo em frente prédios históricos cheirando a história viva. Apesar de eu estar bem afastado da igreja católica não dá pra não se emocionar com as belíssimas igrejas da cidade, repletas de detalhes mínimos que parecem ter levado um século para ficarem prontas. A beleza da Igreja da Candelária - de suas esculturas, seu teto, seu altar. E ao mesmo tempo uma sensação estranha ao imaginar o palco (há uma pintura em vermelho no chão pra simbolizar as crianças ali - covardemente - assassinadas) de crimes bárbaros: a chacina da Candelária.&lt;br /&gt;O mais impressionante - e mais atraente -  é ver a quantidade de espaços culturais: sejam eles museus, centros culturais, teatros. O cheiro doce e envolvente da arte permeia-nos em pleno centro comercial - lugar onde as pessoas correm pra lá e pra cá em busca de ganharem (em) suas vidas. Por falar em ganhar, os tais centros de cultura oferecem cultura de qualidade (e esse "conceito" é mesmo muito particular) a preços (mais baratos que) de banana.&lt;br /&gt;Impressiona também a quantidade de turistas - longe, muito longe da falácia que alguns ousam dizer: "eu não iria nem de graça pro Rio, pra que? levar bala pedida?" E esse é mais outro ponto que asseverou a visão romântica do local. Lá andei despreocupado, sem aquela sensação de medo ou temor. Ainda que eu estivesse lá entretido com todo aquele ambiente, e  de algum modo sempre "veaco" - como se diz - nada de extremos modos medosos me acometeram. Além disso, não há uma presença amedrontadora de policiais com fuzis apontados pras nossas fussas. Claro que eles estão presentes, mas nada que nos faça lembrar alguma visão de guerra.&lt;br /&gt;Há sempre alguma mesa de bar (ou de buteco) na calçada, com pessoas papeando, com um chopp brilhando sobre a mesa. E como se fuma naquela cidade. Decerto que fumantes não se sentem incomodados, ou melhor, incomodando. Há sempre alguém em pé e um pouco distante de sua mesa dando uns tragos. Assim como há também sempre alguém apressado "descansando" com um "branco" entre os dedos.&lt;br /&gt;Há um ponto bem interessante que concentra tudo isso aí que foi dito. Avenida Rio Branco. Seguindo pelas suas calçadas rumo à histórica Cinelândia (lugar de inúmeras manifestações políticas) encontramos (quase) lado a lado O Teatro Municipal, o Museu Nacional de Belas Artes e a Biblioteca Nacional. Muita história, muita arte, muita cultura, um banho de arquitetura. Detalhes demais que meus pobres olhos míopes esforçavam-se para alcançá-los. Além destes há ali o tradicional Bar Amarelinho (desde 1921) - com seu ótimo chopp e comida.&lt;br /&gt;Pegamos, após pausa pro almoço e 2 choppinhos, um metrô (novinho por sinal) e fomos até Copacabana. Na caminhada rumo à praia passamos por butecos bem charmosos. Pequenos (e aconchegantes) por dentro e com mesas espalhadas pelas calçadas. Pessoas em conversas empolgadas, com copos de cerveja empunhados, exalando um misto de despretensão e alegria. Ao chegarmos à praia um choque. É meio estranho estar em um lugar que é sempre visto em fotos ou vídeos pela TV. Eu sempre sonhei (no sentido de querer) em estar no Rio - e a razão não saberia dizer - mas de fato eu estava lá. Com os dois pés na areia quente. Com as pernas sendo carinhosamente acariciadas pelo fim das ondas. Observando aquelas pessoas na longa extensão da praia.&lt;br /&gt;O mais curioso de tudo é que nos 10 dias que lá estive o sol ficou de mal e resolveu de esconder. Justo quando pisamos em Copa o astro rei nos sorriu abertamente, refletindo toda o seu esplendor naquele belo mar azul.&lt;br /&gt;Bom, é melhor eu parar por aqui. Este foi apenas o meu segundo dia pelo Rio. Saímos de Niterói pela manhã e só retornamos no fim da tarde. Minha tia - anfitriã impecável - nos levou pelos belos pontos do centro da cidade (inclusive na tradicional - desde 1894 - e luxuosa Confeitaria Colombo). No fim da tarde fomos até a dita praia. Voltei pra casa com uma sensação de que era preciso repetir aquela trilha à minha maneira.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/759979092695463892-2528907051487295458?l=visoesdeca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://visoesdeca.blogspot.com/feeds/2528907051487295458/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2011/01/satori-in-rio-1.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/2528907051487295458'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/2528907051487295458'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2011/01/satori-in-rio-1.html' title='Satori in Rio - 1 - Centro e Copa'/><author><name>João Pedro Pacheco Chaves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18224213722906219897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/S0amGe-F2SI/AAAAAAAAAFY/IfPYWfVErss/S220/Web+1.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-759979092695463892.post-2839332289833419781</id><published>2011-01-07T16:07:00.002-02:00</published><updated>2011-01-07T16:52:23.200-02:00</updated><title type='text'>Últimos dias de 2010</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O ano velho se ia deixando em mim uma sensação que não conseguia expressar, tampouco explicar. Conhecendo (e reconhecendo) novas pessoas. Uma sede imensa do contato com gente, tanto que as longas e prazerosas conversas à distância nem ao menos ousava iniciar. Um fim de ano intenso, cercado de revelações, promessas (que justo assim não deveriam ser nomeadas) de novas formas de relacionar-se, reaproximações, superação de sentimentos causadores de sensações desconfotáveis e desconfortantes. Em meio a esse turbilhão a vida impôs a merecida parada. Era, de fato, uma pausa pro lazer, pra liberdade, pra esquecer a hora do despertar (e do despetador), pra transgredir o tempo, pra implodir a própria inspiração. Como toda nova sensação - naturalmente sem entendimento claro - vem um certo receio. Mas decerto era apenas o intervalo de tempo até a data (histórica) que se avizinhava mais e mais. &lt;br /&gt;Estavam próximos, muito próximos - no tempo - os dez dias que abalariam meus mundos. Estavam distantes em minha consciência. Talvez porquê era algo tão inacreditável que fosse tudo aquilo um sonho ou mero engano. Era mesmo um sonho. Era o sonho se fundindo com a realiadade como num eclipse, mas com a simples diferença que a sobreposição de ambos não fazia com que um deles ofuscasse o outro. E há algo mais belo do que a fusão do sonho com a realidade? Nos percorre nesse momento uma espécie de feixe de luz que, ao chegar à mente, alumia-nos por completo. Abre nossas esperanças a novas possibilidades. Propulsiona nossa inspiração. Faz surgir novas e loucas ideias - digo loucas, em parte pelo simples fato de sua excentricidade e por serem tão incríveis (no sentido de serem fora do comum) que nos parecem delírios, devaneios. Mas elas persistem por algum motivo e só nos resta enlouquecer na fantástica aventura de desenvolvê-las.&lt;br /&gt;Experimentei do efêmero sabor do perdão. Passageiro porque dura exatamente o tempo de um mero instante, em que atropelo sentimentos desagradáveis e fatos passados para transmutá-los, instantaneamente, naquilo que um dia se viveu antes daquilo que ocorreu pra haver justamente o tal perdão. Foi como reabrir as portas para os grandes, verdadeiros e distintos (em ambos os sentidos) amigos. Foi como sentir o fim e o começo de um ciclo. Se foram longos e duros anos de autoconhecimento, perdição de mim mesmo, ousadia e desassossego.&lt;br /&gt;Mas a superação (e não apenas o fim) de um ciclo tão intenso e diverso como este foi não poderia ter seu termo com o simples fim de um dado ano. Era preciso mais. Era necessário um marco. Era preciso dar a mão da realidade à mão do sonho e fazê-los abraçarem-se.&lt;br /&gt;A sensação a que me referi na primeira linha - tão semelhante a uma espécie de angústia - era mesmo a expectativa pelo Samba do Avião - "dentro de mais um minuto estaremos no Galeão". Eu não estive no Galeão. Mas de que importa, afinal lá estava eu no Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/759979092695463892-2839332289833419781?l=visoesdeca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://visoesdeca.blogspot.com/feeds/2839332289833419781/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2011/01/ultimos-dias-de-2010.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/2839332289833419781'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/2839332289833419781'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2011/01/ultimos-dias-de-2010.html' title='Últimos dias de 2010'/><author><name>João Pedro Pacheco Chaves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18224213722906219897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/S0amGe-F2SI/AAAAAAAAAFY/IfPYWfVErss/S220/Web+1.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-759979092695463892.post-3234329542109960851</id><published>2011-01-06T19:27:00.005-02:00</published><updated>2011-01-06T19:39:51.503-02:00</updated><title type='text'>Satori em Paris (1966) - Jack Kerouac</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/TSY08Q6ZXII/AAAAAAAAAJ8/PaHf_nU7xFU/s1600/satori%2Bem%2Bparis%25281%2529.jpg"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center; cursor: pointer; width: 130px; height: 220px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/TSY08Q6ZXII/AAAAAAAAAJ8/PaHf_nU7xFU/s320/satori%2Bem%2Bparis%25281%2529.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5559188999972150402" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Em uma pausa no aeroporto de Brasília entrei numa livraria. Dadas as condições financeiras de contenção de despesas até a chegada ao destino, corri pra ala “pocket”. De cara vi alguns títulos já conhecidos, como On The Road e Crime e Castigo. No avançar da busca topei a vista com o nome escrito em grandes letras brancas (até a ofuscar o próprio título) em uma capa meio azul meio lilás com um desenho da torre Eiffel em bronze: JACK KEROUAC. O tal título: Satori em Paris.&lt;br /&gt;É preciso trazer o esclarecimento acerca do vocábulo “Satori”. Este, de origem japonesa, quer dizer, como diz o próprio Kerouac: “iluminação súbita, despertar súbito, ou simplesmente ‘chute no olho’”. Nas frases seguintes à explicação o autor nem ao certo sabe dizer em que mesmo constituiu essa iluminação tida nos dez dias em que viveu em Paris. Sua ida até a cidade luz, e a outros destinos na França, tem como mote a busca por informações acerca de suas raízes; que remontam à região da Bretanha – oeste francês.&lt;br /&gt;A obra segue o mesmo ritmo das demais obras do cara (pelo menos das que eu pude ler) e trata dos 10 dias em que Kerouac esteve na França em busca de vestígios acerca de suas origens. Ele busca registros em bibliotecas e arquivos públicos até chegar a uma pista acerca de pessoas com o seu mesmo sobrenome. Vai então até a Bretanha e encontra as informações, apresentadas no livro de maneira bastante rápida (e em francês). Parece que o tal “satori” vem da própria andança. Das experiências. Das amizades. Dos costumes a que se depara. De Paris, da França. Da Bretanha. Das mulheres.&lt;br /&gt;A prosa segue o mesmo ritmo. É Kerouac sendo Kereouac. Com suas frases que parecem ser escritas pela própria visão, na velocidade mesma de suas observações. Uma capacidade incrível de guardar os detalhes e trazê-los fielmente ao papel. De maneira geral a obra tem pontos altos em algumas boas descrições de fatos que se passam com o autor, sobretudo com a revelação de sua própria personalidade e de como se porta ante os mesmos. Entretanto, não é um grande livro (a meu ver). Por vezes me senti perdido em idas e vindas sem um fio de lógica.&lt;br /&gt;Senti-me meio disperso também pelo meu próprio satori, ainda que não tenha sido em Paris. Mas esse já é trama pra outro(s) espaço(s), que acabo de achar até o título: “&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Satori in&lt;/span&gt; Rio” &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Niterói - 2/11/2011&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/759979092695463892-3234329542109960851?l=visoesdeca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://visoesdeca.blogspot.com/feeds/3234329542109960851/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2011/01/normal-0-21-false-false-false-pt-br-x.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/3234329542109960851'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/3234329542109960851'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2011/01/normal-0-21-false-false-false-pt-br-x.html' title='Satori em Paris (1966) - Jack Kerouac'/><author><name>João Pedro Pacheco Chaves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18224213722906219897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/S0amGe-F2SI/AAAAAAAAAFY/IfPYWfVErss/S220/Web+1.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/TSY08Q6ZXII/AAAAAAAAAJ8/PaHf_nU7xFU/s72-c/satori%2Bem%2Bparis%25281%2529.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-759979092695463892.post-8709211842901819641</id><published>2010-12-26T13:21:00.002-02:00</published><updated>2010-12-26T15:09:34.063-02:00</updated><title type='text'>"Quando o carnaval chegar"</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-8b2de36ed9b40fa3" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/get_player"&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF"&gt;&lt;param name="allowfullscreen" value="true"&gt;&lt;param name="flashvars" value="flvurl=http://v15.nonxt8.googlevideo.com/videoplayback?id%3D8b2de36ed9b40fa3%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1330233463%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3DCD660F562713926869AA0EECEFB71B833CA9145.77E6E26B25BF6FAF676854207C585B795B6B073F%26key%3Dck1&amp;amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3D8b2de36ed9b40fa3%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DfF579nsGPv3PAOFMFf0A7FJ5tcM&amp;amp;autoplay=0&amp;amp;ps=blogger"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/get_player" type="application/x-shockwave-flash"width="320" height="266" bgcolor="#FFFFFF"flashvars="flvurl=http://v15.nonxt8.googlevideo.com/videoplayback?id%3D8b2de36ed9b40fa3%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1330233463%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3DCD660F562713926869AA0EECEFB71B833CA9145.77E6E26B25BF6FAF676854207C585B795B6B073F%26key%3Dck1&amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3D8b2de36ed9b40fa3%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DfF579nsGPv3PAOFMFf0A7FJ5tcM&amp;autoplay=0&amp;ps=blogger"allowFullScreen="true" /&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;"No peito dos desafinados também bate um coração"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;2&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/759979092695463892-8709211842901819641?l=visoesdeca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://visoesdeca.blogspot.com/feeds/8709211842901819641/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2010/12/quando-o-carnaval-chegar.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/8709211842901819641'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/8709211842901819641'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2010/12/quando-o-carnaval-chegar.html' title='&quot;Quando o carnaval chegar&quot;'/><author><name>João Pedro Pacheco Chaves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18224213722906219897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/S0amGe-F2SI/AAAAAAAAAFY/IfPYWfVErss/S220/Web+1.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-759979092695463892.post-4145089369001936061</id><published>2010-12-15T22:01:00.005-02:00</published><updated>2010-12-16T23:14:45.424-02:00</updated><title type='text'>E agora João?</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma angústia profunda se abateu em mim hoje (15/12). O mais estranho de tudo é que no ambiente que eu mantinha intocável. O lugar aonde faço minhas loucas terapias: o trabalho. Eu sempre tive duas coisas muito firmes em minha mente: a de que eu queria seguir uma carreira e a de que a prática (do trabalho) é de fato "problemática".&lt;br /&gt;Por um período quase que eu abandono o sonho de seguir uma carreira por conta de um (ilusório) encantamento por outras espécies de carreiras. Entretanto, consegui acordar a tempo e perceber as nítidas diferenças entre os tipos. Além de perceber que o sonho é insuperável, seja quão seja grande o encanto que se abata sobre nós.&lt;br /&gt;A carreira escolhida foi a do direito. Desde a infância eu sempre alimentei esse ideal, por mais que hoje eu não faça a mínima idéia do porquê disso. De toda forma eu mantive a decisão de outrora e acabei caindo nesse lugar aí. Somente no corrente ano que se encerra eu pude perceber o quanto a prática é cruel e quão imensa é a distância que a separa das portas da academia (imagine aí a "lonjura" para a própria sala - e mais ainda para a biblioteca).&lt;br /&gt;Com aproximar do fim do ano sempre sou tomado por um dever (moral) de prestação de contas referente ao exercício. E hoje tive mais um puxão de orelha para não prolongá-la. Nada mais que uma gota d'água na imensidão de absurdos que venho testemunhando nesse período.&lt;br /&gt;Naturalmente sou desconfiado com essa coisa de revolução ou ultrareformas. Não por elas em si, mas pela própria possibilidade de que ocorram de fato. Consolido, a cada dia, que a "justiça" (na verdade o judiciário) é um bom caminho para que boa parte de nossos problemas sejam solucionados. Podemos anular leis, condenar alguns dos corruptos (vez que o resto tem foro privilegiado), recuperar dinheiro sujo (ainda que lavado), solucionar conflitos de família, resolver briga de vizinhos, obrigar aqueles que desdenham da arte a baixar o volume. Enfim, podemos muito.&lt;br /&gt;Entretanto, também sou naturalmente desconfiado com o sórdido argumento de que o juiz tem que ser, acima de tudo, sábio, parcimonioso, prudente. Mas diz aí como definir se alguém é sábio ou age com prudência? Se assim devesse ser não precisaríamos carregar nas costas o árduo fardo de um vade mecum. Se assim fosse nem pra academia precisaríamos ir. Afinal não conheço nenhum método que ensine sabedoria. Por outro lado uns "espetinhos" ganhariam rios de dinheiro lançando "Curso de Prudência descomplicada" - enquanto outros milhões de bobinhos esgotariam todas as edições.&lt;br /&gt;Mas, contrariando todas as estatísticas, os juízes com mais anos de contribuição pra previdência julgam ter essas (pseudo)qualidades. E daí vem meu espanto (e desespero). Em uma audiência de sobre direito de convivência dizem ao pai que quer regulamentar seu direito de visitas que este só terá quatro dias por mês (e durante 10hs em cada um destes) para criar vínculos com o filho. Em uma de alimentos o parquet (fazendo as vezes de magistrado - a "pedido" deste) tenta convencer uma mãe que busca a vulga P.A. à filha a ficar com uma casa (em que ambas moram) e esquecer a pensão. Em outra, um defensor (dito público) diz ao cliente (na verdade assistido) que aquele é o melhor acordo que ele já havia feito em 20 anos de profissão - sem nem ao menos saber das condições do mesmo em honrá-lo. E ainda tem aquele servidor que diz que advogado que cobra o cumprimento do direito fundamental à celeridade processual é porque tem pouco cliente (ou apenas aquele).&lt;br /&gt;Como se não bastasse esses absurdos, hoje me deparo com a tal gota d'água. Um livro (imundo) que passo a passo traz decisões interlocutórias (decisões em um processo que não são sentenças - grosso modo) prontas. O tal juiz só tem o trabalho de digitar o que tá lá escrito. Acrescente-se que é indicado, sobretudo, para "juízes novos". Sem falar num prefácio assinado por um ministro do STJ - que faz questão de falar no sucesso do livro. Junto a esse há a série Teotônio Negrão que oferece para cada artigo, inciso, alínea e parágrafo uma série de decisões de outros juízes em conluio (a famosa jurisprudência) Um verdadeiro &lt;span style="font-style: italic;"&gt;drive true&lt;/span&gt; de decisões judiciais.&lt;br /&gt;Em meio a tudo isso nem sei pra onde ir. Fico pensando em como tornar concreto os direitos que nos são garantidos fundamentalmente. Como fica a confiança das pessoas que a põem no judiciário, em clara desilução com as outras tabernas do poder?&lt;br /&gt;Em meio a tudo isso se debatem e se agridem dentro de mim dois sentimentos contrário. De um lado do ring o de prosseguir, me dedicar e tentar consertar o mínimo que seja. Na outra ponta um sentimento (forte) pra abandonar todo esse teatrinho bobo e seguir por outro caminho mais livre e mais verdadeiro. Este último (quase) sempre é nocauteado pelo estranho pressentimento de que isso é desistência, fraqueza.&lt;br /&gt;E agora João?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;i&gt;Sozinho no escuro&lt;br /&gt;qual bicho-do-mato,&lt;br /&gt;sem teogonia,&lt;br /&gt;sem parede nua&lt;br /&gt;para se encostar,&lt;br /&gt;sem cavalo preto&lt;br /&gt;que fuja a galope,&lt;br /&gt;você marcha, José!&lt;br /&gt;José, pra onde?&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;(Drummond)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/759979092695463892-4145089369001936061?l=visoesdeca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://visoesdeca.blogspot.com/feeds/4145089369001936061/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2010/12/e-agora-joao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/4145089369001936061'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/4145089369001936061'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2010/12/e-agora-joao.html' title='E agora João?'