domingo, 4 de setembro de 2011

Por que os políticos roubam?!

Os políticos roubam. Esse é um lugar mais que comum. Tornou-se uma espécie de lugar banal. Ninguém dá a mínima importância a alguém que profere estas três palavras. Tornou-se uma espécie de verbo obrigatório quando se diz o tal substantivo. Em muitos casos, este, se tornou uma espécie de qualificador, de um adjetivo negativo. Um xingamento!
Mas este estado de coisas não deixa de nos enojar, de nos enjoar, de nos enraivecer. Mesmo sabendo de qual a consequência (quase) necessária para a existência da figura chamada "politico", ainda assim nos rebelamos (ainda que internamente) contra tudo isso. Entretanto, é crescente - sempre ante as unanimidades políticas que nos atam as mãos - a tendência a considerar tudo isso como um lugar banal, onde não adianta gritar, espernear, agir. Como se tudo isso fosse parte de um estado natural de nós serem humanos brasileiros.
Ocorre que, diante da trivialidade das condutas descritas no Código Penal em seus arts. 157 (roubo), 158 (extorsão), 168 (apropriação indébita), 171 (estelionato), 312 (peculato), 315 (emprego irregular de verba ou renda pública), 317 (corrupção passiva), 319 (prevaricação), 321 (advocacia administrativa) 333 (corrupção ativa) - amplamente praticadas por estes sujeitos - é necessário que se investigue a motivação dos mesmos para esse imenso concurso formal e material de crimes.
Tudo isso se resume na seguinte indagação: por que os políticos roubam?!
Certamente não é com o mesmo intuito dos mafiosos das tramas dos desenhos animados. Estou convicto que não agem para dominar o mundo, nem mesmo para dominar o país. Não se trata meramente de uma questão de poder. Não se trata de poder mandar mais e mais, até porque muitos deles apenas buscam ser mandados por outro que detém um pouco mais de poder: muitos sonham em ser capachos!
Também acredito que não se trata (certamente) de uma singela opção por ser do mal. Não é por causa de más índoles geradas desde a concepção, germinadas por nove meses na barriga de suas mães (sempre tratadas como as mães dos árbitros) e que explodiram no mundo desenvolvendo-se a partir de uma criança diabólica. Também, a meu ver, não se trata de crianças que desejam vingança contra todos a qualquer preço, por terem sofrido bullying na escola.
Por fim, acredito que a questão não é patológica. Não são como o rabino Sobel. Ainda que não tenham se submetido a minuciosa análise psicológica, psicanalítica ou psiquiátrica, acredito que não são vítimas de um estágio mais avançado da tal cleptomania. Nem de qualquer dessas síndromes hodiernas.
Na tentativa de buscar respostas a tal interrogação, façamos uma análise comparativa do ordinário fenômeno em estudo com o moleque que bate carteira na praça e com o ladrões de banco. Estes dois - tidos banalmente como criminosos, como os verdadeiros ladrões - agem indiscriminadamente diante dos olhos de todos. Em geral, muitos ligam tais práticas ao vício pelas drogas, sendo os resultados apurados nestas condutas utilizados na aquisição de algumas gramas de entorpecimento. Já outros - talvez a maioria - os liguem simplesmente ao estado de vadiagem. Tais especialistas (ou não) os analisam como pessoas que não consideram legais as ocupações legais e que, logo, preferem as atividades não legais por pagarem melhor e por proporcionares reduzida carga horária de trabalho. Em resumo, os acusam de merecerem a alcunha de vagabundos - antes de serem bandido, é claro.
Pois bem. Talvez desta última consideração é que venha uma possível resposta à pergunta que envolve esta divagação. Ora, ora, por que os políticos roubam?! É muito simples: para o conforto. Para o seu conforto.
Simplesmente para que possam vestir elegantíssimos ternos. Para que seus pés calcem belos e confortáveis sapatos italianos. Para que coloquem seus ovos em macias cuecas de grife. Para que olhem a hora de nos enganar em elegantíssimos relógios de ouro. Para que assinem contratos fraudulentos com as mais deslizantes canetas de diamante. Para que recebam seus comparsas nas mais badaladas reuniões em suas mais deslumbrantes mansões ou casas de praia (ou ilhas particulares) de mais de sete dígitos. Para que acomodem-se e tenham uma viagem tranquila em confortáveis poltronas da 1ª classe ou para que nos vençam - até no trânsito - em potentes helicópteros modernos. Para que possam experimentar dos mais saborosos pratos da alta gastronomia mundial in loco. Para que possam beber os mais envelhecidos uísques ou degustar os mais incríveis vinhos pelo mundo. Para que acordem em travesseiros de alguma pena de algum bicho em extinção. Para que se aqueçam por debaixo de lençóis de algodão egípcio, acordem vestindo imponentes roupões de seda e tomem os mais excitantes banhos em banheiras repletas de sais e adjacentes.
Mas isso não é tudo. Talvez esta possível (e provável) motivação não contemple a todos. Uns porque não são afeitos a este mini-mundo de caros prazeres. Outros porque são dados à solidariedade e à atenção ao próximo. Aos mais próximos, é claro.
Então podemos dizer que roubam para que suas mulheres fofoquem nos melhores salões, para que calcem e vistam as melhores grifes em seus belos (ou não) corpos tratados nas mais caras clínicas de estética e plástica e cheirem aos melhores perfumes sem ao menos ter o dever de cuidar do cardápio da semana. Para que seus filhos pilotem potentes carrões importados envenenados por uísques caros bebidos nas mais badaladas baladas mundo a fora, trajando sempre a grife da moda. Para que suas filhas frequentem o mais high de toda societe, aparentando serem moças sofisticadas, finas, distintas, pseudo-inteligentes, aptas a juntarem-se a qualquer família de um de seus comparsas ou apenas de um de seus clientes - mas jamais à de um de seus eleitores ou não-eleitores, apenas. Para que o nome da família se torne santo, sinônimo de prosperidade, nobreza e riqueza - tudo isso comprado numa dessas colunas que vendem glamour e visibilidade sem sabor, que chupam o ovo por algumas verdinhas. E falando em família nunca é demais lembrar o sentimento de afeto que nutrem pelos seus - pelos sobrinhos problemáticos, pelos irmãos sem caráter (e sem renda), pelos primos sem dignidade, pelos tios sem aposentos (dignos), pelos pais que tanto suaram para que se tornassem as pessoas que são - os quais - todos - sempre contemplados estão por algum vale-contra-cheque de cor laranja.
Podemos dizer, se a motivação aqui elencada proceder, que o que os leva a roubar não é algo tão assustador assim. Eles apenas prezam pelo conforto e a comodidade dos seus. Para que desfrutem de prazeres máximos, não disponíveis a um qualquer um. No fundo eles apenas garantem um dindim a mais, em face de seu trabalho a menos.
Mas espere um pouco. Aqueles tidos por bandido, contemplados neste texto pelos batedores de carteira e ladrões de bando, o fazem por qual motivo mesmo?
Parece que existem boas semelhanças entre ambos. Afinal, retirar do outro para o próprio prazer lhes é algo em comum. Talvez por isso quando batedores de carteira e ladrões de banco tomam muito tempo noticiários, é que se levantam para propor endurecimento da legislação criminal. Afinal, ser igualado a indivíduos ligados a sentimentos tão pequenos não é bom pra imagem. Até porque "roubo, mas não sou ladrão".

