terça-feira, 22 de novembro de 2011

É difícil. É difícil segurar essa reação que é maior que nós. Maior apenas por ser involuntária. Não há como impedi-la, ignorá-la, virar os olhos e esquecê-la. Mas só porque é involuntária. Só porque é tão presente, tão pulsante, latejante. E por toda essa falta de controle; dói, corrói.
Nem sempre ela nos vem assim de imediato. Por vezes demora horas, uma noite, um adormecer. É como se maturasse de maneira latente. É como se precisasse de alguma reação psiquiátrica específica pra se concretizar.
Os olhos passam a ver cenas inconcretas. Que (ainda, talvez) são apenas projeções do que pode vir a ser. Tudo se acelera descontroladamente a ponto de meses serem transcorridos em minutos. Em pouco tempo já se pode ver um desaguar de fatos controvertidos, meio desconexos - indesejados.
O enredo, o roteiro, os atores nos entram pelas pálpebras e seguem até onde as tais imagens foram projetadas. Inundam-nos. Desaguam ferozmente rumo ao chão. Antes, percorrem o lugar que interpretou tudo aquilo que há pouco era apenas visto: o tal coração. Este, em parte criador do tal impulso involuntário em questão, na sua natural aceleração do momento, violentamente jorra todos pra fora de si.
É aqui, precisamente, que se origina aquele conhecido embrulho no estômago. Uma sensação que só pode ser chamada por um único nome: ansiedade! Mas, no caso, este denominante é apenas um componente deste turbilhão de incertezas, de inconcretudes. Cenas, atores, enredo e roteiro passam a ricochetear neste curto espaço - dito barriga. Esse incômodo estomacal, em que nada lembra aquele outro - famoso -, persiste incansável e insaciável. Libera fluidos quentes, amargos, ácidos por toda a extensão do corpo. Queimam ideias, cultivam amarguras, corroem imagens (novas e velhas).
Em meio a tudo isso a corpo para. A mente cala. O olhos cerram. As mãos fecham. O coração lamenta. Grita lamentos. Questiona porquês. Tão involuntário quanto tudo isso são os pés, que já não levam a lugar nenhum. Imóveis, estáticos, estanques. Uma camada de gelo recobre todos poros. O calor se concentra nas veias.
Ao cabo de tudo isso, que dura muito mais que várias horas, emerge fagueiro o lamento constatador da incapacidade de si para com os outros.

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