/><author><name>João Pedro Pacheco Chaves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18224213722906219897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/S0amGe-F2SI/AAAAAAAAAFY/IfPYWfVErss/S220/Web+1.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-759979092695463892.post-4996657486845526901</id><published>2010-12-12T14:37:00.005-02:00</published><updated>2010-12-12T21:28:31.968-02:00</updated><title type='text'>Tristessa (1960) - Jack Kerouac</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/TQUMKkGoYXI/AAAAAAAAAJo/CvB2RWR48Rw/s1600/tritessa%252Bjack%252B%252Bkerouac.jpg"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center; cursor: pointer; width: 171px; height: 254px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/TQUMKkGoYXI/AAAAAAAAAJo/CvB2RWR48Rw/s320/tritessa%252Bjack%252B%252Bkerouac.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5549855491433718130" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É sempre um prazer imenso acompanhar Kerouac. Seja pela desenvoltura de sua prosa. Seja pela incrível viagem que sempre empreende. Seja apenas por uma questão de identificação pessoal. Em On the road vemos um Jack desafiador, sempre rodeado de uma teia de amigos, sempre em busca de mais uma estrada. Em Viajante Solitário, Jack passeia pelo mundo sozinho. Mas nas duas obras Kerouac mantém sua característica principal (a meu ver): o dom da observação.&lt;br /&gt;Iniciei a viagem por Tristessa nessa mesma espectativa, esperando um apelo libertário e aventureiro. De fato isto aí está presente, entretanto uma surpresa se apresentou a mim. A obra trata da andança de Jack pelo México, em especial de sua paixão por Tristessa. O cenário de tudo isso é o vício das drogas, em especial por morfina.&lt;br /&gt;O início da narrativa é um pouco exagerado em que o autor trata com excesso, a meu ver, de sua relação com alguns animais (assim como exagera na descrição da profissão de guardafreios em Viajante Solitário). Com o passar das páginas vem aquele sentimento que me surpreendeu. Somos tomados por uma espécie de melancolia e aflição pela condição que temos desenhada. São dois viciados que se arrastam pela vida, sempre tendo como único norte a próxima dose, o próximo pico.&lt;br /&gt;Se agiganta aqui a beleza inconfundível da prosa transparente e espontânea de Jack que sem nenhum lirismo nos descreve a situação que vive na exata velocidade de sua mente. Parece que ele vê, reflete e coloca tudo no papel - em um impulso só. A verdade de suas descrições nos desperta esses tais sentimentos e nos mostra todo o vazio de existências perturbadas pelo vício.&lt;br /&gt;A coisa da identificação com Kerouac vem de uma maneira dupla: pela sua própria personalidade (em alguma medida) e pela própria prosa (também em alguma medida). A coisa de ser observador. De contar a vida. De refletir. De ficcionar a realidade. Ainda que minha (pretensa) prosa esteja a anos luz da dele, sinto um prazer enorme e busco isso pra mim: uma escrita despretenciosa, espontânea, natural.&lt;br /&gt;A obra se divide em duas partes. A primeira parte é recheada de referências budistas. É tomada, como dito, de descrições sobre a relação de Jack com os animais, o que torna o começo um pouco "cansativo". No meio desse primeiro capítulo, Kerouac vai a rua e então nos descreve as ruas da Cidade do México. No segundo capítulo nos são trazidos os sentimentos de lamento, arrependimento, tristeza e pena. Jack nos traz as impressões do que resulta de uma vida entregue às drogas. Impossível não fazer paralelos com a realidade que nos cerca.&lt;br /&gt;É sempre um prazer acompanhar Jack. Sua prosa nos envolve de um modo único por parecer falar com a própria consciência de uma maneira incrivelmente espontânea e natural. A única ressalva à obra é a tradução, que de início parece um pouco confusa - ressalte-se que o tradutor não é o Eduardo Bueno (o de On the road).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trechos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Vício e sofrimento. Como doenças de loucos, encefalites insanas por dentro do cérebro onde você destrói sua saúde de propósito para agarrar uma sensação de débil satisfação química que não tem qualquer base em coisa alguma além da mente-pensante" (p. 40)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Ninguém conhece um viciado como outro viciado" (P. 98)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Vou escrever histórias tristes e compridas sobre pessoas na lenda de minha vida - este é meu papel no filme, vamos ouvir o seu". (p. 101)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/759979092695463892-4996657486845526901?l=visoesdeca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://visoesdeca.blogspot.com/feeds/4996657486845526901/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2010/12/tristessa-1960-jack-kerouac.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/4996657486845526901'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/4996657486845526901'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2010/12/tristessa-1960-jack-kerouac.html' title='Tristessa (1960) - Jack Kerouac'/><author><name>João Pedro Pacheco Chaves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18224213722906219897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/S0amGe-F2SI/AAAAAAAAAFY/IfPYWfVErss/S220/Web+1.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/TQUMKkGoYXI/AAAAAAAAAJo/CvB2RWR48Rw/s72-c/tritessa%252Bjack%252B%252Bkerouac.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-759979092695463892.post-4693935511074911054</id><published>2010-12-06T22:32:00.008-02:00</published><updated>2010-12-08T00:46:32.290-02:00</updated><title type='text'>Como Paula e Bebeto - 3</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;No capítulo anterior:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://visoesdeca.blogspot.com/2010/12/como-paula-e-bebeto-2.html"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;http://visoesdeca.blogspot.com/2010/12/como-paula-e-bebeto-2.html&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois é. Fica o dito e o redito por não dito. Mas não é difícil dizer o quanto tudo parecia lindo. Parecia ser um mundo impossível tornado prático. Não vamos aqui usar o velho e fajuto clichê de que ali havia uma relação perfeita, mas decerto rabiscou-se um rascunho belamente interessante e admirável.&lt;br /&gt;Pires partiu com a sensação de que um momento único se perdeu por entre seus dedos. Esbarrou a sua convicção de buscar uma  relação "fixa" pautada em personalidades múltiplas, ousadas e intensas, tendo em sua base toda a identificação propiciada por uma cultura sólida, pertinente e profunda; desaguando em um companheirismo pleno e em intensos desejos de peles quimicamente ligadas - sem o perecimento do mínimo milímetro da individualidade e da liberdade. Esbarrou na convicção de Nina de que isso era mesmo belo (e até querido), mas que no fundo era um risco a toda a construção que ela havia feito de seus ideais de inovação e revolução. A ela parecia que deixar que aquilo tudo fluísse era deixar sucumbir-se à mediania e aos padrões, o que naturalmente sucumbiria toda a sua racionalidade.&lt;br /&gt;Do embate de convicções veio a partida. Pires constantemente dizia que sua racionalidade reconheceu que a vida não se submete aos limites melindrosamente traçados pela razão. A emoção sempre aflora e se agiganta diante de si. Nina até reconhecia isso aí, por vezes dizia que acreditava mesmo que não era possível um controle extremo de tudo, mas ainda assim ia até os limites de si para manter algum (máximo) controle.&lt;br /&gt;Dessas loucas e engenhosas idéias os dois partiram. Pires César foi com o violão nas coisas percorrendo espaços em tragadas desleixadas; com o pensamento sempre distante. Se afogava num mar de palavras que roubavam seu pensamento e faziam Nina estar longe; ainda que por vezes as frases lidas ficassem distantes e Nina a dois passos de seu pensamento. Já ela partia para desafios essenciais e impreteríveis. Foi pra longe de Pires em busca dos primeiros passos firmes de seus sonhos; em busca de fazê-los concretos.&lt;br /&gt;Mas, passados os momentos cruciais dos tais desafios, foi inevitável que sempre se vissem. Pires César não sabia como agir. Por vezes fugia com seus olhos brilhantes do encontro fulminante com os olhos dela. Por vezes ia à procura dela, mas sempre sentia o leve espetar dos espinhos que Nina portava.&lt;br /&gt;Pobre homem. Mal sabia ele o que se passavam na cabeça daquela dama. Enquanto fazia esforço pra não ficar enclausurado naquela prisão nostálgica, mal sabia que Nina ponderava sobre a força de sua racionalidade.&lt;br /&gt;Nina então arma um (re)encontro. Os olhos sorriem embebidos em um mar que inebria-os. As palavras lhes faltam e então um longo beijo passeia sob a luz de uma lua intensa; desaguando em um abraço apertado e de saudade. Passam uma linda noite. Confessam sensações vividas nesses meses de distanciamento. Acordam sob a luz de um céu azul e de um sol brilhante e sereno. Riem da beleza e da falta de sentido de suas próprias vidas.&lt;br /&gt;A volta à realidade faz Pires sonhar. Inspira-o. Escreve intensamente. Suas palavras fluem na incrível velocidade dos pensamentos. Ficciona os próprios sentimentos e expoem-nos à leitura de todos. Nina sorri a toa. Mas ainda a preocupa o ímpeto que a une ao rapaz. Sente um bem estar e uma inspiração fascinantes. Ainda assim pondera.&lt;br /&gt;Os meses vão passando. Pires e Nina vão cumprindo o acordo traduzido nas palavras escritas por Caetano: "então tá combinado, é quase nada; é tudo sexo e amizade. Não tem nenhum engano nem mistério. É tudo só brincadeira e verdade. Podemos ver o mundo juntos. Sermos dois e sermos muitos". Foi assim que Pires propôs a Nina.&lt;br /&gt;&lt;div id="rangeSel"&gt;Pobre dama. Mal sabia ela que ele a enganava. Ainda que sem plena convicção de que conseguiria, Pires prosseguiu. Os dias passavam e ele foi esperando o que sabia, mas receava acreditar. Tinha medo de cantar a ela o Baú do Mombojó - sabia que a assustaria, que estaria descumprindo o acordo que tinham firmado. O jeito então foi apelar para seu plano oblíquo.&lt;br /&gt;Mais meses se seguiram e os dois entoavam em um lindo dueto: "Então tá tudo dito e é tão bonito. E eu acredito num claro futuro de música, ternura e aventura". Encontraram um velho amigo que ao vê-los tão juntos e tão íntimos indagou Pires Cesar: "Cara que mágica tu fizeste para essa moça se tornar tão sentimental?" Nina Taís caiu na risada e Pires respondeu de maneira simples, direta e convincente: "Eu só a enganei".&lt;br /&gt;No início do dia, abraçados à beiramar a contemplarem o belo horizonte que divide e mistura o azul do céu com o azul das águas vêem o nascimento de mais um ano juntos. Por algum motivo qualquer lembram da tal música de Caetano e se percebem em Tá Combinado e sorriem da constatação de que "a beleza de tudo é a certeza do nada". E se percebem como Paula e Bebeto.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/759979092695463892-4693935511074911054?l=visoesdeca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://visoesdeca.blogspot.com/feeds/4693935511074911054/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2010/12/como-paula-e-bebeto-3.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/4693935511074911054'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/4693935511074911054'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2010/12/como-paula-e-bebeto-3.html' title='Como Paula e Bebeto - 3'/><author><name>João Pedro Pacheco Chaves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18224213722906219897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/S0amGe-F2SI/AAAAAAAAAFY/IfPYWfVErss/S220/Web+1.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-759979092695463892.post-2804928148539963529</id><published>2010-12-06T00:11:00.006-02:00</published><updated>2010-12-06T01:00:50.606-02:00</updated><title type='text'>400 contra 1 (2010)</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/TPxPFtjSa0I/AAAAAAAAAJg/4wLdmZjBF_8/s1600/400contra1.jpg"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center; cursor: pointer; width: 220px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/TPxPFtjSa0I/AAAAAAAAAJg/4wLdmZjBF_8/s320/400contra1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5547395800559151938" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficha Técnica:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Título: 400 contra 1&lt;br /&gt;Gênero: Drama&lt;br /&gt;Ano: 2010&lt;br /&gt;Origem: Brasil&lt;br /&gt;Direção: Caco Souza&lt;br /&gt;Elenco: Daniel de Oliveira, Daniela Escobar, Fabrício Boliveira, Branca Messina&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinopse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anos 70, presídio da Ilha Grande, no Rio de Janeiro. Um grupo de presos  resolve se unir para lutar por direitos e ideais coletivos. William  (Daniel de Oliveira) é um dos líderes deste grupo, que fundou o Comando  Vermelho. A nova organização cria uma conduta de solidariedade entre os  presos, algo inédito até então. No início dos anos 80 o Comando Vermelho  passa a agir nas ruas do Rio de Janeiro, realizando ousados assaltos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Visão de Cá:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Reitero, à exaustão, a minha imensa admiração pelo cinema nacional. Ouso classificá-lo como um dos melhores do mundo na minha - humilde e ignorante - opinião. Mas isso não significa que não façamos filmes medíocres. Taí um bom exemplo. Esse é um filme sofrível. Talvez mais um estranhamente lançado no mesmo ano de Tropa de Elite 2 (como um tal de Segurança Nacional - muito vaiado pela crítica - que ainda não pude ver). A temática do crime no Rio: o tráfico de drogas. Aqui abordam o nascimento do Comando Vermelho, segundo a famosa gênese da realção entre presos políticos e presos comuns na presídio de Ilha Grande.&lt;br /&gt;A película me fez lembrar do (não menos sofrível) filme do roteirista Chorão: "O magnata". Um playboy metido a maluco (interpretado pelo Paulo Vilhena) segue em seu BMW a toda velocidade, fumando um cigarro trêmulamente e com o cinto de segurança empunhado no peito: uma cena lamentável, onde já se viu um transgressor preocupar-se com cinto de segurança?&lt;br /&gt;Assim é Daniel de Oliveira - o protagonista - que está a anos luz de ao menos se perecer com o bandido que interpreta, muito menos de merecer a alcunha de Professor. A narrativa &lt;span style="font-style: italic;"&gt;off &lt;/span&gt;também é péssima, completamente sem pé nem cabeça. Mas diz aí: ladrão de banco que conjuga corretamente todos os tempos verbais na primeira pessoa do plural? Talvez por isso o apelido. Além disso, a própria trama é por demais rala, posto que se resume a mostrar o envolvimento entre comuns e políticos na simples troca de um livro. Sem falar que o surgimento do CV retratado no filme se consolida quando os presos políticos já nem mais estavam em Ilha Grande. Ademais, os dois grupos de presos não são mostrados em troca de experiências ou algo do tipo. O filme, a meu ver, assevera até um certo preconceito em relação aos presos políticos.&lt;br /&gt;Acrescente-se também a (terrível) cena em que 400 policiais vão à captura de um só cidadão em um apartamento; isso até merece uma piadinha infame: se tivesse o BOPE naquela época isso não aconteceria. O filme é realmente ruim. Salva apenas a interpretação de Branca Messina na pele de uma pesquisadora e advogada. Os outros atores ou atuam mal ou atuam bem em papéis mal desenhados. Daniel de Oliveira tem uma atuação bem abaixo do aceitável, dá a impressão que não houve uma mínima preparação do elenco. A parte que retrata os assaltos parece demonstrar um quê de Tarantino, mas ainda assim a colagem não salva - nem melhora coisa alguma.&lt;br /&gt;Um bom filme sobre a história do Comando Vermelho é "Quase dois irmãos" (2004) - com uma trama ficcional legal e com uma ótima atuação de Caco Ciocler.&lt;br /&gt;"Paz, justiça e liberdade". Isso lá é jeito de terminar um filme sobre uma organização criminosa odiada de maneira &lt;span style="font-style: italic;"&gt;incontesti&lt;/span&gt;?! Talvez os realizadores estejam em acordo com um tal professor que escrevou um artigo outro dia desses com a seguinte indagação: "A dúvida recai sobre a concentração das ações policiais em comunidades sob o domínio do Comando Vermelho". E pergunta "seria uma nova modalidade da repressão a um dos poucos grupos armados politizados do tráfico?". O diretor e o professor não devem ser moradores de localidades "abençoadas" pela presença do CV. Decerto.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/759979092695463892-2804928148539963529?l=visoesdeca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://visoesdeca.blogspot.com/feeds/2804928148539963529/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2010/12/400-contra-1-2010.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/2804928148539963529'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/2804928148539963529'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2010/12/400-contra-1-2010.html' title='400 contra 1 (2010)'/><author><name>João Pedro Pacheco Chaves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18224213722906219897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/S0amGe-F2SI/AAAAAAAAAFY/IfPYWfVErss/S220/Web+1.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/TPxPFtjSa0I/AAAAAAAAAJg/4wLdmZjBF_8/s72-c/400contra1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-759979092695463892.post-1982734701063566184</id><published>2010-12-04T16:47:00.007-02:00</published><updated>2010-12-05T14:15:53.851-02:00</updated><title type='text'>Como Paula e Bebeto - 2</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: left; font-style: italic;"&gt;No capítulo anterior:&lt;br /&gt;&lt;a href="http://visoesdeca.blogspot.com/2010/12/como-paula-e-bebeto-o-encontro.html"&gt;http://visoesdeca.blogspot.com/2010/12/como-paula-e-bebeto-o-encontro.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nina Taís. Simplesmente encantadora. Com a voz doce saíam pensamentos libertários. Quem a visse falando podia, de pronto, perceber que ali naquele belo corpinho repousava uma alma inquieta. O jeito meigo parodoxava com a independência. Talvez o que mais exprimisse a sua personalidade intensa e inquieta fosse a coisa de percorrer espaços. Ainda que ciente dos tabus e das impressões que tudo isso pudesse despertar, Nina ia adiante. Talvez a mais clara expressão da Tigresa de Caetano. Sobretudo porque falava em construir o lugar onde a tigresa pudesse mais do que o leão.&lt;br /&gt;Pires era uma incógnita. Era um cara independente. Não ligava pra ninguém pra perguntar como estava. Não era dado a demonstrações de afetos, abraços e apertos de mão. Inclusive reaprendeu o valor (e o prazer) de um abraço outro dia desses, por ensinamento (e insistência) de um tal flor. Mas isso não fazia dele um sujeito metido, pedante.  Simplesmente reservava-se. Parecia preferir o contato autêntico com as pessoas, acima de afagos rotineiramente automáticos. Em alguns momentos sua própria solidão (e independência) o traiam e o cara se entregava a Antes do Fim, do Gram.&lt;br /&gt;Talvez venha daí a resposta para a dúvida que seu pai levantou: por que você se apega tão fácil às mulheres? Talvez porque essa independência toda tenha limites que se extinguem no contato íntimo e verdadeiro de Pires com (algumas) mulheres - que as tomava por especial. Na verdade, Pires César sempre tentava fazer delas algo além de uma parceira para prazeres de 4 (paredes), assim como não tinha em mente usá-las para (a qualquer preço) esquecer sua própria solidão. Pires queria sempre incluí-las. Aproximá-las. Aproximar verdadeiramente até que pudessem perceber a hora da partida. Dado a relações intensas, fossem quão fossem efêmeras. Sempre em busca de algum traço especial para compartilhar a vida.&lt;br /&gt;Nina tinha planos incríveis. Verdadeiros roteiros cinematográficos nos quais ela dirigia com mãos de ferro, escrevia (minunciosamente) o roteiro e atuava impecavelmente. Não permitia intromissões no desenrolar dos fatos. Se um dado ator (sempre tido por ela como um figurante) ousasse mudar o curso da trama, Nina Taís simplesmente recolhia todo o cenário e o deixava lá ao relento, no relez papel de bobo da corte. Se permitia contracenar com muitos atores, desde que percebesse algum talento. Mas sempre o demitia (sumária ou tacitamente) quando este tentasse ser o dono do papel ou ousasse tornar-se mais que um mero figurante.&lt;br /&gt;Essa era a expressão da independência de Nina. Sempre rodeada dos amigos que escolheu ter. Sempre aberta a ouvir e a dizer; mas sempre também disposta a esvair-se. Não temia aproximações, mas portava sempre espinhos de alerta para mostrar que aquela flor voava. Um voo que esbanjava as pétalas ao vento de um céu azul que sempre se refaziam e tornavam-se flor, belamente, outra vez.&lt;br /&gt;Noites incríveis entre os dois. As independências de ambos acariciavam-se e trocavam confidências e impressões sobre tudo. Não havia ali espaço para olhares repreendidos, para desejos proibidos ou para palavras a dizer. E foi aí onde tudo virou. Pires (naturalmente natural e espontâneo) confidenciou todo o seu encantamento para com a beleza, a leveza, o equilíbrio, a independência e a ousadia de Nina. Ela olhou-o com olhos de surpresa. Pôs-se a dizer a ele (confusamente) as fundadas razões pelas quais seguia livre e só em toda essa estrada. Pareceu-me que naquele momento feliz a moça fraquejou no que disse como se tentasse (contra si) frear aquilo que se tornava (intensamente) inevitável.