1 comentários:

  1. Puta... Pensei que nossos pensamentos nunca se cruzariam, nesse viés sem fim de tantos idealismos. Condenar a corrupção - e o político corrupto, principalmente -, é o primeiro passo para condenar a miséria que abarca mais da metade do povo brasileiro, que sofre nas filas dos hospitais insuficientes; que aprende bulhufas nas escolas, e por isso depende da sorte e da vontade de Deus para ser alguém na vida, apesar do esforço de professores desestimulados pela remuneração escrota; que come mal, que tem emprego ordinário, e que no final do dia ainda tem de assistir na tv a notícia de que um magote de filhos da prostituta mais vagabunda meteu a mão no dinheiro que era prá ser utilizado na escola que não presta, no hospital que não funciona, no esgoto que não construíram, na casa que lhe foi oferecida, na segurança que não se tem. Pior de tudo é saber que hoje em dia tudo isso está vencendo, se tornando viotiroso, banal, comum, aceitável. Ora, se se chega ao cúmulo de condenar a polícia porque ela, além de prender esses filhos de uma égua ainda lhes algema!? E cadê a condenação, cadê a cadeia para essa escória? O país merece. Merece porque tem um povo que não se respeita. E quem não se respeita não merece respeito. Tenho dito! Paulo Chaves

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