Em 27/08/2008 iam (simultaneamente) ao ar duas matérias sobre
a Empresa Styllos Eventos. Uma intitulada “Não transforme o seu sonho em
pesadelo: Contrate Styllos Eventos”. A segunda trazia em seu corpo os seguintes
dizeres: “Ele [José Araújo Lima Júnior] e sua esposa administram a realização
dos sonhos de muitos formandos da cidade [Teresina], já que a Styllos é
especializada em formaturas” – assevere-se que “ele” faleceu no ano de 2009 e
“sua esposa” continuou a administração da empresa.
Passados exatos três anos e vinte dias, Teresina amanhecia
quente como de costume. Explodia no facebook
uma disputa na sala do 10º bloco de Direito da Universidade Estadual do Piauí:
alguns alunos alimentavam o desejo de assumir o encargo cabível há apenas um:
ser o orador da turma. Eis que a comissão de formatura, por meio de uma de suas
representantes, posta: “Gente, aconteceu uma coisa muito ruim. eu tô indo atrás
de ver o que aconteceu direito agora. Dou notícias.”
Tais palavras soaram como um balde de água fria naquela
fervente e crescente disputa. Mas ainda viria o jato mais forte. Poucos minutos
depois, no dia 17/09/2011, os dois mesmos sites que publicaram as matérias logo
ali trazidas, estampam suas primeiras páginas com as seguintes manchetes: “CALOTE:
Estudantes denunciam golpe de donos da Styllos”. “Empresa de eventos é acusada
de aplicar golpe em estudantes”.
No mesmo instante se instalou em cada um de nós um silêncio
retumbante, um apagar de luzes, um sair do ar. A rapidez dos fatos de vidas a
beira de uma nova fase, parou. Não dava pra acreditar naquilo. Os carnês
arduamente colocados em dia. As prestações com todos aqueles recibos
amarelinhos grampeados aos boletos. A contagem regressiva pelo fim daquela
(quase) interminável dívida. A satisfação em dizer-se que lá se foram 30 e
tantos meses. Todas aquelas horas de trabalho e sacrifício pra produzir o
bendito suor que pagou cada centavo daquele sonho.
Era 17/09/2011. O sonho iniciaria em 26/03/2012 e se
encerraria em alguma hora do dia 01/04/2010. Hoje - seis meses antes - enquanto
ainda sonhávamos acordados, vimos as luzes se apagarem, os tapetes vermelhos
serem recolhidos, as roupas serem devolvidas ainda nos cabides, as cadeiras
vestidas serem retiradas antes mesmo que os convidados pudessem sentar-se,
vimos nossos possíveis oradores a discursarem sem voz alguma, vimos nossos
canudos indo embora em caixas lacradas, vimos nossos convites em papéis em
branco.
E cada um via mais que isso. No seu íntimo cada um de nós via
um pai e/ou uma mãe que acordava cedo, com a noite ainda em curso, sentindo a
gana necessária pra vencer mais um árduo dia de trabalho, lembrando do sonho de
um (ou mais um) filho recebendo o diploma, descendo a rampa, dançando a valsa.
Cada um via a si mesmo, em jornadas de trabalhador travestido de estagiário que,
com força e com vontade ia em busca de meios necessários para realizar o
próprio sonho. Cada um viu os árduos dias de até três jornadas de labor para
poder estar ali estudando, pagando e sonhando, para enfim poder estar lá –
festejando, comemorando e pondo o sonho em dia!
Daquele sonho de olhos bem abertos, nos quais adicionávamos e
retirávamos a cada dia novos e velhos elementos, passamos a um pesadelo. Um
pesadelo sombrio, imobilizante, daqueles em que quase não conseguimos nos
libertar e acordar. De sonho de olhos abertos fomos, em segundos, a um pesadelo
de mãos (quase) atadas.
É bom que se diga. QUASE! De que adianta ter sonhado, ter
acordado cedo, trabalhado, se esforçado, dormido tarde, pra na hora certa
perceber que tudo foi (apenas) um sonho?! De que vale desistir no momento em
que a desistência significaria não ter lutado, não ter trabalhado, não ter se
esforçado e (apenas) ter sonhado?! De que vale (apenas) lamentar que criminosos
levaram nossos R$54.000,00 e que provavelmente nunca nos devolverão?! Parece
que não vale baile, não vale colação, não vale aula da saudade, não vale
discurso de orador, não vale choro de emoção, não vale valsa com pessoas
queridas, não vale juramento em latim, não vale.
Mais vale acreditar que cada um de nós não pode abandonar o
sonho do colega ao lado. Se aqueles que um dia se colocaram como os
administradores da realização desse nosso sonho resolveram nos roubar, não
podemos nos furtar de assumirmos nosso papel de responsáveis para que não se
perca o sonho do(a) nosso(a) amigo(a) de tantos anos.
Roubaram nossas economias, tudo o que juntamos ao longo de 4
anos e 6 meses. Mas não levaram a nossa união, a nossa capacidade de se
sensibilizar com a dor do outro. Resolvemos enxugar as próprias lágrimas e ir
em busca de meios pra realizar o sonho da formatura de nosso colega.
Somos 33 vítimas e cada um de nós parte, a partir deste
triste episódio, à captura de condições para que na última semana de março
nossos 32 amigos possam ter a formatura que sempre sonharam.
E se você deseja ajudar a cada um de nós a garantir a
formatura de nossos amigos, contamos com a sua colaboração!
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