&lt;br /&gt;Mas a verdade, senhores(as), é que Nina foi freando o ímpeto que (inevitavelmente) os unia. Ela atou as mãos de Pires, o pôs em xeque e permitiu apenas que as limitações dele os deixassem afastar-se. Rendido e entregue só restou a ele partir.&lt;br /&gt;Pires César partiu então para a lembrança. Para a constatação que aquela era mesmo a Tigresa de Caetano. Partiu entoando os versos de Acaso. Partiu sem saber se com ele ela foi feliz ou foi mulher. Partiu sem saber se aquilo era mera brincadeira do acaso ou escolha da vida.&lt;br /&gt;Nina Taís esperou que o ciclo daquelas cenas se fechasse. Aguardou que as cortinas se fechassem. Que as fantasias fossem guardadas. Após tudo isso olhou com aqueles olhos castanhos no fundo dos negros de Pires e indagou: "Foi bom pra você?"&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/759979092695463892-1982734701063566184?l=visoesdeca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://visoesdeca.blogspot.com/feeds/1982734701063566184/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2010/12/como-paula-e-bebeto-2.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/1982734701063566184'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/1982734701063566184'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2010/12/como-paula-e-bebeto-2.html' title='Como Paula e Bebeto - 2'/><author><name>João Pedro Pacheco Chaves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18224213722906219897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/S0amGe-F2SI/AAAAAAAAAFY/IfPYWfVErss/S220/Web+1.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-759979092695463892.post-1630909005429887442</id><published>2010-12-03T19:30:00.007-02:00</published><updated>2010-12-06T01:09:21.462-02:00</updated><title type='text'>Como Paula e Bebeto - 1</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Este é Pires César. Sujeito alto. Olhos negros. Lábios fartos. Cabelo curto. Voz firme. Vítima de uma timidez curiosa para com os desconhecidos (apenas). Apaixonado pela cultura de sua terra: baião, Gonzagão, Patativa. Louco também pela MPB "B" (como alguns gostam de dizer): Tom Zé, Belchior, Novos Baianos. Fã do cinema brasileiro. Dado a tendências políticas libertárias.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Esta é Nina Taís. Uma moça linda. Cabelos tendentes à formação de lindos cachinhos. Nariz empinado (na acepção física mesmo). Olhos castanhos, quase negros. Um belo sorriso aberto. Voz doce. Dona de um jeito curioso: meigamente independente. Fã de Bossa. Espectadora (assídua) de comédias românticas, muito embora nem um pouco identificável com as personagens dessas tramas - como adiante se esclarecerá. Dada à tendências políticas (com algum fundo) socialista - muito embora não se mostre uma típica militante comunista.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Pois bem. Pires ia outro dia desses caminhando por uma dessas calçadas. Pensamento distante, sempre refém de algum sonho a realizar-se. Sempre perdido em divagações impossíveis. De repente revê Nina. Sim, rever. Os dois já se conheciam, mesmo que não soubessem bem quem era o outro. Posso dizer que ele até tinha alguma boa suspeita sobre quem era a moça, mas não devo dizer o que ela via nele, afinal nunca sabemos o que as mulheres pensam de nós homens nos contatos iniciais de todo despretensiosos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Sim. Então se reviram. Mais ou menos como o terceiro da Teresinha; Pires chegou do nada. Um encontro casual graças a essas modernidades hodiernas. Meio acanhado. Muitas idéias e ações atrapalhadamente esparsas. Ela então o recebeu bem. Debateram sobre a vida, sobre as dúvidas, sobre as dívidas, sobre um mundo de coisas. Longas conversas cobertas de uma eloquência recíproca.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Eles não sabiam, mas havia algo que muitos os aproximava e muito os afastava. Ambos eram dados a loucas tentativas de fazer tudo de outra forma. Queriam sempre discutir o funcionamento das coisas, as razões das engrenagens, o porquê das existências. E quase sempre concluíam que o melhor era transpor barreiras e buscar outras formas de ser, fazer, pensar. Buscavam sempre um olhar diverso, autêntico. Pura ousadia. Libertários.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Entretanto, a forma como concluíam os afastava. Plínio contestava, mas concluía (quase) sempre que o problema (em geral) não estava nas "instituições" e sim nas ações, nos atores. Acreditava que agindo da maneira "correta", aquela "coisa" que criticava poderia ter um fim útil. Já Nina não. A moça era dada também a críticas contundentes, mas sempre concluía que era preciso "derrubar" as velhas instituições e brigar (se preciso) pela instituição e consolidação de novos formatos. E isso foi, de fato, fundamental para o futuro dos dois.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Pareciam formar um casal meio Eduardo e Mônica, ainda que Eduardo (digo, Pires) tenha deixado o cabelo crescer há alguns anos atrás, assim como já soubesse beber.  Nina também não era tão Mônica: não andava de moto, não falava alemão, nem fazia medicina. Mas ao se conhecerem ela havia acabado de se formar e ele acabado de "passar no vestibular". Sem falar que no início "se encontraram sem querer e conversaram muito mesmo pra tentar se conhecer".&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;E assim os lábios de nossos personagens se encontraram. Olhares que dialogaram. Mãos que se reconheceram. Tudo foi fluindo sem grandes explicações ou sem qualquer planejamento estratégico. Até que um belo dia a tal coisa fundamental a que me referi ali em cima pesou bastante.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Bom, mas isso é conversa para um segundo momento.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Até.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/759979092695463892-1630909005429887442?l=visoesdeca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://visoesdeca.blogspot.com/feeds/1630909005429887442/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2010/12/como-paula-e-bebeto-o-encontro.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/1630909005429887442'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/1630909005429887442'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2010/12/como-paula-e-bebeto-o-encontro.html' title='Como Paula e Bebeto - 1'/><author><name>João Pedro Pacheco Chaves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18224213722906219897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/S0amGe-F2SI/AAAAAAAAAFY/IfPYWfVErss/S220/Web+1.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-759979092695463892.post-4720700325467047958</id><published>2010-11-30T00:29:00.004-02:00</published><updated>2010-11-30T01:01:46.913-02:00</updated><title type='text'>Apenas mais uma...</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Acabo de ter uma constatação curiosa. Quanto mais eu me aproximo de mim mesmo, mais eu me distancio dos que me cercam. E mais: mais me sinto próximo daqueles que estão (aparentemente) distantes.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Acho que me aproximo de mim a partir do momento em que sinto um contentamento (pleno) em relação à maneira com que ajo. É apenas um arrebatamento solitário que me conforta, me alegra, me ampara, me estimula. É uma certeza cambaleante de que é  mesmo por aí que devo repousar minhas pegadas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Mas essa não é uma constatação inédita. Isso não é pedantismo ou coisa parecida. Não é que me aproximando dos que cercam (principalmente no aspecto físico) eu esteja me diminuindo ou coisa parecida. Não. Até porque essa é uma resposta que não se tem acesso de imediato. O tempo a traz, ou não. Esse era o meu pensamento. Minha autoconfiança me mostrava (ou me forçava a ver) que o que meu isolamento me proporcionava era mais, melhor.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Mas ao que parece agora não mais vejo sob esse ponto. Eu não procuro aquilo. Não nos atraem estas mesmas coisas. Nem mais nem melhor. Nem superior. Apenas diverso. Talvez um natural resultado do que nos forma. Se antes eram uns pegas que nos aproximava. Se há pouco tempo era a falta de outras cercanias que me levava até aí. Hoje já descobri novas (boas) companhias para a solidão.&lt;/span&gt; &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Difícil constatar que somos eu e todos apenas amigos ocasionais.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;o:officedocumentsettings&gt;   &lt;o:relyonvml/&gt;   &lt;o:allowpng/&gt;  &lt;/o:OfficeDocumentSettings&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:trackmoves/&gt;   &lt;w:trackformatting/&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:donotpromoteqf/&gt;   &lt;w:lidthemeother&gt;PT-BR&lt;/w:LidThemeOther&gt;   &lt;w:lidthemeasian&gt;X-NONE&lt;/w:LidThemeAsian&gt;   &lt;w:lidthemecomplexscript&gt;X-NONE&lt;/w:LidThemeComplexScript&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;    &lt;w:dontgrowautofit/&gt;    &lt;w:splitpgbreakandparamark/&gt;    &lt;w:dontvertaligncellwithsp/&gt;    &lt;w:dontbreakconstrainedforcedtables/&gt;    &lt;w:dontvertalignintxbx/&gt;    &lt;w:word11kerningpairs/&gt;    &lt;w:cachedcolbalance/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;m:mathpr&gt;    &lt;m:mathfont val="Cambria Math"&gt;    &lt;m:brkbin val="before"&gt;    &lt;m:brkbinsub val="&amp;#45;-"&gt;    &lt;m:smallfrac val="off"&gt;    &lt;m:dispdef/&gt;    &lt;m:lmargin val="0"&gt;    &lt;m:rmargin val="0"&gt;    &lt;m:defjc val="centerGroup"&gt;    &lt;m:wrapindent val="1440"&gt;    &lt;m:intlim val="subSup"&gt;    &lt;m:narylim val="undOvr"&gt;   &lt;/m:mathPr&gt;&lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Hoje o cansaço já não vence o ímpeto de se lançar ao céu azul. Ainda que não se saiba aonde essa louca caminhada nos levará é prudente entregar-se à v&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;ida com loucura, despreendimento, fantasia e dedicação. &lt;/span&gt;Talvez no exato sentido do Inverno da Calcanhoto: "lá mesmo esqueci que o destino sempre me quis só, no deserto sem saudade, sem remorso. Só. Sem amarras, barco embriagado ao mar". &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Mas onde foi mesmo que esqueci? Sei lá. Barco embriagado ao mar. Sim. É por aí. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/759979092695463892-4720700325467047958?l=visoesdeca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://visoesdeca.blogspot.com/feeds/4720700325467047958/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2010/11/apenas-mais-uma.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/4720700325467047958'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/4720700325467047958'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2010/11/apenas-mais-uma.html' title='Apenas mais uma...'/><author><name>João Pedro Pacheco Chaves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18224213722906219897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/S0amGe-F2SI/AAAAAAAAAFY/IfPYWfVErss/S220/Web+1.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-759979092695463892.post-4279527729411206352</id><published>2010-11-24T22:00:00.002-02:00</published><updated>2010-11-24T23:12:02.124-02:00</updated><title type='text'>Revirando a memória</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Já vem chegando o quarto ano em que guardo aqui minhas impressões da mundo, das pessoas, das artes, enfim, da vida. Certas ou erradas. Boas ou más. Alegres ou tristes. Bem ou mal contadas. Eu não saberia dizer. Muito porque ao longo desses anos a efemeridade com que tudo se transforma é impressionante. Arrebatadora. Hoje já não me lembro bem o que senti ontem. Sem contar que  não vejo muito sentido no esforço pra rememorar. Por tudo isso talvez o melhor seja colocar um "e" no lugar do "ou".&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;No início o que me movia eram dúvidas sobre início e fim. Nada mais que um receio forte pelo que fazia. Eu sabia que não fazia e suspeitava que no fim nada seria como pensado no começo. Então me pegava pensando em demasia sobre o que devia fazer (no meio) pra refletir (no fim) tudo aquilo que buscava. Era um medo de que os sonhos perecessem. Hoje já não tenho esse medo, muito embora eu não faça a menor ideia do que existe entre a reta de partida e a reta de chegada.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Com o passar dos dias (e a fuga da rotina que se impunha - tanto a fuga como a rotina) os medos foram se moldando. Com o acontecer das situações (e as provas que elas foram me dando) os receios passaram a ser pontuais. Muito pela extrema comparação entre dois mundos. O mundo do cárcere (e aqui uma autoreferência - puro pedantismo) e o mundo (mundo mesmo). O que se foi e o que se tornou: uma espécie de resposta em miniatura da dúvida ali de cima. Uma busca doentia por trazer de volta algum "sucesso" (no sentido de felicidade ou realização mesmo) vivido.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Aí passam mais algumas luas. Algumas noites enfumaçadas. Algumas estradas brancas. Aí passa a fase. Mas enquanto ela insistia em não dizer-se fase alguns momentos preenchiam a busca pelo passado. Eram gotas efêmeras de um antídoto venenoso que visava sanar uma louca vontade de transmutar o amanhã mais próximo em uma fundição de passado e presente. Era como querer aparar arestas excluindo o que incomodava (e entristecia) e adicionando no lugar delas o que de belo havia no passado. E passar a fase de fato veio com essa coisa de cortar os incômodos deprimentes e entristecedores. Mas aí a tal fundição não houve. Não existe. E até descobrir isso. Muitas noites em claro. Em silêncio. Sim, algumas lágrimas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;A sorte é que sempre há algum artifício que nos faz esquecer destas questões.  Tentar entender a vida (e os fatos que nela se processam) exige uma boa dose de equilíbrio. Talvez porque esse entendimento não existe ou nos exige demais. Entretanto é bem difícil manter-se longe de divagações impossíveis. Há sempre uma tentação qualquer por querer manter o controle de tudo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;A trancos, barrancos e barruadas as coisas foram se assentando. Aos poucos a tão sonhada transmutação foi acontecendo. Não da forma infaltil e nostálgica que se esperava. Na verdade um reencontro com qualquer coisa de essencial à personalidade. Cada coisa a seu momento. Em cada uma delas uma tentativa de concretizar a volta do cara do passado. Sempre uma cara - e um cara - quebrados.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Faltava então um ponto. Talvez o mais crucial de todos. Foram tempos em que lábios se entrelaçaram de maneiras bem distintas. Em situações bem curiosas. Sempre, salvo algumas poucas vezes, a tentativa de reacender aquela chama de uma maneira diversa. Em todas as vezes algo tentava me alertar de que isso era parte da tentativa impossível. Eu não quis acreditar e o mais cômico de tudo foi como vinham esses alertar. Até que um belíssimo dia o alerta tardou. É agora vai. É. E foi. Tardou. Mas não falhou. O alerta sempre vem. Que pena. Enfim, o aprendizado. Impossível trazer o que se foi para o que será.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Eu não faço pose. Eu não me escondo. Que seja. Seja timidez ou seja inocência. Seja porque eu não sei como se faz de outra forma. De que importa explicações? De que importa se importar com as impressões que acreditam ser certezas? Jogar sempre com o elemento surpresa tem disso. Não vale a pena explicar. Mais vale prosseguir os passos despretenciosos, ainda que sem o par tido por especial. Qualquer dia desses pés quaisquer se encontram e se tornam especiais para si. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Bem, decerto, o ano (agora) terminou. Os últimos dias serão apenas momentos para serviços de mero expediente. Um turbilhão me espera. "E dentro de mais um minuto estaremos no Galeão". &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;"Pois é não deu deixa assim como está sereno".&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/759979092695463892-4279527729411206352?l=visoesdeca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://visoesdeca.blogspot.com/feeds/4279527729411206352/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2010/11/revirando-memoria.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/4279527729411206352'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/4279527729411206352'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2010/11/revirando-memoria.html' title='Revirando a memória'/><author><name>João Pedro Pacheco Chaves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18224213722906219897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/S0amGe-F2SI/AAAAAAAAAFY/IfPYWfVErss/S220/Web+1.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-759979092695463892.post-3830820955280287995</id><published>2010-11-21T12:07:00.006-02:00</published><updated>2010-11-22T00:08:23.573-02:00</updated><title type='text'>Ponto de (extremo) equilíbrio</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Foi uma alegria só saber que viriam à Terrinha. Foi com mais de 20 dias o anúncio da grande apresentação. De cara já meu veio a mente a certeza de ir. A data foi alterada. Uma prova de sucessões marcada (para o bem de todos foi depois desmarcada). Mas acima de tudo, crescia um receio. Na hora de confirmar a compra do ingresso, quase desisti de tudo. Balancei, mas disse: "compra aí".&lt;br /&gt;As músicas me remontam a um período duro. Difícil de lembrar. Ainda que elas digam respeito à parte menos dolorosa de todo aquele processo, ainda assim é uma lembrança (em parte) amarga. As tais canções eram sempre melodias em plena consonância com as ações. Eram trilhas perfeitas para aqueles momentos enfumaçados. Tinham o balanço perfeito para aquela mente esbranquiçada pela fumaça. E, como sempre me vinha um "comportamento silencioso", me prendia à elas. Esquecia dos demais "parceiros" e partia com o ritmo, com as mensagens, com o som inventivo, com a batida. Foi por isso que me marcaram tanto e se tornaram trilha certa desse momento incerto.&lt;br /&gt;Mas eu parti daquele mundo há mais de 365 luas. Apesar de ocasionais "esbarrões", eu já não me encontro com ele. Os "parceiros" perderam o nome e se tornaram aquilo que sempre haviam sido com aquela denominação: conhecidos. Senão todos, pelo menos aqueles que assim o eram à época. Os verdadeiros "parceiros" ganharam a denominação (ou a mantiveram) com a especial diferença de que o conteúdo disso aí se realizou (ou se concretizou). Num trocadilho infame a mente agora é do verde, já não sabe mais o que é poluição (pelo menos de fumaça).&lt;br /&gt;Mas espera um pouco. O reggae raiz pede um "verdim". Putz, era assim que funcionava a mente. Sempre há algo que pede e acabamos por ser convencidos de que uma ocasião especial é justificativa. E era aí que morava o receio. Era aí que morava o perigo. Mas eu não poderia deixar de viver um momento tão ímpar por isto. Era preciso provar que aquilo é algo menor.&lt;br /&gt;Então fui lá. Ponto de Equilíbrio. Uma apresentação incrível. Uma apresentação marcante, com músicas dos três cd´s (Ponto de Equilíbrio, O inimigo, Malandragem às avessas, Jah Jah me leve, Onde você vai chegar, O que eu vejo e muitas outras) e o esperado cover de Soul Rebel. Mensagens claras e típicas da banda. Instrumental excelente. Um local perfeito pra assistilos. Há alguns meio metros do palco. E o melhor.  Com espaço pra fazer o corpo sentir o prazer que permeava a mente.&lt;br /&gt;O mais incrível de tudo é que esse dia foi mesmo como um presente. Em comemoração ao primeiro ano da retomada. E uma prova de fogo importantíssima. Um momento de extremamente propício regado apenas há muito "professor". A cada dose (e a cada inspiração involuntária daquele agradável odor) me vinham à mente (em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;flashback&lt;/span&gt;) as imagens daquele passado que naquele exato momento se fazia um pouco mais distante.&lt;br /&gt;As mesmas companhias. O mesmo carro. O vento que acariciava pela janela de trás. O silência que se abatia sobre todos. O pensamento distante. Divagações.&lt;br /&gt;Eram tudo lembranças. Foi tudo um tremendo engano. Uma noite bela. Um show perfeito (não fosse os caras não terem tocado "Só quero o que é meu" e/ou "Eu" - essa última tão condizente com o momento). Mas ainda assim uma grande apresentação. E como esquecer de Eek Mouse e seu bimbimdondon - divertidíssimo.&lt;br /&gt;Confortante chegar em casa com o sol nascendo. Acordar e sentir apenas a dor de cabeça  (apenas) do uísque brasileiro. Olhar pro vazio da carteira e saber que nada de escuso foi comprado.&lt;br /&gt;O importante é mesmo é jamais perder o equilíbrio, por mais forte que seja o vento da tempestade. O melhor mesmo é buscar no interior abrigo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/759979092695463892-3830820955280287995?l=visoesdeca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://visoesdeca.blogspot.com/feeds/3830820955280287995/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2010/11/ponto-de-extremo-equilibrio.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/3830820955280287995'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/3830820955280287995'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2010/11/ponto-de-extremo-equilibrio.html' title='Ponto de (extremo) equilíbrio'/><author><name>João Pedro Pacheco Chaves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18224213722906219897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/S0amGe-F2SI/AAAAAAAAAFY/IfPYWfVErss/S220/Web+1.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-759979092695463892.post-3807116996583271454</id><published>2010-11-11T21:59:00.006-02:00</published><updated>2010-11-13T14:29:32.633-02:00</updated><title type='text'>Tropa de Elite 2</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/TN6seQrevvI/AAAAAAAAAJQ/x6PiGYe1sLo/s1600/tropa_de_elite_2.jpg"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px; height: 229px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/TN6seQrevvI/AAAAAAAAAJQ/x6PiGYe1sLo/s320/tropa_de_elite_2.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5539054227585679090" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;Existe mais que polícia e ladrão nessa história toda. Talvez por isso dois filmes. Certamente, se tudo tivesse sido compactado em um só a trama não seria contada com tanto primor. Talvez a realidade não teria sido expressada de maneira tão honesta e verdadeira.&lt;br /&gt;De fato o ciclo enfim se fecha.&lt;/span&gt; &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;O ciclo se fecha porque enfim é revelado de maneira clara porque a saga Tropa de Elite não se constitui em uma trama fascista. O roteiro (de Bráulio Mantovani e José Padilha), quando visto por completo - ligando os dois filmes - reafirma sua grandeza. O início do filme parece ainda ir  (personificado no Cel. Nascimento) contra os  tais ativistas sociais - no primeiro pela figura dos estudantes (maconheiros) - e agora na figura de Fraga - professor de história e ativista pró direitos humanos. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;Passam-se talvez uns 10 anos desde que Matias arruinou os planos de velório de Baiano. Agora o capitão virou coronel e seu substituto enfim foi achado. A cena inicial é a que mais me agrada. Uma belíssima cena de ação, envolvida em suspense que para e retorna no ponto alto do clímax. Impossível ter saído melhor. Cria um angústia até que tudo se revela. Afinal o cononel é de aço? A resposta: não, não é!&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Como li em uma análise, lembra muito o começo de Cassino (1995, Martin Scorsese)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;O filme inicia-se com a mesma contraposição do primeiro: de um lado a teoria (com os defensores dos direitos humanos) e de outro a prática (personificada em Nascimento). Entretanto, demonstrando até o amadurecimento da obra, os estudantes são substituídos por Fraga (professor de história e estudioso do tema da violência e dos direitos humanos). Nascimento  inicia sua narrativa já com a crítica às idéias do cara e os dois são postos em conflito de imediato. Desse fato, a trama se desenrola.&lt;/span&gt; &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;A obra então passa a mostrar o que há além de polícia e ladrão nessa história toda.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; A trama agora não se restringe aos traficantes, muito embora o cenário em que a criminalidade age ainda seja a favela. Além desse cenário, adentra agora no enredo os gabinetes políticos e as reuniões de cúpula. Nascimento deixa de ver o sistema pelo lado de fora e passa então a habitar e atuar nos espaços do próprio sistema.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Seu substituto mais uma vez é vítima daqueles vilões submetidos à análise. Se antes foram os traficantes, com uma punhalada nas costas, agora os milicianos. Ressalte-se que lá os assassinos temeram (e se arrependeram) pelo crime. Já aqui os inimigos não temem, simplesmente atiram e matam, afinal são a própria "ordem". Afinal, agem sob o manto sagrado do donos do estado. &lt;/span&gt; &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;É interessante notar que mais uma vez o filme joga com os (pré) conceitos da mediania. Agora, em Tropa 2, Padilha joga com o que vem após a máxima "bandido bom é bandido morto". Após o extermínio dos traficantes pelo tal BOPE alguém tinha que tomar conta da favela. E como o Estado (ou seus representantes) não está nem um pouco interessado com as pessoas, tratou de confiar esta missão a seus comparsas mais próximos.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Surge então a temível milícia. São ladrões travestidos de polícia que prometem segurança a custo de muita exploração. Ao invés do pó; gás, TV a cabo, lan house. Ao invés de crianças com fuzil e pistola na mão; policias fazendo segurança privada. O resultado disso é um exército (sem farda). Muda-se então o dono do morro. E o povo, continua dominado. Cercado por armas. Cercado pela violência. Abandonado pelo Estado.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Mas o curioso de tudo isso é que vence o argumento da mediania. Nossos filhos não estão mais sujeitos às drogas. Os bandidos estão longe daqui. Enfim temos tranquilidade. Tranquilidade na pista e no morro. Pobre mediania. Agora que polícia e ladrão estão em um só corpo as consequências são mais danosas.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;O filme dá um tapa na cara de todo o sistema. O filme, agora profundo, penetra nas profundezas do sistema e mostra a origem de todo o problema. A existência de um sistema multifacetado é a própria raiz de tudo. Está nos governos que apoiam criminosos, está nos programas com forte apelo à mediania (os quais incitam o desrespeito aos direitos humanos), está na corrupção policial.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Um detalhe relevante ao meu ver é a própria imagem de Fortunato. Acredito que o tipo de "jornalismo" feito pelo cara é comum em todo o país. E acrescente-se que, ante a crescente da criminalidade, o apelo desses caras ultrapassa a regra de que seus programas são para o tal povão. Aqui em minha terra um cara é bem famoso por fazer esse tipo de "comunicação". E o povo, cansado de impunidade, passa a ver em suas apresentações bizarras (ao meu vez apenas humorísticas) uma voz sábia e lúcida. &lt;/span&gt; &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Parece-me que Fortunato personifica, em alguma medida, um crítica à cultura da mediania de acreditar que matar geral é a solução.&lt;br /&gt;Fortunato é um elemento de grande pressão midiática. Entretanto, é o perfeito hipócrita. Assim como a mediania, que endeusou Nascimento, mas jamais aceitaria que o próprio botasse o saco na cara de um filhos seu. Pra mim, mais um ponto de brilhantismo em Tropa 2.&lt;/span&gt; &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;Mas a mensagem mais significativa do filme é a de como se vence (uma batalha, pelo menos) o sistema (e por tabela  contra todos os problemas que produz, ingnora ou apóia). Se em Tropa 1 Matias teve de escolher entre a Academia que queria seguir (a do saber ou a da polícia), em Tropa 2 a conclusão é que o mais importante é a união. Matias, que virou polícia como queria seu mestre, desrespeita ordens (o sentido da polícia), perde sua posição e se une (de alguma forma) aos criminosos para retomar seu posto. O cara usa de um meio obscuro pra continuar sua luta pelo justo. Mas isso não ocorre impunemente. Uma cena que me chamou a atenção é que no enterro do caveira do Tropa 1, a bandeira do BOPE é estendida sobre a bandeira do Brasil. Em Tropa 2 o Brasil está acima do BOPE.&lt;/span&gt; &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;A vitória magistral que se registra no fim da película é alcançada quando, lado a lado, teoria e prática vão à guerra. As diferenças são postas de lado e o desejo comum de justiça coloca pessoas aparentemente dispostas em lados diversos de braços dados. A mensagem mais clara e importante do filme é esta, a da união em torno de um objetivo comum, ainda que os meios imaginados para isso sejam diversos. Esse é um dos grandes entraves para que as mudanças de realizem. Para que os criminosos sejam derrubados. Para que o sistema seja esfacelado.&lt;/span&gt; &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;Um filme brilhante. Uma mensagem agora evidente até pra mediania. Interessante é notar que o meio de comunicação oficial da direita (ainda) insista em alienar a mediania. A capa (e eu só vi a capa) da Veja diz: O primeiro super-herói brasileiro.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/759979092695463892-3807116996583271454?l=visoesdeca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://visoesdeca.blogspot.com/feeds/3807116996583271454/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2010/11/tropa-de-elite-2.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/3807116996583271454'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/3807116996583271454'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2010/11/tropa-de-elite-2.html' title='Tropa de Elite 2'/><author><name>João Pedro Pacheco Chaves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18224213722906219897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/S0amGe-F2SI/AAAAAAAAAFY/IfPYWfVErss/S220/Web+1.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/TN6seQrevvI/AAAAAAAAAJQ/x6PiGYe1sLo/s72-c/tropa_de_elite_2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-759979092695463892.post-1427967097222374210</id><published>2010-11-10T00:20:00.005-02:00</published><updated>2010-11-10T01:42:58.065-02:00</updated><title type='text'>Tropa de Elite 2: considerações a Tropa de Elite 1</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/TNoSu1oyMmI/AAAAAAAAAJI/Kv2jM5UA5kk/s1600/Tropa%2Bde%2BElite%2B2%2BTrilha%2BSonora%2B2010.jpg"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center; cursor: pointer; width: 300px; height: 300px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/TNoSu1oyMmI/AAAAAAAAAJI/Kv2jM5UA5kk/s320/Tropa%2Bde%2BElite%2B2%2BTrilha%2BSonora%2B2010.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5537759287686869602" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;O ciclo se fecha. Isso foi o que me veio à mente quando dava passos rumo à saída da sala de projeção. Já fazia algum tempo que tinha visto o "Tropa 1", mas ainda assim eu (ainda) guardava algumas conclusões. Sobretudo após ler, há algum tempo, uma excelente entrevista de Wagner Moura à Caros Amigos (nº 147 - jun/2009) e ver outra concedida ao Roberto Dávila. Era preciso reportar-me ao primeiro filme.&lt;/span&gt; &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;O comentário geral - e de alguma forma "vulgar" - (e equivocado) acerca de Tropa de Elite 1 era de que o BOPE é que é polícia de verdade (vi gente defendendo o grupo sob argumento que até os americanos - veja você até os americanos - vinham treinar com eles), que Cap. Nascimento é que era o cara, que tem que matar bandido mesmo etc etc. Sem falar nas baboseiras que alguns idiotas insistiam em destacar nas suas "resenhas" sobre a obra: "pede pra sair", "você é um fanfarrão".&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Deixando de lado (em parte) essas "análises" deprimentes e dispensáveis, vieram à tona outras - não tão deprimentes, mas ao meu ver equivocadas. Saíram dizendo que o filme era fascista, que o apelo do filme era uma exaltação à violência policial. Diziam que aquilo era uma ode ao desrespeito dos direitos humanos. Alguns, reconhecendo a grandeza da película, taxaram-na de irresponsável, pois era capaz de despertar um certo ódio e uma defesa a um direito indiscriminado de matar da polícia e, naturalmente, do Estado.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Confesso que quando assisti ao filme pela primeira vez, de súbito, essa idéia me veio à mente. De fato, parecia que a obra dava a Nascimento o status de herói. Que os maconheiros eram quem financiavam "aquela merda". Que o BOPE (e sua atuação) era a salvação. Mas alguma coisa, que ultrapassava entendimentos cinematográficos, análises cult e críticas academicamente embasadas (e engajadas), que me cutucava. &lt;/span&gt; &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;Meu raciocínio saiu da ficção e veio então aqui para esquina da realidade. Wagner Moura não é um galã da novela das oito; não é do tipo de ator na qual sua obra permite dizer que ele vai (essencialmente) atrás de dinheiro e fama - muito menos que briga por capa de revista de fofoca.&lt;br /&gt;José Padilha é o diretor do belíssimo documentário Ônibus 174, filme que trata da história de Sandro do Nascimento, sequestrador do tal ônibus que foi assassinado dentro de uma viatura após ação desastrosa de um policial do tal BOPE. Ressalte-se que o filme é sobre Sandro e os condicionamentos que o levaram até ali - dentre eles o fato de ter sobrevivido à chacina da Candelária.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Bom, esses dois fatores (a mim) são mais que suficientes pra rechaçar o argumento de que o filme é fascista ou que incita à veneração da violência polícial ou o desrespeito aos direitos humanos. Duas das figuras fundamentais na realização e sucesso da obra me parecem ser artistas realmente preocupados com a arte. A responsabilidade artística de suas carreiras prova que seus objetivos não eram fazer um filminho de ação, mas sim retratar uma realidade complexa de maneira séria e verdadeira.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Quanto aos tais argumentos vulgares - muitos saídos de quem viu o pirata (e que não percebem que contrubuíram "pra essa merda") - vem de dois pontos. Primeiro do clima de impunidade que acomete a toda sociedade que atribui aos mais variados (e equivocados) motivos o clima de terra sem lei. E em se tratando de criminosos de baixo calão - favelado e traficante - a mediania conclui que a solução é matar geral.&lt;br /&gt;Em segundo lugar, e não menos preocupante, é a idéia que as pessoas fazem (principalmente e, lamentavelmente, os jovens) de que a polícia é detentora desse poder ilimitado de matar, oprimir, dar tapa na cara de vagabundo. Um sinal da mediania desse tipo de ideia é que nunca se sabe de onde o vagabundo pode sair e, certamente, se vier do quarto ao lado a polícia já não terá mais esse direito. A clássica idéia de que o Direito Penal não é mesmo o mesmo pra mim e para o bandido.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;O fato é que Tropa de Elite 1 traz um visão superficial do problema da criminalidade. Não que o filme seja superficial, pelo contrário, mas aqui a opção foi por tratar do jogo polícia e ladrão. Aqui, temos de um lado os bandidos (ora fardados, ora favelados) e de outro os mocinhos (sempre de farda preta). Não que seja colocado pelo filme esta disposição acerca dos papéis, mas resta claro que traça-se um perfil de que os "caveiras" são os policiais honestos, incorruptíveis. Aqueles que sobem pra matar, que não colhem arrego.&lt;/span&gt; &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;Há uma clara contraposição entre a Universidade e a Academia de Polícia. Isso fica evidente no conflito criado na cabeça de Matias que pisa ora na primeira e ora na segunda. A trama lhe cobra uma tomada de posição e o cara acaba optando por ser policial.&lt;br /&gt;Os acadêmicos parecem dominados por uma utopia hipócrita: num dado momento são ativistas sociais que cuidam de crianças da favela e em outro estão com as ventas entupidas pelo bagulho do dono do morro. O resultado disso é um envolvimento inconsequente e imaturo.&lt;br /&gt;A polícia está convicta de que esculhar é a solução. Sabe que possui o direito a matar quem achar que seja bandido, de meter no saco, de executar, meter tapa na cara, de torturar.&lt;/span&gt; &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Tropa 1 é um retrato sincero e honesto, como são em geral os filmes brasileiros, da realidade criminosa do Rio - e porque não de todo o Brasil. Mostra a polícia corrupta que é parceira do crime. Mostra a brutalidade indiscriminada da força policial.&lt;br /&gt;Trabalha bem com uma ideia que muito me agrada: a coisa de sistema. De um emaranhado de condicionamentos que impedem uma mudança mágica como muitos propõem. São cargos, funções e, sobretudo, pessoas demais a substituir. É a própria sociedade (e os próprios "cidadãos comuns") a contribuir para o fortalecimento do tal sistema. &lt;/span&gt; &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;E o filme encerra deixando no ar o questionamento se seria a polícia a culpada (devido aos corruptos) e a possível solução (devido ao BOPE) para todo o caos. No entanto, a película "esconde" as profundezas desse inferno. Por isso dizer que Tropa de Elite 1 é superficial.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Afinal, há muito mais que polícia e ladrão nessa história toda.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt; Afina, toda obra de arte possui sua tomada de partido e Padilha fez um filme só pra isso.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/759979092695463892-1427967097222374210?l=visoesdeca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://visoesdeca.blogspot.com/feeds/1427967097222374210/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2010/11/tropa-de-elite-2-consideracoes-tropa-de.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/1427967097222374210'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/1427967097222374210'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2010/11/tropa-de-elite-2-consideracoes-tropa-de.html' title='Tropa de Elite 2: considerações a Tropa de Elite 1'/><author><name>João Pedro Pacheco Chaves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18224213722906219897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/S0amGe-F2SI/AAAAAAAAAFY/IfPYWfVErss/S220/Web+1.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/TNoSu1oyMmI/AAAAAAAAAJI/Kv2jM5UA5kk/s72-c/Tropa%2Bde%2BElite%2B2%2BTrilha%2BSonora%2B2010.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-759979092695463892.post-5176801264403901342</id><published>2010-11-08T17:22:00.005-02:00</published><updated>2010-11-08T19:33:25.282-02:00</updated><title type='text'>Tropa de Elite 2: impressões iniciais</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/TNho_HiUkfI/AAAAAAAAAI4/RDbiE6RFcS8/s1600/tropa+de+elite+2.jpg"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center; cursor: pointer; width: 217px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/TNho_HiUkfI/AAAAAAAAAI4/RDbiE6RFcS8/s320/tropa+de+elite+2.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5537291175416074738" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Taí. Mais uma prova &lt;span style="font-style: italic;"&gt;incontesti &lt;/span&gt;que fazemos um dos melhores (senão o melhor) cinema do mundo. Talvez mais uma prova de que a necessidade é fonte de inspiração, afinal não contamos com orçamentos grandiosos como os &lt;span style="font-style: italic;"&gt;yankes&lt;/span&gt;. Mesmo assim conseguimos realizar filmes infinitamente superiores. Não filmamos como os europeus. Muito menos como os franceses (e seus discípulos), a meu ver considerados pelos que se consideram críticos de cinema, os reis do cult.&lt;br /&gt;Não partimos para um apelo mundial como fazem os estadunidenses, tentando a todo custo abocanhar bilheterias nos quatro cantos do mundo. Não julgamos que o dinheiro e os mega efeitos especiais são sinais (automáticos) de um grande filme. Não seguimos a cartilha da Academia - pra brigar por uma estatueta de melhor estrangeiro.&lt;br /&gt;Por outro lado, não nos parecemos com os europeus. Não criamos, em geral, películas sem trilha sonora. Não construímos enredos de entendimento restrito. Não baseamos nossas histórias em cenas que, apenas com um esforço sobrenatural, permitem dizer que expressam algum sentimento. Não seguimos as regras pra fazer um cult.&lt;br /&gt;Eu não tenho nenhum conhecimento consolidado. Talvez sequer tenha algum conhecimento de cinema. O que eu entendo do cinema é apenas (ou tudo) aquilo que sinto do cinema. São apenas impressões. São apenas sentimentos que teimam em se materializar. Sentimentos que teimam em se expressar por palavras.&lt;br /&gt;Assistir a "Tropa de Elite 2" causou uma efervescência, um turbilhão, uma explosão de sentimentos. É preciso alguns instantes para que tudo se processe um pouco mais. Enquanto isso trago aqui minhas impressões técnicas; digo, minhas impressões quanto à forma.&lt;br /&gt;Uma característica que tenho observado nas películas canarinhas é essa desconstrução do tempo. Aliás este é um recurso que muito me agrada. A desconstrução da narrativa sempre inova no modo de contar as histórias e aguça a curiosidade do espectador. O melhor de tudo é que fugindo da maioria das narrativas (digamos, fracionadas), que já trazem no começo as cenas finais, o roteiro jogou no início o ponto alto do clímax. De modo que a sensação que tive no início é a de que apenas Chuck Noris escaparia. E que, caso o Capital Nascimento (agora coronel) se igualasse ao Texar Ranger, tudo perderia o sentido. E é óbvio que isso não acontece, afinal estamos no Brasil e não no Japão e não nos USA.&lt;br /&gt;O enredo se desenrola com o narrador &lt;span style="font-style: italic;"&gt;off&lt;/span&gt;. Nascimento conduz toda a história com maestria, revelando detalhes dos bastidores de sua profissão, revelando o que aprendeu, justificando os erros. Uma narração lúcida e sincera que revela o próprio Roberto Nascimento enquanto "cidadão". A mim pareceu que o narrador era apenas o Beto, afetado pelo coronel e pelo capitão; porém um humano e não apenas uma farda ou uma patente.&lt;br /&gt;O roteiro é primoroso. Cada sequência de cenas traz inúmeras informações e denúncias, mas sempre guardam para a seguinte algum detalhe do enredo. Destaco a própria revelação da ligação entre Nascimento e Fraga, justamente os dois opostos: o policial (truculento) e o intelectual (utópico). São várias idas e vindas que só cessam quando o que resta é apenas a constatação, a conclusão.&lt;br /&gt;O que mais me encanta no cinema que fazemos é a enorme capacidade de percorrer os diversos gêneros. Uma hora fazemos piada. Em outra despertamos sentimentos. Ali fazemos ação. Aqui revelamos um drama pleno. Por fim tecemos uma pesada crítica sócio-política.&lt;br /&gt;"Tropa de Elite 2" é um grande filme múltiplo. É muito ação. O movimento tenso dos tiroteios, das invasões, da subida dos morros. A violência é expressada de maneira bastante realista. Sem rodeios, sem maquiagens, sem um Chuck Noris.  "Tropa" também não foge à comédia. Não há como não rir das interpretações caricatas de alguns dos personagens que emprestam à ficção suas "vidas". O drama também é um dos pontos altos, principalmente porque é o que mais se mistura com a crítica sócio-política mais direta.&lt;br /&gt;As atuações são magistrais. Wagner Moura, como era de se esperar, arrabatador. Traz um Capitão Nascimento mais maduro, agora um homem de segunda linha, afastado do front. Os antagonistas também vem com grandes atuações, das quais destaco Milhem Cortaz (Fabio), André Mattos (Fortunato) e Russo (Sandro Rocha). Talvez a atuação de Irandhir Santos (o Fraga) pudesse ter rendido mais - muito embora o cara tenha caído em cheio na pela de um "intelectualzinho de esquerda".&lt;br /&gt;Um filme brilhante. Não carece de nenhum retoque na minha humilde opinião de espectador relapso. Fazia um bom tempo que não ia ao cinema, muito pela situação de miséria cultural dos cinemas da minha Teresina. Como disse no início, saí da sala atônito. Parece que o ciclo enfim se fecha, mas isso já é assunto pro próximo texto.&lt;br /&gt;Como um dia bem ouvi de Ferreira Gullar em um programa de entrevistas: "a arte existe porque a vida não basta". A arte me dá orgulho do peito verde e amarelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/759979092695463892-5176801264403901342?l=visoesdeca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://visoesdeca.blogspot.com/feeds/5176801264403901342/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2010/11/tropa-de-elite-2-impressoes-iniciais.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/5176801264403901342'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/5176801264403901342'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2010/11/tropa-de-elite-2-impressoes-iniciais.html' title='Tropa de Elite 2: impressões iniciais'/><author><name>João Pedro Pacheco Chaves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18224213722906219897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/S0amGe-F2SI/AAAAAAAAAFY/IfPYWfVErss/S220/Web+1.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/TNho_HiUkfI/AAAAAAAAAI4/RDbiE6RFcS8/s72-c/tropa+de+elite+2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-759979092695463892.post-8276438079891342109</id><published>2010-11-08T00:36:00.006-02:00</published><updated>2010-11-08T01:44:19.442-02:00</updated><title type='text'>...</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;A vida pulsa. Os dias correm. Os meses avançam. Uns crescem. Outros reproduzem. Outros se ajeitam. Outros disfarçam. Outros mentem. Alguns se reconstroem. Poucas as notícias daqueles que se destroem.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;O tempo segue sempre na mesma velocidade. Alguns adiantam seu próprio horário. Outros insistem em parar os ponteiros. Outros, simplesmente, deixam o relógio na gaveta. Há aqueles que lembram do tempo apenas ao soar das badaladas do despertador. Sem falar naqueles que sempre abusam da "soneca".&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;O correr da vida e o passar do tempo é sempre um tema que aflige. A cada momento algo transporta-se do presente para o passado. Muitas vezes o transporte é em pista de mão única. Nestas vezes o que se transporta é mercadoria perecível de consumo imediato. Agora, e pelos próximos 20min, é presente. Após, apenas passado. Apenas nostalgia. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Além de que o futuro, sempre incerto, é o ponto máximo a irradiar essa tal aflição. Muitos se debruçam sobre ele. Muitos acreditam que é lá que reside o mistério da vida. Uns já jogaram a  toalha e concluíram: o futuro não possui lógica. Há quem diga que o futuro é apenas uma consequência do presente - do tipo plantar e colher. Muitos fatos comprovam que plantio e colheita não são ações vinculadas - um deles é a seca no nordeste. Ainda que se plante lá, às vezes, não nasce. Não esqueçamos daqueles que são convictos na idéia de controle do futuro, para os quais isto é fato e não possibilidade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;É. O tempo do relógio é sempre o mesmo. Corre sempre no mesmo curso. O tempo da vida é por demais, relativamente, veloz. As pessoas sentem tudo isso de uma maneira diversa. O passado e o futuro perturbam. Provocam hesitação. O passado recocheteia e cobra reflexões que, por sua vez, exige conclusões.&lt;br /&gt;O futuro, repito, aflige. Infelizmente nem tudo depende de vontade ou esforço próprio. E as coisas que dependem "apenas" de esforço próprio ainda teimam em se ligar àquelas que dependem de terceiros. Aí então o sujeiro se vê preso em uma confusão temporária. Tudo então se desfaz (ou se faz de vez) quando o futuro vira presente.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Divagações sobre o tempo são sempre circulares, incompletas, inconclusivas. Talvez por isso ocupem tanto espaço na cabeça de muitos. E quando ligamos tudo isso a sonhos, desejos, vontades a confusão é maior ainda.&lt;br /&gt;Nem sei ao certo porque me pus a falar disso agora. Talvez por estar meio encucado com algumas coisas completamente inexplicáveis, curiosas e aparentemente invencíveis e inacreditáveis que acometem a todos nós. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Ou talvez por estar encucado mesmo com alguma razão racional pra todas essas curiosas surpresas ou mesmo com as propensas consequências de tudo isso.&lt;br /&gt;Ou talvez eu tenha escrito apenas pelo mote que há dias me persegue: "Eu ando sonhando com o tempo, mas nunca vou &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;p&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;oder saber se o sonho é só um momento". &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Ou talvez porque essa era a proposta inicial deste meu recanto: o início e o fim. Talvez uma estranha nostalgia sobre dúvidas de um passado&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/759979092695463892-8276438079891342109?l=visoesdeca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://visoesdeca.blogspot.com/feeds/8276438079891342109/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2010/11/o-inicio-e-o-fim-anos-depois.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/8276438079891342109'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/8276438079891342109'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2010/11/o-inicio-e-o-fim-anos-depois.html' title='...'/><author><name>João Pedro Pacheco Chaves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18224213722906219897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/S0amGe-F2SI/AAAAAAAAAFY/IfPYWfVErss/S220/Web+1.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-759979092695463892.post-4929479835884412393</id><published>2010-11-06T19:12:00.007-02:00</published><updated>2010-11-06T21:29:07.028-02:00</updated><title type='text'>Renato Russo: o filho da revolução (2009) - Carlos Marcelo</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/TNXS-GB05WI/AAAAAAAAAIw/8fz3DrLCtjc/s1600/20100326124032_16314_medium_renato-russo-o-filho-da-revolucao-carlos-marcelo.jpg"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center; cursor: pointer; width: 209px; height: 300px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/TNXS-GB05WI/AAAAAAAAAIw/8fz3DrLCtjc/s320/20100326124032_16314_medium_renato-russo-o-filho-da-revolucao-carlos-marcelo.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5536563281133888866" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Renato Manfredini Jr. foi um de meus primeiros ídolos. De lá pra cá já se vão mais de dez anos. Acredito que era 99. Dois anos após sua morte, ocorrida aos 36 anos, em 11/10/1996. Talvez como todo adolescente da minha época, eu tenha descoberto a música aí, ouvindo Legião. Tudo o que eu conhecia de música no auge dos meus 11 ou 12 anos vinha do que minha mãe ouvia: Djavan, Beto Guedes, Flavio Venturini, Leila Pinheiro e outros "clássicos" da música brasileira pós 60. Na rua, "fervia" o axé - eram duros tempos de É o Tchan! (Dança da Cordinha e Boquinha da Garrafa). Foi ali que eu larguei o pandeiro e passei a paquerar com o violão.&lt;/span&gt; &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;A tal descoberta do rock veio com um apetite incrível pra devorar (e decorar) todas as canções do Legião. Primeiro era necessário aprender toda a letra de Faroeste e de Eduardo e Mônica  - lembro que todos os dias eu ligava pra rádio pedindo que tocassem a saga de João de Santo Cristo (e óbvio só atenderam meu pedido na primeira ocasião). Com os anos fui me aprofudando na obra da banda e passando a cultivar (crescente) admiração por Renato Russo - pela personalidade, pela poesia, pela musicalidade.&lt;/span&gt; &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;Outro dia desses comprei (na promoção, pra variar - R$ 9,90) "Renato Russo: o filho da revolução" de Carlos Marcelo. Com um projeto gráfico excelente e um belo acrevo de imagens, mergulhei na leitura. No geral não gostei da proposta do autor. O livro resume-se a uma sequência de fatos que abrangem: o cenário musical no fim dos anos setenta aos anos oitenta (com ênfase ao rock brasiliense), a vida política neste período e uma descrição minunciosa acerca de Brasília. Aliás, talvez seja o único momento em que a obra traz uma visão crítica de algo: as impressões de várias personalidades sobre a cidade.&lt;/span&gt; &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;Tudo parece muito mais uma retrospectiva sobre o nascimento do rock dos anos oitenta, sobretudo do rock praticado na Capital federal. É possível conhecer-se um pouco da história de  alguns de seus personagens: Dinho Ouro Preto, Bi Ribeiro, Herbert Viana, os irmão Lemos - veja-se aí Capital, Plebe Rude e Paralamas. Uma informação interessante é a de que (quase) todos os atores desse cenário candango eram filhos de funcionários públicos a serviço da ditadura. Não que eu esteja aqui fazendo algum juízo de valor acerca da ascendência dos mesmos, mas (me) parece ser um dado, ao menos, curioso. Eram embaixadores, funcionários do BB, membros da Aeronáutica, servidores dos mais variados órgãos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Senti falta de depoimentos de pessoas próximas, de momentos mais particulares de Renato. Até mesmo a trajetória do Legião foi pouco abordada; o autor, a meu ver, parece ter se dedicado mais à saga do Aborto Elétrico. O início da vida do biografado possui alguma riqueza de detalhes, entretanto com o desenrolar da história o livro torna-se mais veloz  e os fatos vão ficando mais distantes e dispersos.&lt;br /&gt;Na verdade, o início de tudo - nascimento de Brasília, a vida de Renato  enquanto era Manfredini, a situação política pré 80, o surgimento do movimento punk -  é descrito com alguma felicidade. Entretanto, com o passar dos capítulos o autor abandona a proximidade dos fatos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Ler acerca de um ídolo é sempre proveitoso, prazeroso. No entanto, acredito que esta não é uma boa biografia, ou pelo menos eu não me identifiquei com a proposta do autor. Há uma desproporção entre o início e o desenrolar da vida de Renato. A abordagem de Renato, quando Russo (quando artista reconhecido) é muito vaga.&lt;br /&gt;A estrutura do livro também é um ponto fraco, sendo dividida em longos capítulos subdivididos, por sua vez, em partes disconexas. É um vai e vem que, em alguns momentos, quebra o rítimo dos fatos. O acervo de fotos é um ponto alto. A leitura é quase enciclopédica sobre o nascimento do rock brasiliense. A descrição do famoso show de Brasília também é algo a se ressaltar na obra.&lt;br /&gt;No geral o legal da leitura foi ter contato a transformação de Renato Manfredini em Renato Russo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Trago aqui uma feliz passagem ocorrida num show do Legião no Circo Voador em 10/10/1985, um dia após a morte do torturador e fascista Emílio Médici. Antes de iniciar o show Renato fala ao público:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;"Muitas vezes eu penso que só morre gente boa, gente que faz bem ao mundo. No entanto, a morte de um ditador me conforta, e, creio, conforta a todas as pessoas que sonham com um Brasil livre e bonito. Então, vamos fazer deste show a celebração da morte de um fascista" (p. 315)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/759979092695463892-4929479835884412393?l=visoesdeca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://visoesdeca.blogspot.com/feeds/4929479835884412393/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2010/11/renato-russo-o-filho-da-revoluacao-2009.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/4929479835884412393'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/4929479835884412393'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2010/11/renato-russo-o-filho-da-revoluacao-2009.html' title='Renato Russo: o filho da revolução (2009) - Carlos Marcelo'/><author><name>João Pedro Pacheco Chaves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18224213722906219897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/S0amGe-F2SI/AAAAAAAAAFY/IfPYWfVErss/S220/Web+1.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/TNXS-GB05WI/AAAAAAAAAIw/8fz3DrLCtjc/s72-c/20100326124032_16314_medium_renato-russo-o-filho-da-revolucao-carlos-marcelo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-759979092695463892.post-11543196636882984</id><published>2010-10-31T16:08:00.002-02:00</published><updated>2010-10-31T18:01:39.788-02:00</updated><title type='text'>Fica conosco</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Foste tu uma das primeiras leitoras destas minhas palavras que se arrastam há três anos. Ainda que eu escreva aqui por não ter mais tanta habilidade com o lápis (ou por as mãos não acompanharem as palavras que brotam na mente) e para poder registrar e guardar o que escrevo; é sempre bom ser lido. Assim, expressamos nossos sentimentos, expomos nossas fraquezas, nos mostramos e, em algumas oportunidades, dialogamos. E foi assim que eu e tu nos ligamos em alguma medida. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Mesmo distantes, no tempo e no espaço, me senti (e ainda me sinto) próximo a ti. Não que eu saiba dos teus segredos, dos teus sorrisos, das tuas alegrias, das tuas dores ou dos tuas légrimas. Não. Não é isso. Eu sinto que te entendo. Eu sinto que consigo ler tuas palavras e sentir o que te aflige. Eu sinto o que sentes e sinto muito (pelo) que sentes.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Além disso, me parece que você, mesmo distante, também sente o que sinto. Tuas palavras sempre foram muito incisivas. Sempre tocaram de modo certeiro aquilo que eu queria dizer. Ao que parece nos tornamos parceiros na arte de racionalizar dores, amores, idas, vindas, voltas, a vida. Prova disso foi a tua indicação ("João assiste, não sei porque lembrei  de ti") de "Na Natureza Selvagem". Mais certeiro que isso não houve.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Mas tudo isso não surgiu por laços de sangue. Não veio de uma infância juntos, porque isso de fato nunca ocorreu. Muito menos de muitos momentos juntos, afinal nos viamos em algumas datas festivas, apenas. Nós nem mesmo nunca conversamos sobre estas tais coisas que nos aproximam nos olhando nos olhos. Nem mesmo nunca podemos nos abraçar confortantemente  ante estas nossas incertezas. Eu não sei explicar. Simplesmente compartilhamos (de algum m&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;odo) nossos sentimentos.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Mas o que a família representa pra mim? São simplesmente as pessoas que me conhecem e que estão comigo há muito tempo. E o tempo é um fator determinante para que eu me sinta à vontade com as pessoas. E acho que puxei muito da matriarca a coisa de se relacionar com todos da família - tipo estar no centro, perto de todos. Juntando a coisa do amor (e do zelo e do carinho) à família e o fato de termos compartilhados sentimentos tão íntimos, temos (ou tenho) então um vínculo verdadeiro com você.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Prova disso (e isso definitivamente não precisa de provas) é a dor latente e intensa e recorrente que me acomete desde ontem. Saber do ocorrido foi muito doloroso. Mesmo que eu conheça (em alguma medida) a sua dor e as suas dúvidas nunca imeginei que estivessem em intensidade tão elevada. No mesmo momento senti um desejo enorme de ir até você, nem que fosse só pra te ouvir, ou mesmo pra passar os dedos sobre seu cabelo. Senti uma vontade de estar perto de ti. Mas não pude.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Havia algum tempo que não lhe lia. Outro dia desses seu recanto estava fechado à visitação pública. Após saber de tudo, fui até lá e pude visitá-la. Não vá. Não desista. Não pense que o fim fecha os olhos e nos põe a salvo daquilo que (ainda) não conseguimos entender ou alcançar. Ainda que o mote que nos levou à incompreensão da vida seja diverso, eu te digo: é preciso acreditar. É preciso crer em si. É preciso crer que o mundo que vemos pela janela da nossa mente é sim um mundo possível.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Essa racionalidade que possuimos é de fato um árduo fardo a carregar. De vez em quando me pego na dúvida de saber porque uns tem as costas tão leves. E talvez a resposta que possamos encontrar é que estes ou se contentam com subfelicidades ou se escondem e não expressam a própria racionalidade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Mesmo eu estando há algum tempo sem contato com você ainda sinto o mesmo carinho especial. E mesmo que estas palavras nunca cheguem ao seu coração, saiba que elas saíram do lado mais sincero deste meu. Nada jamais será maior que o nosso desejo de felicidade. Nunca feche seus belos olhos sinceros e nunca esqueça seu sorriso aberto. Como eu gostaria de te dar um abraço apertado. Espero que não me retires essa oportunidade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/759979092695463892-11543196636882984?l=visoesdeca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://visoesdeca.blogspot.com/feeds/11543196636882984/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2010/10/fica-conosco.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/11543196636882984'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/11543196636882984'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2010/10/fica-conosco.html' title='Fica conosco'/><author><name>João Pedro Pacheco Chaves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18224213722906219897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/S0amGe-F2SI/AAAAAAAAAFY/IfPYWfVErss/S220/Web+1.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-759979092695463892.post-7828862501856406174</id><published>2010-10-28T02:03:00.008-02:00</published><updated>2010-10-29T17:24:13.304-02:00</updated><title type='text'>"Eu não sou daqui"</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/TMozv2Y6VoI/AAAAAAAAAIo/p2Z3hopWH-Q/s1600/ari+stj.jpg"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center; cursor: pointer; width: 169px; height: 240px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/TMozv2Y6VoI/AAAAAAAAAIo/p2Z3hopWH-Q/s320/ari+stj.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5533291989324945026" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Lá estava eu nesta manhã em bate-papo com colegas em uma das salas do Juizado de Combate à Violência Contra a Mulher, lugar no qual presto estágio supervisionado (sob a supervisão de um professor virtual - que se diz chefe de coodenação de estágio do curso de direito da UESPI) quando soube desta fatídica notícia. Uma das colegas relatou-nos o fato e ainda teve a coragem de dizer-nos que (mais ou menos isso) "se fosse eu sairia era correndo, o cara é o presidente". Minha resposta veio instantânea, muito embora eu não a tenha expressado nestes termos: "Mas que porra é essa que você tá dizendo?"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;O fato é que na tarde do dia do querido meu Piauí, esse bacharel aí da foto (com cara de general e óculos de nazista) resolveu lembrar a um estagiário do STJ de que era o presidente do mesmo Superior Tribunal de Justiça. O tal presidente estava fazendo uma transação em um caixa eletrônico e o rapaz, que tinha tentado utilizar outros caixas (que estavam indisponíveis para a transação que ele iria fazer), colocou-se atrás da linha amarela e aguardava a sua vez. De repente o "magistrado" ordenou que o cara saísse dali e fosse procurar outro caixa, sob a desculpa de que estava fazendo uma operação pessoal. O jovem argumentou que estava no local correto e a "otoridade" mais uma vez ordenou que ele saísse de lá. O estagiário então passou a explicar o porquê de estar ali. Num ataque de falta de educação, preconceito e arrogância o "homi" gritou: “Sou Ari Pargendler, presidente do STJ, e você está demitido, fora daqui!”. Contam as testemunhas que o tal bacharel começou a puxar o crachá do estagiário (recém-demitido) e a berrar: "Você já era! Você já era!"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;De fato ele já era. Passada uma hora do incidente (eufemicamente) lamentável, o chefe do setor do jovem já estava com a carta de dispensa do rapaz sobre a mesa. Pra tentar "acalmá-lo" funcionários do setor de pessoal resolveram prestar-lhe uma palavra amiga: "pode ficar tranquilo que nada conterá em seus registros funcionais a respeito do ocorrido". O ex-estagiário foi então até o DP mais próximo e registrou queixa contra o tal bacharel por assédio moral (exposição do trabalhador a situação humilhante no trabalho). O delegado informou-0 de que não tinha competência para tal e o caso foi parar no STF.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Passados os fatos, vamos então às questões jurídicas. Aduz o art. 1º da Constituição Federal que constituem-se como fundamentos dessa nossa república: a cidadania (II), a dignidade da pessoa human (III), os valores sociais do trabalho (IV). O art. 3º nos diz que são objetivos fundamentais da república  Federativa do Brasil: constituir uma sociedade livre, justa e solidária (I); promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, cor, raça, sexo, origem, idade e quaisquer outras formas de discriminação (IV). O STJ, a grosso modo, é o tribunal que julga em grau de recurso questões controvérsas que envolvam legislação federal (o tal recurso especial); bem como outras, originariamente, que envolvam aqueles que tem foro privilegiado.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Eu vos pergunto então: como promover (e assegurar) tais fundamentos e objetivos se temos à frente do nosso judiciário um cidadão capaz de um ato como este? E mais: como vislumbrar algum (possível) avanço com a pespectiva que tem-se ante os futuros juristas (ressalte-se que outros que ouviam o que a moça do 1º parágrafo dizia, concordaram com ela - um chegou a dizer: "se não calasse tu nunca mais ganharia uma causa na tua vida")? Dá então pra dizer que a culpa do atraso do Brasil vem dos políticos, do congresso, do presidente?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Eu, então, me pergunto: o que é que eu tô fazendo aqui? Porque motivo eu vim (ou estou indo) parar nessa profissão? Talvez eu esteja condenado a vagar e a cumprir uma profecia que expus (inocentemente) quando criança: Eu vim pra contrariar e pra contradizer.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Só me restam mesmo os versos de Irene: "eu quero ir minha gente, eu não sou daqui".&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/759979092695463892-7828862501856406174?l=visoesdeca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://visoesdeca.blogspot.com/feeds/7828862501856406174/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2010/10/la-estava-eu-nesta-manha-em-bate-papo.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/7828862501856406174'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/7828862501856406174'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2010/10/la-estava-eu-nesta-manha-em-bate-papo.html' title='&quot;Eu não sou daqui&quot;'/><author><name>João Pedro Pacheco Chaves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18224213722906219897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/S0amGe-F2SI/AAAAAAAAAFY/IfPYWfVErss/S220/Web+1.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/TMozv2Y6VoI/AAAAAAAAAIo/p2Z3hopWH-Q/s72-c/ari+stj.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-759979092695463892.post-1604443819602323286</id><published>2010-10-25T19:00:00.001-02:00</published><updated>2010-10-25T21:48:11.901-02:00</updated><title type='text'>"Quase sem querer"</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/TMX6KuqWpXI/AAAAAAAAAIg/SiNKi7BrJ1Y/s1600/OAAAAD6zIpIISS8nR4de84L23s5k1pSSXZdZp6COD_9kEKNBrjzOV_3lruLP_OxAVO8VAjCs3NsCiDDiEosHGRg8cFsAm1T1UMzY8MSsXYHxm1wISviqBLes719R.jpg"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center; cursor: pointer; width: 361px; height: 240px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/TMX6KuqWpXI/AAAAAAAAAIg/SiNKi7BrJ1Y/s320/OAAAAD6zIpIISS8nR4de84L23s5k1pSSXZdZp6COD_9kEKNBrjzOV_3lruLP_OxAVO8VAjCs3NsCiDDiEosHGRg8cFsAm1T1UMzY8MSsXYHxm1wISviqBLes719R.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5532102779525834098" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;O fato é que o que me traz até aqui é um momento, de todo, especial: uma apresentação musical ocorrida no dia 18/10/2010 - véspera do aniversário do Piauí. Um presentaço - para o Piauí e para os Piauienses: o belo show do Nenhum de Nós.&lt;/span&gt; &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;Na busca por uma vaga pra estacionar já foi possível se ter o primeiro espanto: uma fila imensa. Parecia mesmo um show qualquer ou uma festa (como dizem por aí) "superbadalada" ou "bombada".  Não parecia ser um show de uma banda de rock dos anos 80, principalmente porque hoje (me) parece que o rock oitentista aconteceu há pelo menos umas 4 ou 5 décadas - haja vista o conceito colorido de rock que a "meninada" tem hoje.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Pois bem, lá fomos nós encarar a fila de uns 50m ou mais (sou péssimo em definir distâncias). Quando, enfim, entramos deu pra sentir que era casa cheia mesmo e já estava no palco o Teófilo (pra mim o músico mais talentoso da terrinha) cantando as suas e fazendo sempre &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;excelentes &lt;/span&gt;incursões pelo melhor (e mais diversificado) do repertório nacional.&lt;/span&gt; &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Após a bela apresentaçao de Teófilo Lima partimos então pra ansiedade: era chegada a hora da atração principal.&lt;br /&gt;A banda se armou e enfim entrou. Arrebatadora. Uma energia pulsante que levantou a todos. Uma simpatia cativante por parte de todos os músicos, ainda que este show fosse o primeiro em Teresina - mais de 20 anos após a fundação da banda. Mesmo sem saber de todo o repertório o show foi muito empolgante. E nos momentos das músicas mais "disseminadas" fomos todos à loucura, grande momento o de "Camila", "Eu não entendo", "Astronauta de Mármore".&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Mas o fato de essa noite ter sido tão especial ultrapassa a questão do show, da banda, da música, do clima oitentista (que tanto me atrai e que tanto admiro). O passado (enquanto momento marcante - de maneira genérica) pereceu me visitar naquele dia. Não nos termos de "Eu não entendo", nem em um modo saudosista. Ele me veio lembrar algumas coisas que há muito havia esquecido, ou que pelo menos há muito eu não sentia o agradável sabor.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Já nos passos a dois rumo ao fim da fila pude cruzar (de cabeça erguida, verdadeiramente) com rostos presentes no tal passado. Mas isso, certamente, é apenas um detalhe banal de tudo que representou essa bela noite. Ainda que tudo ainda seja muito "disperso" (e que naquele momento fosse ainda mais que agora) aquelas horas sob a luz da lua me pareceram uma clara indicação da existência deste meu mundo (im)provável.&lt;/span&gt; &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;Mas todo o encantamento que aquele (premeditado) encontro proporcionou vai mais além do resgate de um dado momento de felicidade acontecido em concreto. A beleza de tudo vem da naturalidade e da verdade do encontro (mais que) casual. Não foi preciso forjar, não foi preciso mentir, não foi preciso omitir. Não houveram desnecessárias amarras ou barreiras que impedissem que fôssemos tudo aquilo que queríamos ser ou que desejamos que fosse.&lt;/span&gt; &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;O encontro das mãos foi sincero. Os abraços apertados foram confortantes. Os lábios se tocaram carinhosamente.&lt;/span&gt; &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;O ponto máximo (se é que houve apenas um) foi quando o Nenhum tocou "Quase sem querer". Primeiro porque era Legião. Segundo, e acima de tudo, porque parece que aquela letra foi tocada exatamente pra resumir aquele momento e tudo o que vem acontecendo (desde o fim do ano passado).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;O show que nos aproximou  fisicamente, afinal uma aproximação ("intensa") já vinha se firmando à distância. O show que serviu de mote para o encontro pleno. Belíssima noite, belíssima!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/759979092695463892-1604443819602323286?l=visoesdeca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://visoesdeca.blogspot.com/feeds/1604443819602323286/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2010/10/quase-sem-querer.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/1604443819602323286'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/1604443819602323286'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2010/10/quase-sem-querer.html' title='&quot;Quase sem querer&quot;'/><author><name>João Pedro Pacheco Chaves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18224213722906219897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/S0amGe-F2SI/AAAAAAAAAFY/IfPYWfVErss/S220/Web+1.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/TMX6KuqWpXI/AAAAAAAAAIg/SiNKi7BrJ1Y/s72-c/OAAAAD6zIpIISS8nR4de84L23s5k1pSSXZdZp6COD_9kEKNBrjzOV_3lruLP_OxAVO8VAjCs3NsCiDDiEosHGRg8cFsAm1T1UMzY8MSsXYHxm1wISviqBLes719R.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-759979092695463892.post-3675402977946110274</id><published>2010-10-19T16:15:00.006-02:00</published><updated>2010-10-19T23:55:55.107-02:00</updated><title type='text'>Que aconteça, apenas -  Parte I</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;"Não é assim que as coisas funcionam?". E eu sei lá! Talvez. Ou talvez não. As coisas não deveriam funcionar. Tudo deveria simplesmente acontecer. Tudo deveria estar acima das regras, das convenções, dos padrões. Talvez assim pudéssemos nos libertar de estereótipos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Se tudo simplesmente acontecessem não haveria fortes ou fracos. Não haveria este ou aquele tipo de gente. Não seria possível identificar o que de fato se é por gestos, vestimentas, corte de cabelo ou por contatos iniciais. Talvez assim não fôssemos sempre tão pressionados a nos adaptarmos a pessoas e a situaçãoes pelo simples fato da aproximação.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Se colocássemos o acontecer acima do funcionar, certamente os momentos simples estariam mais em evidência do que os tais momentos que definem. Talvez assim pudéssemos conhecer, de verdade, os terrenos pelos quais levitamos (e que em alguns instantes até pisamos). Afinal, são momentos tidos como banais que nos identificam (com alguma convicção) o  que é este ou aquela. Mas como estão atrás, e apenas os standarts é que importam, então só convém mesmo achar que tudo funciona, no exato sentido de uma engrenagem. Isso mesmo, como um motor.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Ou como aquelas rodinha qeu fazem os ponteiros moverem-se. Ponteiros estes que se apressam (ou o fazem assim parecer) para que avidamente corramos para por em prática todo o funcionamento, sem que nos importemos com as coisas a nossa volta que estão para acontecer, ou que simplesmente, estejam a alguns passos de realmente acontecer.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Mas como a vida não é feita de funcionamentos, funcionalidades e funções a "teoria do funciona", em alguns (muitos) instantes, cairá por terra. Como a existência não é formada por regras rígidas, aí sim vemos "o que acontece e o que não deveria acontecer". E simplesmente, neste exato momento, apelamos pra esse último dizer aí. Mas já se foram muitas outras oportunidades de tudo acontecer e que justamente, por não ser assim que tudo funciona, não aconteceram. E talvez não aconteçam jamais.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Que bom seria temos como guia a intuição. Que bom seria adicionarmos a ela um pouco de loucura e anarquia. Que bom seria ver as coisas acontecendo na exata velocidade de um acontecer. Que bom seria ver ir pelos ares toda essa engrenagem que dita o modo como tudo dever funcionar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Talvez você que me lê (ou acha que o faz) pense que tudo isso é um insulto com um quê libertino ou de fracasso ou de "rebeldia descausada". Talvez. Ou talvez não. Mas, de fato, este que vos fala (ou que acha que o faz) já pôde vez como são felizes as coisas que simplesmente acontecem e que apenas por algum acaso estiveram (ou não) dentro da lógica (ilógica) do funcionamento.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Escrito em 07-08-2010&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/759979092695463892-3675402977946110274?l=visoesdeca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://visoesdeca.blogspot.com/feeds/3675402977946110274/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2010/10/qua-aconteca-apenas-parte-i.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/3675402977946110274'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/3675402977946110274'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2010/10/qua-aconteca-apenas-parte-i.html' title='Que aconteça, apenas -  Parte I'/><author><name>João Pedro Pacheco Chaves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18224213722906219897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/S0amGe-F2SI/AAAAAAAAAFY/IfPYWfVErss/S220/Web+1.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-759979092695463892.post-616308996997072028</id><published>2010-10-16T09:43:00.006-03:00</published><updated>2010-10-16T10:02:01.026-03:00</updated><title type='text'>Carta datada de 26/07/2010</title><content type='html'>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt; 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line-height: normal; text-align: justify;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size:10pt;"&gt;À pessoa mais importante da minha vida, &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0cm; line-height: normal; text-align: justify;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size:10pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0cm; line-height: normal; text-align: justify;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size:10pt;"&gt;De fato, confesso meu erro. Não quero com estas palavras explicá-lo ou redimi-lo. Quero apenas, aproveitando o ensejo, relembrar e materializar algumas coisas. Ainda assim, espero que tenhas a convicção que meu esquecimento foi totalmente despretensioso. Poderia dizer que a causa é por não estar com a cuca 100%, mas isto não posso mesmo dizer, afinal isso (de esquecer a datas importantes – dia das mães, aniversário) já aconteceu outras vezes, infelizmente. Talvez isso tenha sido um (estranho) bom sinal de que tudo está se assentando e se acertando.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0cm; line-height: normal; text-align: justify;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size:10pt;"&gt;Pois bem. Já disse inúmeras vezes que pra mim o que marca não são aqueles momentos emblemáticos – o natal do ano tal, a viagem daquelas férias, a festa do dia tal – não. O que é realmente importante pra mim é o cotidiano, os momentos corriqueiros. E, de fato, há muito, consegui resgatar isso. Há muito nossa relação tem se fortificado. Tem estado cada vez mais transparente, sincera e de mútua confiança. E acredite: isso foi uma escolha. Nestes últimos tempos de “negação de mim”, via por uma estreita brecha de lucidez, que perdia a minha família. Distanciava-me das duas pessoas que me restaram e que são as únicas que, hoje, amo incondicionalmente.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0cm; line-height: normal; text-align: justify;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size:10pt;"&gt;Resolvi abandonar o barco e voltar a navegar no mar calmo que sempre me confortou e me deu abrigo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0cm; line-height: normal; text-align: justify;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size:10pt;"&gt;Foi um esforço para não deixar as duas pessoas pelas quais sinto o dever de defender. Confesso aqui que nos momentos difíceis foram as razões que me prenderam à vida. (A ponta acabou e esse lápis é de péssima escrita - original em manuscrito).&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0cm; line-height: normal; text-align: justify;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size:10pt;"&gt;Tudo saiu – mais ou menos – como planejado. Aos poucos fui voltando ao lar. Voltando às noites em seu quarto, contando o dia, sorrindo, brincando, assistindo novela. E o quanto isso me deixou feliz. Foi o início da vitória, em que toda noite comemorava disfarçadamente. Com o tempo, só me interessava a ideia de chegar à última meta, para de fato enterrar esses últimos duros anos: confessar tudo. Enfim consegui. E, embora eu não tivesse o direito e você não merecesse, foi o maior presente que pude dar.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0cm; line-height: normal; text-align: justify;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size:10pt;"&gt;Eu não deixei de ser quem fui. Foi muito duro ouvir aquilo – de que não acreditavas mais em mim. No entanto, certamente era o que eu merecia ouvir.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0cm; line-height: normal; text-align: justify;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size:10pt;"&gt;Por mais que tenha sido um estranho presente de grego, representou muito para mim. Afinal, foram quatro anos em que neguei tudo aquilo que mais admiro nesta vida: tua garra, tua entrega, tua luta. Foram dias e noites em que me esquecia de tudo o que tinha me levado até ali. Esquecia dos finais de mês apertados, das negociações das caronas, das tristeza de não ter, de não poder. Esquecia dos conselhos duros e francos. Esquecia da batalha para colocar o minguado (mas constante) almoço na mesa. Esquecia do meu dever de um dia poder retribuí-la com o conforto que mereces ter. Não percebia que o meu sonho de um dia poder enchê-la de tudo aquilo que sempre quis ter não iria adiante. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0cm; line-height: normal; text-align: justify;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size:10pt;"&gt;Quer dizer, eu via, mas não levava em conta. Eu via porque – ao contrário de muitos – tive uma criação impecável. Não seria possível que um ser humano inserido em um contexto tão maduro, correto e propício à evolução regredisse a zero. E, de fato, não foi possível.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0cm; line-height: normal; text-align: justify;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size:10pt;"&gt;Preferi não ser egoísta. Não ser ingrato. Foram tantas provas de confiança e amor que recebi que jamais poderia negá-las. Eu só tinha um único dever: convencê-la de que o esforço não foi em vão. Por mais que isso ainda esteja em exercício, aos poucos vou provando que tudo não passou de uma má fase.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0cm; line-height: normal; text-align: justify;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size:10pt;"&gt;E, hoje, mesmo não tendo iniciado bem o dia – estranhei, pela manhã, o quanto dormias – desejo-te mais e mais felicidades. Acredito que tudo está encaminhando-se para o seu curso normal. E dentro de mais alguns meses, o merecido descanso. Daqui pra frente são três elementos de um só ser em crescimento constante. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0cm; line-height: normal; text-align: justify;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size:10pt;"&gt;Você é o maior orgulho de minha vida. Deve dizer isso para que eu não pense, por alguns atos meus, que eu não me preocupe ou que não estou nem aí para nada.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0cm; line-height: normal; text-align: justify;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size:10pt;"&gt;Por mais que eu tenha falado mais de mim aqui, isso é para expressar que tudo o que aqui eu disse tem você como causa.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0cm; line-height: normal; text-align: justify;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size:10pt;"&gt;Eu jamais poderia negar toda a sua força em fazer de mim um homem. Por isso, voltei a mim, em silêncio. Tudo pra não te trazer sofrimento.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0cm; line-height: normal; text-align: justify;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size:10pt;"&gt;Minha mãe, lhe amo. A tua presença basta para que eu volte à vida. Tuas palavras simples quebram minhas engenhosas idéias mirabolantes. És meu grande exemplo. És minha heroína. Obrigado por ter me dado a vida. Obrigado por ter me feito um homem. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0cm; line-height: normal; text-align: justify;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size:10pt;"&gt;Um dia, lhe devolverei a chance de se orgulhar de mim.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0cm; line-height: normal; text-align: justify;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size:10pt;"&gt;Obrigado por ser mãe, irmã, amiga. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0cm; line-height: normal; text-align: justify;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size:10pt;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0cm; line-height: normal; text-align: right;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size:10pt;"&gt;THE, 26/07/10&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:10pt;"  &gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;João Pedro Pacheco Chaves&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right; text-indent: 0cm; line-height: normal;" align="right"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:10pt;"  &gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:trackmoves/&gt;   &lt;w:trackformatting/&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt; 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  &lt;w:lsdexception locked="false" priority="71" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Shading Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="72" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful List Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="73" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Grid Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="60" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Shading Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="61" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light List Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="62" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Grid Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="63" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 1 Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="64" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 2 Accent 3"&gt; 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margin: 0px auto 10px; text-align: center; cursor: pointer; width: 315px; height: 284px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/TLUJkqpWVsI/AAAAAAAAAIY/3x6jhZ8H-H8/s320/momboj%C3%B3+-+amigo+do+tempo.png" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5527334643194812098" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;Confesso sofrer de uma racionalidade exagerada. É como querer sempre buscar um sentido em tudo, seja no que é explícito ou no que há de implícito. Mas, quando diante deste último (apenas), por vezes não consigo enxergar a tal mensagem. O engraçado é que por mais que eu me esforçe acabo por me convencer de que não há ali um sentido ou uma vontade. E, geralmente, não consigo admirar as coisas que não possuem um sentido - ou que apenas transmitem uma idéia vaga ou  fútil. É assim que defino o meu completo desinteresse para algumas coisas.&lt;/span&gt; &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;Quando transfiro isso pras artes, sobretudo pra música, fica claro pra mim  (embora nem sempre pros outros) porque não me atraio pelo forró (leia-se aviões, solteirões, safadões etc etc) ou por pagode (entenda-se aqueles vindos do túmulo do samba - SP - hodiernamente), por exemplo; mesmo eu estando em ambientes impossíveis de um total despreendimento. &lt;/span&gt; &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;Mas tenho que ressaltar que essa racionalidade que me acomete, por vezes, falha. Há algumas sonoridades que me atraem muito e que conquistam a minha admiração mesmo sem que eu consiga ver o tal sentido ou a tal idéia. &lt;/span&gt; &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;E é aí que eu incluo o Mombojó. Muitas letras são simples, sem nenhum sentido geométrico (ou mesmo poético) ou muitas vezes sem sentido algum. Mas a música que a banda faz é muito boa. O instrumental é muito bem elaborado, muito detalhado, muito múltiplo. Talvez isso deva ser por causa da terra natal - Pernambuco - um lugar de cultura efervescente, pulsante e, sobretudo, original. São toques de rock, de pop, instrumentos eletrônicos, de samba e até mesmo de bossa. &lt;/span&gt; &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;As guitarras são muito originais - sem virtuoses desnecessárias - apenas simples, inusitadas e muito agradáveis, empolgantes. A bateria sempre em uma cadência envolvente e dançante, de mãos dadas sempre com o excelente baixo.  Os teclados e os samplers dão o tom de quão inventivo é o som do grupo.&lt;br /&gt;É uma sonoridade livre, leve, inteligente. Lembra bandas de rock progressivo pelos longos momentos de boas sequências intrumentais (no caso dos pernambucanos aliados a letras curtas). O vocal também é bem legal. Nada de voz poderosa que alcança agudos &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;impossíveis &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;. Um vocal intimista que me faz lembrar dos vocais masculinos da bossa nova.&lt;/span&gt; &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;Ouço com alguma frequência os dois primeiros álbuns da banda - Nada de Novo (2004) e Homem-espuma (2006) - e confesso que a razão de tamanha admiração (mesmo sofrendo da tal racionalidade exagerada) é simples: o som faz bem, deperta boas sensações, nos guia por caminhos distantes, amenos. &lt;/span&gt; &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;Neste ano lançaram o terceiro trabalho: Amigo do Tempo. Senti a ausência dos instrumentos de sopro, do cavaco. A razão se deve ao falecimento precoce de um dos integrante e a saída de outro. Agora com um time de cinco, a banda apresenta um disco mais focado nas guitarras, nos teclados e nos samplers.&lt;br /&gt;Um disco excelente. As guitarras são muito bem trabalhadas. Destaco Justamente, Casa Caiada, Triste Demais, Amigo do Tempo, Papapa (com um clipe divertidíssimo). Destaco-as talvez porque tenham sido as que eu mais escutei. Discos do Mombojó, pra mim, são pra ser ouvidos completo (e em ordem).&lt;/span&gt; &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;Que bom que minha racionalidade extrema (e estranha) me trai. É muito agradável ouvir o som do Mombojó. Talvez eles não traiam tanto a minha racionalidade, pois fazem algo que considero genial na arte: misturar conceitos sem soar estranho. Outra coisa legal é que os caras disponibilizam as músicas pra download.&lt;br /&gt;Espero a vinda deles a Teresina, acho que vieram aqui há muito tempo, se não estou enganado. O som ao vivo deve ser mais pulsante e mais envolvente. O rock brasileiro é mesmo um dos melhores do mundo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Ah, já ia esquecendo: som recomendadíssimo pra namorar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Clipe "Papapa": http://www.youtube.com/watch?v=1gX_Vre9wak&amp;amp;feature=related&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Download - "Amigo do Tempo" (2010): &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;http://theculturalizando.blogspot.com/2010/08/downloadeando-mombojo-amigo-do-tempo.html&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/759979092695463892-6506638541200927009?l=visoesdeca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://visoesdeca.blogspot.com/feeds/6506638541200927009/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2010/10/mombojo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/6506638541200927009'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/6506638541200927009'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2010/10/mombojo.html' title='Mombojó'/><author><name>João Pedro Pacheco Chaves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18224213722906219897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/S0amGe-F2SI/AAAAAAAAAFY/IfPYWfVErss/S220/Web+1.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/TLUJkqpWVsI/AAAAAAAAAIY/3x6jhZ8H-H8/s72-c/momboj%C3%B3+-+amigo+do+tempo.png' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-759979092695463892.post-3672753306640022821</id><published>2010-10-10T12:03:00.004-03:00</published><updated>2010-10-10T18:54:45.009-03:00</updated><title type='text'>Crime e Castigo - Dostoiévski (1866)</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/TLI06l9Y76I/AAAAAAAAAIQ/DirpWbz3qNQ/s1600/crime_e_castigo.jpg"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center; cursor: pointer; width: 193px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/TLI06l9Y76I/AAAAAAAAAIQ/DirpWbz3qNQ/s320/crime_e_castigo.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5526537873963675554" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Ufa. Enfim, chegou o FIM. O flerte se iniciu lá no mês seis e de lá pra cá  (até agosto) o livro veio mudando de lugar na estante. Ao fim de um passava então pra outro, comprava mais outros; mas nunca me sentia preparado pra lê-lo. E ainda hoje continuo convicto de que não estou. Mas de qualquer modo me atrevi.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;As obras de arte incontestáveis&lt;/span&gt; sempre trazem consigo um quê de mistério e receio. O primeiro deve vir do fato de que algo de muito especial e extraordiário possuem. O segundo, que confesso ser uma sensação que particularmente sinto, vem do fato de que talvez eu não esteja em condições de absorvê-la. É como se eu talvez não estivesse preparado para analisá-la ou entendê-la. Mas a coisa da incursão do plebeu no mundo da alta cultura ou do &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:trebuchet ms;" &gt;ingnorante&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; no mundo cult; me dão a necessária audácia pra tentar.&lt;/span&gt; &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;E assim lá fui eu despretenciosamente mergulhar no extenso mundo de Raskólhnikov.&lt;br /&gt;Ouvi de alguém, iniciado nas letras, que a obra não tinha nada demais. Eu só pude duvidar, mesmo estando, à época, nas primeiras páginas, afinal a simples referência ao título já desperta alguma curiosidade nas pessoas (assim como aconteceu comigo). O problema é que à medida que a parte que faltava ler ia tornando-se menor que a já lida, eu não percebia nada de tão extraordinário. Mas quando enfim vi a tal palavra FIM pude ter a certeza: esta é maravilhosamente uma obra prima da arte.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;A obra é divida em seis partes e com um epílogo. A narrativa é composta por longos diálogos e por uma avaliação psicológica impecável dos personagens. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;" &gt;São diversas estórias que gravitam em torno do personagem principal, que sempre está presente nelas evidenciando toda a sua personalidade transtornada por seu crime.&lt;br /&gt;Raskólhnikov comete-o inspirado em suas teorias.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; De início o delito parece ser perfeito, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;ainda que a execução tenha envolvido algo&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; de inesperado: sem pistas, sem provas, sem suspeitas contra si. Entretanto, tudo isso vai surgindo  ("espontaneamente") de onde menos se espera: do próprio assassino. Após a descrição de sua condição (tida pelo protagonista como a motivação de tudo) e do desenrolar dos planos à sua concretização; somos mergulhados num ambiente febril e tenso. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;A primeira parte é dedicada ao crime e as outras cinco nos contam o castigo. O epílogo nos traz uma espécie de redenção. E foi nesse exato momento que pude me dar conta de tudo. São quase 600 páginas e toda a grandiosidade é guadada nas três últimas. É como se o sentido de tudo fosse-nos revelado ali: o sentido de tudo mesmo, da obra e da vida. Um final que me lembrou imediatamente a película "Um copo de cólera" (BRA - 1999).&lt;/span&gt; &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;Uma leitura difícil, seja pelos inúmeros personagens com nomes naturalmente russos, seja pela extensão do livro, seja pela vastidão das estórias que acompanham a principal. Entretanto, uma obra belíssima que vale a pena o esforço, ainda que seja lido nas condições que fiz: sem nenhum preparo intelectual e sem nenhum conhecimento estabelecido sobre a literatura. Impossível não fazer um paralelo com nossa própria condição.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/759979092695463892-3672753306640022821?l=visoesdeca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://visoesdeca.blogspot.com/feeds/3672753306640022821/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2010/10/crime-e-castigo-dostoievski-1866.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/3672753306640022821'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/3672753306640022821'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2010/10/crime-e-castigo-dostoievski-1866.html' title='Crime e Castigo - Dostoiévski (1866)'/><author><name>João Pedro Pacheco Chaves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18224213722906219897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/S0amGe-F2SI/AAAAAAAAAFY/IfPYWfVErss/S220/Web+1.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/TLI06l9Y76I/AAAAAAAAAIQ/DirpWbz3qNQ/s72-c/crime_e_castigo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-759979092695463892.post-1436181425005924390</id><published>2010-10-04T00:26:00.004-03:00</published><updated>2010-10-04T01:33:08.665-03:00</updated><title type='text'>Noites com sol</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;A vida é mesmo sem sentido. É mesmo controversa. É mesmo surpreendente. Mas, acima de tudo, é divertida, interessante&lt;/span&gt;.&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; O mais cômico de tudo, vendo com um tom de humor negro e despreendimento, é que ela nos bota em cada situação que até é natural teimar que estejam mesmo a nos envolver. Pra fugir da paranóia o melhor mesmo é abrir um sorriso curto, sacudir a cabeça e seguir andando.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;E pra fugir dessa paranóia só mesmo a certeza de si. Certeza essa que não nos cobra o exemplar comportamento a que os outros nos impõem. Certeza que nos deixa tranquilos pra sermos francos, espontâneos e verdadeiros (nem que seja apenas consigo mesmo). É como um sentimento de liberdade, de depreendimento das relações habituais e dos gestos e das falas e das atitudes vinculadas. É esquecer o texto e improvisar. É falar com os olhos, com um sorriso. É deixar que tudo siga desgovernadamente. É deixar despertar o que não é seu, naturalmente. Ou até mesmo alegrar-se com o que não desperte naturalmente.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Mas ainda assim, toda essa certeza pode saber-se efêmera. Talvez o fracasso da (despretenciosa) fé num futuro, em algo que se construa ao acaso possa torná-la em incerteza, desilusão, vazio. Mas isso já não faz parte da tal paranóia dita ali em cima? Decerto. Melhor mesmo não pensar nisso.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;E então? Então é abrir o tal sorriso curto e andar por aí. É crer no mundo (impossível) que se desenha apenas em nossa mente. É deixar a vida correr. É cuidar de si. É conhecer a tudo, a todos. É aparar as arestas que se soltam. É sorrir. É ser verdade e veracidade. É não (des)esperar. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Talvez desconstuir entendimentos seja o mais aconselhável. Criar teorias loucas sobre esses fatos (quase) inacreditáveis não nos leva a nenhuma compreensão. O que vai ser e o que pode ser ou o que podemos fazer ser já não importa. Deixo que as noites com sol (e também as noites de longas e prazerosas conversas sinceras) sejam momentos de aproximação, de apresentação. Que sejam momentos como aqueles ditos pelo Kerouac: "Não me refiro a galanteios -  mas sim um profundo diálogo de almas, porque a vida é sagrada e cada  momento é precioso". &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/759979092695463892-1436181425005924390?l=visoesdeca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://visoesdeca.blogspot.com/feeds/1436181425005924390/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2010/10/noites-com-sol.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/1436181425005924390'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/1436181425005924390'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2010/10/noites-com-sol.html' title='Noites com sol'/><author><name>João Pedro Pacheco Chaves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18224213722906219897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/S0amGe-F2SI/AAAAAAAAAFY/IfPYWfVErss/S220/Web+1.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-759979092695463892.post-5733259883957605022</id><published>2010-10-01T00:19:00.006-03:00</published><updated>2010-10-01T01:35:51.436-03:00</updated><title type='text'>Furacão Elis (1986)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/TKVYyZyR0GI/AAAAAAAAAII/CfBlStEMdDo/s1600/furac%C3%A3o+elis.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 209px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/TKVYyZyR0GI/AAAAAAAAAII/CfBlStEMdDo/s320/furac%C3%A3o+elis.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5522918140978253922" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Graças a uma amiga – na verdade a namorada de um grande amigo, pude ler “Furacão Elis” (1986). Já tinha tido algum contato (íntimo) com a obra da moça pela discografia, por entrevistas, por vídeos, por especiais. No entanto, nada tão próximo e tão expressivo como sua biografia.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;Fui avisado, de início, que após lê-lo, não mais teria a mesma visão de Elis. Confesso que não “fui adiante” no comentário. Não consegui sentir aonde se queria chegar com este conselho. Se me decepcionaria ou se passaria a louvá-la ainda mais. Tive a sensação de que as palavras ditas tendiam mais para o primeiro. Mas pra não bancar o chato, resolvi não discutir o mérito. Era mais aconselhável ler primeiro.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Tinha, àquela altura, a convicção de que isto não pudesse me acometer. Por ser alguém extremamente analítico e exigente, é bem difícil que guarde profunda admiração por alguém sem que eu tenha fortes indícios de que realmente merece. Assim acontece com Elis. A verdade que exprime em sua arte supera tudo de lendário que pode cercá-la.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;A obra traz, com clareza, quem de fato era a mulher por traz da artista. Alguém de gênio difícil. Não deveria de ser a pessoa mais amável desse mundo, como muitos esperam (e exigem) que sejam os artistas. Os amigos e pessoas próximas dão um sincero retrato da grande cantora. Exprimem de maneira lúcida as relações conturbadas de Elis com as pessoas que a cercavam e que a cercaram. A obra retrata, e de certa forma explica, o porquê das relações conturbadas e de sua personalidade impactante.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Ao que toca a parte artística exprimem uma grande artista. Completa. Mais que uma grande cantora. Uma artista de nascimento, marcada pelo talento inato para a música. Desde as lindas e marcantes interpretações às intervenções sobre arranjos e músicos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Infelizmente a explosão de sentimentos e desejos e de sua arte nos foi interrompida. Lamento estar temporalmente distante. Resta-me o consolo de ter contato com sua arte. E esse capítulo final é a tristeza que esperei sentir desde o início. Comecei a leitura já esperando por este momento. Muito por querer saber, de fato, como se deu o fim de sua efêmera existência. Pela curiosidade de entender até que ponto a droga foi propulsora de sua arte – como a muitos aconteceu. E parece que ela não foi tão presente como imaginei, parece ter sido algo mais próximo dos últimos instantes de sua carreira.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;O relato do fatídico 18-19/01/82 é algo bem real, dado por seu companheiro à época. Acredito que o sentimento de “como tudo poderia ter sido evitado” é natural. Mais natural é a vontade de entender como se deu o ocorrido. Isso se deve, principalmente, pelas experiências a que somos acometidos e por saber como estas coisas funcionam. Simplesmente acontecem. Infelizmente acontecem. Parece que alguns prazeres (e alguns “refúgios”) existem pra nos lembrar que somos humanos e que sempre existem locais onde não podemos pisar. No entanto, no mais das vezes, essa regra só se torna clara quando já estamos na zona proibida. E, em alguns momentos, não se pode mais voltar a ser humano, tampouco se pode voltar a pisar em solo firme.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Resta-nos a lembrança. Resta-nos a saudade. Resta-nos a sua arte. Elis já não nos canta inéditas. Eu me aprofundo ainda mais em sua obra. Pra mim, muita coisa ainda é inédita. Pra mim ela nunca &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;será um personagem batido, como se já estivesse sido esgotada a possibilidade de analisar sua arte. Ler “Furacão Elis” é suprir a distância a que estou de sua geração e dos condicionamentos que geraram sua obra.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;PS.: Li a versão original do livro, publicado em 1986. Há muitas fotos. Registro de seus últimos dias em uma agenda. Algumas anotações. Uma cronologia da vida da biografada. Sua completa discografia. De fato, uma obra completa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrito em 22-7-10&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/759979092695463892-5733259883957605022?l=visoesdeca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://visoesdeca.blogspot.com/feeds/5733259883957605022/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2010/10/gracas-uma-amiga-na-verdade-namorada-de.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/5733259883957605022'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/5733259883957605022'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2010/10/gracas-uma-amiga-na-verdade-namorada-de.html' title='Furacão Elis (1986)'/><author><name>João Pedro Pacheco Chaves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18224213722906219897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/S0amGe-F2SI/AAAAAAAAAFY/IfPYWfVErss/S220/Web+1.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/TKVYyZyR0GI/AAAAAAAAAII/CfBlStEMdDo/s72-c/furac%C3%A3o+elis.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-759979092695463892.post-3292823193439286539</id><published>2010-09-24T23:01:00.004-03:00</published><updated>2010-09-24T23:47:02.982-03:00</updated><title type='text'>O dia me chama</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Tenho um certo (grande) fascínio pela noite. Tudo isso pela lua, pelo clima ameno, pela beleza indefinida da escuridão, por toda a boemia que a envolve, mas sobretudo porque ao seu fim o sol sempre se expõe. E como me agrada viver toda a noite. Vê-la nascer, crescer, arder, pulsar e por fim confortar-nos com um belo céu dourado. Acho mesmo que o melhor momento das 24hs horas que, geralmente, compõem o nosso dia é aquele compreendido entre 5 e meia e 6 e meia. É ali que a vida desperta para o trabalho. É ali também que repassamos a noita a limpo. Ou ainda é ali que comemoramos por mais uma noite vivida intensamente.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;De fato a questão da boemia é que me atrai à noite. A vida sem amarras, sem censuras, os diversos espaços que podemos preencher, a existência livremente. Não há toda aquela claridade que nos denuncia e, por vezes nos obriga a censurar-se.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Ultimamente tenho vivido cada noite como se a última fosse, como se nunca mais o sol fosse sair. E, sempre, me engano. Ela sempre acaba. O sol, rapidamente, volta a iluminar. Eu sempre me engano. Ela sempre me acaba. Sim, foram noites e noites ferventes e "instantâneas". Nos últimos dias as noites tem sido menos entorpecidas (ou pelo menos legalmente entorpecidas). Mas isso parece não ser consolo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;O pior de amar a noite é ter que abandonar o dia. O problema é sempre não poder conciliar os dois. O louvor a noite nos faz adormecer de dia. E o dia é o dia. Não é possível abandonar o dia. Afinal, é lá que as coisas acontecem pra que possamos enfim "ir" à noite.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Eu também me agrado muito pelo dia. Aí está o problema: amo o dia e a noite e tenho o desejo de vivê-los intensamente. Mas não dá. Então, naturalmente, sou obrigado a optar.  Nos últimos dias, marquei X no parênteses da noite, como já disse.&lt;br /&gt;Mas, então, não foi quando optei (ou fui obrigado a isso) pelo dia é que fui mais feliz? Sim, de fato. Talvez porque com a claridade seja possível ver melhor, tanto com os olhos, ouvidos e coração e razão (por mais contraditório que isso possa parecer). A noite turva-nos e por ser mais "curta" apressa-nos e não nos dá o tempo exato para que possamos ver plenamente.  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Já provei então do dia e da noite (e sob várias possibilidades).  Analisando o custo benefício, o dia me deu mais "glórias". Parece que me adapto melhor ao dia, talvez pela criteriosidade analítica (lerdeza, saca?). Vendo em perspectiva o dia nos dá mais conforto, até mesmo para adentrar na noite. Apostar no dia pode nos levar a uma confortável e feliz boemia noturna, ainda que tardia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;É, de fato, parece ser a hora de apostar no dia. Caros amigos da noite, as cenas que se acumulam ao longo delas me provam que o dia me chama, ainda que originalmente tenham apenas me entristecido. É hora de dar umas férias para o boêmio, senão talvez ele se desiluda, de vez, da boemia. E isso, decerto, não pode ocorrer. A vida, então, perderia o sentido.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/759979092695463892-3292823193439286539?l=visoesdeca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://visoesdeca.blogspot.com/feeds/3292823193439286539/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2010/09/o-dia-me-chama.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/3292823193439286539'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/3292823193439286539'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2010/09/o-dia-me-chama.html' title='O dia me chama'/><author><name>João Pedro Pacheco Chaves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18224213722906219897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/S0amGe-F2SI/AAAAAAAAAFY/IfPYWfVErss/S220/Web+1.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-759979092695463892.post-4171834834600061498</id><published>2010-09-22T19:58:00.004-03:00</published><updated>2010-09-22T20:41:33.461-03:00</updated><title type='text'>O que fizemos de nós?</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;"&gt;A que ponto chegamos irmão? O que nós fomos, o que nós somos e em que nos tornamos? Estamos os dois à deriva. Perdidos. Sem paz, sem algum sentido real. O que fizemos de nossas vidas? Por que fomos tão longe?&lt;br /&gt;Lembro-me de um tempo em que tudo parecia prenunciar que o sucesso nos rondava, ainda que cada um à sua maneira. Tudo parecia refletir o belo futuro que a vida nos guardava. Parecia ter tirado, daqueles que nos comparavam, a razão em afirmar que seu insucesso era evidente. Isso muito me alegrava afinal tirava um pouco do peso das minhas costas, sempre carregadas de previsões vitoriosas.&lt;br /&gt;Isso me alegrava sobretudo por você, meu irmão. Por ver que estaríamos juntos quando adultos. Encaminhados, com belas famílias, o churrasco de domingo ora na minha casa ora na sua. Nossos filhos todos juntos, crescendo e brincando e se tornando, assim como nós, também irmãos. Todos os nossos amigos, nossos pais felizes e contentes com o futuro que plantaram em nós.&lt;br /&gt;Mas afinal o que a vida fez de nós? Como podemos tanto nos enganar? Como fomos capazes de nos iludir tanto e de tal maneira?&lt;br /&gt;Nos enganamos que poderíamos. Nos enganamos que poderíamos construir esse futuro possível daquela maneira. Fomos tão infantis acreditando que éramos por demais fortes e maduros. Jogamos tudo fora às carreiras. Ainda que nos fins de noite por diversas vezes (em quase todas elas, na verdade), mesmo que completamente entorpecidos, tenhamos percebido aonde a estrada de areia branca nos levaria, não confiamos no que dissemos. Não cumprimos nossas promessas. Não reconhecemos que de fato somos humanos.&lt;br /&gt;Levamos uma rasteira de nossas próprias meias-verdades. Enganamos a todos sim (e muito bem). Lembro-me das longas (e filosóficas) conversas de fim de noite em que nos metíamos e eles nem desonfiava a que custo nos movíamos. E hoje, após a confissão, vemos que também nos enganamos muito bem. Partimos nossa família. Destroçamos todos aqueles bons momentos que já não acontecem mais.&lt;br /&gt;Fizemos tudo isso juntos, mas uma hora percebi que era tempo de partir. Parti e tu prosseguiste. Chegaste até os confins do perigo. Atravessaste a fronteira e estás agora aí. Infelizmente, hoje, tu estás a dar razão àqueles que professavam aquela maldita comparação.&lt;br /&gt;Mas o que a vida fez de nós? O que fizeram com as previsões a nosso respeito? O que fizemos com os nossos sonhos? Tu, aí, sozinho. Eu aqui, cercado de afeto, mas também  sozinho. Eu e tu em lados opostos do muro. Aquele que nos vê ao longe não concebe algo de semelhante em nossas vidas hoje, mas basta chegar mais perto pra perceber como estamos no mesmo barco.  Perdemos a garra, a determinação, a ganância. Nos distanciamos infinitamente de nossos sonhos. Estragamos tudo e perdemos a razão e perdemos a noção.&lt;br /&gt;Por que fizemos tudo isso, meu irmão? Por que eu não consigo acreditar que conseguiremos voltar? O que fizemos de nós?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/759979092695463892-4171834834600061498?l=visoesdeca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://visoesdeca.blogspot.com/feeds/4171834834600061498/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2010/09/o-que-fizemos-de-nos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/4171834834600061498'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/4171834834600061498'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2010/09/o-que-fizemos-de-nos.html' title='O que fizemos de nós?'/><author><name>João Pedro Pacheco Chaves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18224213722906219897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/S0amGe-F2SI/AAAAAAAAAFY/IfPYWfVErss/S220/Web+1.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-759979092695463892.post-2892960355944273664</id><published>2010-09-19T15:07:00.005-03:00</published><updated>2010-09-19T16:01:23.443-03:00</updated><title type='text'>Capítulo 27 (2007)</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/TJZW9kvZKII/AAAAAAAAAIA/Htq6ErWuMEs/s1600/chapter_27.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 217px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/TJZW9kvZKII/AAAAAAAAAIA/Htq6ErWuMEs/s320/chapter_27.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5518694009223587970" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Ficha Técnica:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Título: Capítulo 27 (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Chapter 27&lt;/span&gt;)&lt;br /&gt;Gênero: Drama&lt;br /&gt;Ano: 2007&lt;br /&gt;Origem: Canadá&lt;br /&gt;Direção: J. P. Shaefer&lt;br /&gt;Elenco: Jared Leto, Lindsay Lohan, Judah Friedlander&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Sinopse:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nova York, dezembro de 1980. Esta é a data que mudará para sempre o destino da história da música. Em 8 de dezembro de 1980, o solitário Mark Chapman atira em John Lennon cinco vezes em frente ao edifício Dakota, onde John Lennon e Yoko Ono moravam. Quais foram as causas, os motivos? Esta é a história do assassinato que chocou o mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Visão de Cá:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vi referência a esse filme quando vi algo sobre um outro filme que conta a história do assassinato de Jonh Lennon. Lá havia um comentário que dizia que este e um outro eram melhores do que aquele que estava disponível para download. De início, me veio a mente o nome Jared Leto, entretanto eu não consegui lembrar-me de onde vinha tal referência. Quando consegui fontes para baixá-lo, me chamou atenção o destaque de que esse filme era independente. Isso alertou-me para que não me aguardava uma mega produção de Holywood.&lt;br /&gt;Bom, já nas primeiras cenas pude lembrar-me quem era  Jared Leto: é o Harry de Réquiem para um Sonho (2000). Li algumas críticas do filme, logo após assisti-lo. Todas o classificavam como lento, pouco empolgante, monótono e até mesmo perda de tempo. Uma delas dizia que a atuação de Leto era medíocre. No entanto, a maioria colova a atuação do ator como o único ponto alto do filme.&lt;br /&gt;Não vi o filme como lento, as suas quase duas horas passaram até rápido. De fato, não é uma película com ação ou cenas cheias de lirismo e emoção. A meu ver se propôs a contar os últimos três dias deste assassino, sobretudo sobre a ótica de sua insana mente e aí se explica ser quase um monólogo. E, por isso, a interpetação de Leto é tão brilhante. A voz em off traduz bem o mente desesperada e doentia do assassino de um dos maiores artistas da história da humanidade.&lt;br /&gt;Gostei do filme. A mim, pareceu-me ser um mergulho na mente de Mark Chapman, dentro de suas perturbações e fantasias. Talvez a leitura do livro "Apanhador no campo de centeio" ajude a compreender melhor a que vem o filme, mesmo eu não tendo lido-o não considero o filme ruim.  O título se explica por o livro, tido como "inspirador" do assassino, conter 26 capítulos e o de número 27 seria, segundo Mark, o deste crime.A trilha sonora também é muito boa.&lt;br /&gt;Certamente, esta película, não é indicada a espectadores de filmes comerciais.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/759979092695463892-2892960355944273664?l=visoesdeca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://visoesdeca.blogspot.com/feeds/2892960355944273664/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2010/09/ficha-tecnica-titulo-capitulo-27.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/2892960355944273664'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/2892960355944273664'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2010/09/ficha-tecnica-titulo-capitulo-27.html' title='Capítulo 27 (2007)'/><author><name>João Pedro Pacheco Chaves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18224213722906219897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/S0amGe-F2SI/AAAAAAAAAFY/IfPYWfVErss/S220/Web+1.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/TJZW9kvZKII/AAAAAAAAAIA/Htq6ErWuMEs/s72-c/chapter_27.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-759979092695463892.post-7353056669927269463</id><published>2010-09-13T22:32:00.008-03:00</published><updated>2010-09-16T17:01:12.627-03:00</updated><title type='text'>"E quero que você venha comigo"</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;"&gt;Uma bela noite de céu (incrivelmente) estrelado. Um lugar como nenhum outro. Sem luzes humanas. Sem o  costumeiro tiroteio de informações. Sem imagens projetadas. Sem enredos encenados. Sem convites para algum baile. Tudo concentrado na vastidão da natureza crua.&lt;br /&gt;Após uma viagem tensa e cansativa, o merecido descanso em rasas águas cristalinas e tranquilas. À luz de candeeiros, desenrolam-se longas risadas. Longas histórias. Algumas músicas, algum dedilhado nas cordas de aço, algum improviso. Copos cheios de prazer em constante movimentação, enchem e secam e enchem e preenchem as mentes.&lt;br /&gt;O desconserto vai indo embora. A ansiedade com o (premeditado) encontro consome, de modo a prenunciar algum temor pelo que certamente seria e talvez não será. Ainda assim tudo flui. Belas canções nos lembram que algum resquício desse nosso mundo adentrou lá. De repente, os olhos curiosos dos nativos vão se fechando e vão restando apenas os estrangeiros.&lt;br /&gt;Mais. Vão ficando apenas alguns, talvez coadjuvantes que preparam o palco para a cena principal. É hora então de deixarmos as cadeiras da platéia. Subimos, então, por trilhas escuras, guiados por sorrisos e uma aura de alegria e contentamento, rumo ao tablado. Empurrados (dada a velocidade inexplicável da chegada) pelos guardiões dos bons momentos, enfim, lá chegamos. Assentamos e nos acomodamos. Após gritos, risos, confissões e um mergulho na escuridão da bela noite, parece ter chegado a hora da volta.&lt;br /&gt;De fato não era ali o palco. Voltamos todos à terra dos estrangeiros mais bem adaptados à terra crua. Impelidos por estes enfim subimos ao palco composto pela armação de um grosso tecido apoiado em dois pontos paralelamente inclinados.&lt;br /&gt;Restaram apenas os protagonistas. Tu foste e de lá acenaste para que este desastrado ator seguisse-a. Com algum atraso fui. As poucas palavras pareciam traduzir o roteiro daquela cena, delineado há algum tempo. Aproximação. Dedos a deslizar pelo rosto. Mais perto. Olhos nos olhos. Olhos nos lábios. Olhos que não mais vêem. Lábios que beijam única e longamente.&lt;br /&gt;Toda cena há de ter sua trilha e a desse momento vem de algum lugar de 71, Caetano e Chico: "E quero que você venha comigo/ Todo dia/ Todo dia..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É preciso parar por aqui, porque isto não é uma ficção. Este tem de ser o final da cena, pois a proposta não é contar algo (apenas) baseado em fatos reais. Afinal, a proposta é escrever um texto que não seja nem depressivo, nem depreciativo, portanto leia-se, antes deste espaço aí de cima: FIM.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/759979092695463892-7353056669927269463?l=visoesdeca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://visoesdeca.blogspot.com/feeds/7353056669927269463/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2010/09/uma-bela-noite-de-ceu-incrivelmente.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/7353056669927269463'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/7353056669927269463'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2010/09/uma-bela-noite-de-ceu-incrivelmente.html' title='&quot;E quero que você venha comigo&quot;'/><author><name>João Pedro Pacheco Chaves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18224213722906219897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/S0amGe-F2SI/AAAAAAAAAFY/IfPYWfVErss/S220/Web+1.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-759979092695463892.post-2325604723395530753</id><published>2010-09-08T23:13:00.004-03:00</published><updated>2010-09-11T19:12:21.178-03:00</updated><title type='text'>Cólera</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Uma cólera, em alguns (longos) momentos, se aflora. Sempre de igual modo. Sempre com motivação semelhante. Sempre perturbadora. Densa. Conflitante. Corrosiva. Ácida. Suicida. Fenomenologicamente impossível.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Sinapses que sabe-se lá de onde vem; pouco a pouco, transmitem-na. Em poucos instantes os impulsos se extremam e ela percorre com uma fluidez incrível todos os ticos e tecos. Ricocheteia e, em outros poucos instantes, já vai ribanceira a baixo. Arma um nó na garganta e toma toda a (pouca) espessura do peito. Prende a respiração. Aperta o peito. Acelera os batimentos. Acaba por concentrar-se no estômago, causando um frio insuportável de ansiedade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Após esse itinerário, ocorrido com a rapidez superior ao desta descrição, todo o corpo pulsa. Vibra. Estremece estático. As idéias cessam. O humor enegrece. O mundo desliga-se e seus habitantes parecem passar com uma rapidez extrema, tal como aqueles efeitos de vídeo ou aquelas viagens psicodélicas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Explode um silêncio inquietante. As palavras que ousam sair; expressam-se sem nada querer dizer. São vazias. Desconexas. Disformes. Saem acompanhadas de um fervor repulsante. Ainda que venham a ter algum sentido lançam toda a cólera que flui internamente. E disso voltam a perder o sentido.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Com essa constatação imediata, retorna o silêncio. O desprezo auditivo leva ao isolamento. Este, por sua vez, aumenta (e atrai) a cólera. E todo o processo se repete. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/759979092695463892-2325604723395530753?l=visoesdeca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://visoesdeca.blogspot.com/feeds/2325604723395530753/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2010/09/colera.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/2325604723395530753'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/759979092695463892/posts/default/2325604723395530753'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://visoesdeca.blogspot.com/2010/09/colera.html' title='Cólera'/><author><name>João Pedro Pacheco Chaves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18224213722906219897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_0ilPnwD6zVQ/S0amGe-F2SI/AAAAAAAAAFY/IfPYWfVErss/S220/Web+1.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-759979092695463892.post-5423890944270430491</id><published>2010-09-08T22:04:00.004-03:00</published><updated>2010-09-08T23:09:39.959-03:00</updated><title type='text'>Quimera vivida</title><content type='html'>&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 12"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 12"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CUsers%5CJOOPED%7E1%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;link rel="themeData" href="file:///C:%5CUsers%5CJOOPED%7E1%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_themedata.thmx"&gt;&lt;link rel="colorSchemeMapping" href="file:///C:%5CUsers%5CJOOPED%7E1%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_colorschememapping.xml"&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:trackmoves/&gt;   &lt;w:trackformatting/&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:donotpromoteqf/&gt;   &lt;w:lidthemeother&gt;PT-BR&lt;/w:LidThemeOther&gt;   &lt;w:lidthemeasian&gt;X-NONE&lt;/w:LidThemeAsian&gt;   &lt;w:lidthemecomplexscript&gt;X-NONE&lt;/w:LidThemeComplexScript&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;    &lt;w:dontgrowautofit/&gt;    &lt;w:splitpgbreakandparamark/&gt;    &lt;w:dontvertaligncellwithsp/&gt;    &lt;w:dontbreakconstrainedforcedtables/&gt;    &lt;w:dontvertalignintxbx/&gt;    &lt;w:word11kerningpairs/&gt;    &lt;w:cachedcolbalance/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;   &lt;m:mathpr&gt;    &lt;m:mathfont val="Cambria Math"&gt;    &lt;m:brkbin val="before"&gt;    &lt;m:brkbinsub val="&amp;#45;-"&gt;    &lt;m:smallfrac val="off"&gt;    &lt;m:dispdef/&gt;    &lt;m:lmargin val="0"&gt;    &lt;m:rmargin val="0"&gt;    &lt;m:defjc val="centerGroup"&gt;    &lt;m:wrapindent val="1440"&gt;    &lt;m:intlim val="subSup"&gt;    &lt;m:narylim val="undOvr"&gt;   &lt;/m:mathPr&gt;&lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![
